Quando falamos no gênero de terror nos jogos, logo lembramos de grandes franquias e títulos como Silent Hill, Fatal Frame, Outlast e muitos outros. Claro, todos que vieram posteriormente, buscando inspirações naqueles que saíram primeiro, algo muito comum. E apesar dos títulos citados acima, Stray Souls se trata de mais um jogo que se inspira em Silent Hill. Mas será que consegue acertar de forma a ser uma nostalgia? Vem comigo nessa análise, para responder essa pergunta.

Desde