Há quase três anos atrás era apresentado um vislumbre totalmente cru de Mouse. Meses depois, em dezembro de 2023, seu primeiro oficial, com uma versão que passou por mudanças até o lançamento final.
De apenas Mouse, o jogo passou a ser Mouse P.I For Hire e sempre mostrou sua inspiração em animações que hoje se tornaram clássicos. E isso, me despertou a curiosidade sobre o título, principalmente pelo visual preto e branco, adotado.
Desenvolvido pela Fumi Games, estúdio independente polonês, Mouse P.I For Hire se tornou o projeto mais ambicioso do estúdio. Contando com um elenco de vozes de peso, incluindo o já consagrado nos games, Troy Baker.

Jack Pepper, a lenda da investigação
Ambientado em 1934, Jack é um daqueles personagens clichês de filmes de época. Herói de guerra, ex-policial, agora um detetive privado (P.I), que soluciona casos quando ninguém mais parece páreo para tal.
A história de Mouse P.I For Hire começa com o desaparecimento de um mágico, o mais de todos, Steve Bandel. Steve desapareceu prestes a uma apresentação grandiosa, e não deixou pistas sequer de onde foi parar. A partir daí Jack entra em ação, com a ajuda da jornalista Wanda Fuller.
Além de Jack e Wanda, temos um elenco de personagens recorrentes na narrativa, cada um cumprindo bem o seu papel. Dentre eles temos Tammy Tumbler, que constantemente está ajudando Jack. Tammy também é responsável pela lojinha de upgrades para as armas, B.A.N.G, mas que irei destrinchar melhor no decorrer do texto.

Quanto a história de Mouse, ela se desenvolve em missões lineares, que seriam as nossas investigações. Por exemplo, conversamos com X personagem que dá uma pista sobre um lugar que pode ter uma pista, a partir daí nos deslocamos até o local e iniciamos a missão, ao final retornamos ao nosso escritório.
Ao retornar ao escritório de Jack temos o quadro de pistas, onde colamos as pistas dos casos – há outras investigações além de Steve. À medida que a investigação ganha forma, o próprio Jack vai sugerir algum local para ir e procurar mais pistas.
Para irmos até os locais do mapa usamos o carro de Jack, mas não é como um L.A Noire dirigindo pela cidade. Na verdade, diria que é similar a uma mistura dos primeiros GTA’s, com a visão da câmera de cima e a progressão de um Super Mario, mas sem ordem das missões bem definida.
Sinceramente, a história para mim foi uma decepção, pela forma que ela se desenvolve e como do meio para o final ela se perde. Na reta final do jogo, eu já tinha perdido o interesse do que seria o desfecho.

Preto e branco é o charme do jogo
Na primeira gameplay eu confesso que tive receio quanto a adoção do preto e branco como as cores do jogo – ou falta dela no caso. Felizmente eu estava enganado, pois é o charme para a ambientação de Mouse, assim como no universo do jogo. A sensação que transmite é estar assistindo um filme animado realmente dos anos 30.
Há ainda nas configurações, assim como no começo do jogo, diversas possibilidades para deixar o filtro como quiser. Você pode deixar mais granulado, igual filmes clássicos, ou deixar mais natural, como obras atuais. Além disso, pode alterar o áudio para deixar mais vintage. O leque aqui é grande para jogar da sua preferência.

Para além da paleta de cores, o jogo possui ótimos gráficos, que parecem de fato tirados das animações da Disney, como a primeira versão de Mickey Mouse, por exemplo. Até mesmo como o ambiente se conecta com o jogo, sejam os inimigos, NPCs ou itens que podemos interagir com o contorno diferente dos demais.
A minha review é baseada na versão de PC, da qual estive jogando dias antes do lançamento e no quesito desempenho Mouse esteve rodando perfeitamente a maior parte do tempo. O trabalho de otimização dos desenvolvedores é muito positivo. Em contrapartida, tive bugs dos quais tive que reiniciar checkpoint, como Jack ou inimigos preso dentro de parede, objetivos que não atualizavam.
Outro problema recorrente foram as legendas com traduções inconsistentes para português. Parece ter faltado um trabalho na revisão dos textos, mas são erros pontuais que na atualização de lançamento podem ser corrigidos.

Trilha sonora é um espetáculo à parte
Um dos pontos altos de Mouse P.I For Hire é sua trilha sonora e ela dispensa comentários. Diversas faixas de Jazz com nomes conhecidos do gênero como Glenn Miller, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e entre outros, cada música parece ser feita para as missões.
São variadas faixas, que parecem até ser infinitas e várias delas conhecidas por marcar presença em animações ou filmes clássicos. Para qualquer fã de Jazz ou que está conhecendo o gênero agora, será um cardápio completo de ótima qualidade.
Como citei anteriormente, o elenco de vozes é de peso, então o trabalho de dublagem é impecável. Mesmo personagens de pouca importância na narrativa possuem boas vozes, alguns deles até com sotaques e vícios de linguagem bem distintos. Troy Baker no papel de Jack Pepper é impecável, mesclando momentos de seriedade e piadas.

Combate é definitivamente o maior foco
Enquanto Mouse P.I For Hire eu senti que a narrativa por vezes ficou de lado, o combate por sua vez é o ponto central. Marcando presença praticamente 99% do jogo, cadenciando momentos frenéticos e calmos.
Em Mouse temos um arsenal relativamente grande, composto de 11 armas, que vão de brancas, de fogo e explosivos. Podemos também ficar desarmados e partir para o soco, mas é preciso ter atenção a barra de estamina.
Mesmo durante o uso de armas, podemos chutar inimigos – uma mecânica útil para afastar eles – mas que é preciso não abusar porque consome estamina. O chute também serve para quebrar caixas que encontramos munições ou itens colecionáveis, bem como para chutar barris explosivos.
Quanto às armas, as de fogo podem ser upadas, na lojinha da Tammy. Para isso é preciso coletar Diagramas, que são encontrados explorando áreas da missão ou em locais secretos.

Os locais secretos também podem render jornais chamados Mouseburg Herald, com curiosidades sobre acontecimentos passados na história de Mouse. Outro tipo de coletável são as histórias em quadrinho, com Jack como personagem central.
Por último e não menos importante, temos as cartas de beisebol, que fazem parte da atividade secundária presente no jogo. Essas que podem ser coletadas em cofres trancados. Para destravar os cofres há um sistema de lockpick, que lembra um pouco o velho jogo da cobrinha dos celulares. Quanto maior a raridade do item no cofre, maior a dificuldade para abrir.
Para exploração na tentativa de alcançar algum cofre ou até mesmo avançar em algumas partes da missão, temos momentos plataforma. Jack possui habilidades como pulo duplo, planar no ar, correr pela parede e agachar para entrar em dutos. Esses momentos adicionam uma sobrevida ao jogo, para não se prender apenas aos tiroteios.
A jogabilidade durante o combate, diferente de um Call of Duty da vida, é em ritmo acelerado, ao estilo Doom. Podemos combinar pulos enquanto atiramos, além de manter inimigos distantes, uma vez que eles sempre tentam partir para cima. E assim como jogos com combate nesse ritmo acelerado, podemos coletar armadura, dando uma camada extra de vida.
Jack pode usar itens de cura, assim como terão momentos de consumíveis especiais, para potencializar as habilidades dele. Geralmente são por um curto período ou em um momento específico da missão, mas que acrescentam um diferencial ao combate.
Mouse P.I For Hire traz uma boa variedade de inimigos, que vão de brutamontes, snipers, até cachorros. As classes de inimigos seguem um padrão, mas eles possuem variações diferentes, que vão surgindo no decorrer que a história avança. Porém, pessoalmente, as batalhas de chefes tive o sentimento de que poderia ser melhor. Basicamente todas elas se resume em enfrentar o chefe em uma pequena área fechada enquanto uma horda de inimigos menores ataca ao mesmo tempo.
Um dos detalhes bem legais de Mouse é as animações para a morte dos inimigos, reagindo a depender de como são mortos. Por exemplo, fogo ou explosão eles viram cinzas, igual nos desenhos animados. Com ácido ficam apenas os ossinhos empilhados.

Mouse P.I For Hire é, sobretudo, um ótimo jogo
Minha jornada em Mouse foi muito maior que minhas expectativas, apesar da decepção com a história. O jogo entrega um combate viciante, que foi prazeroso ficar horas derrotando inimigos. Sua trilha sonora foi como experimentar aquele prato no cardápio que se tornou o seu favorito, e Jack Pepper será um personagem que lembrarei pelas suas piadas.
Mouse P.I For Hire é um jogo obrigatório se você é um amante de animações clássicas e ambientação na década de 30. Ouso dizer que o título irá figurar em listas para concorrer a prêmios, principalmente como melhor indie.
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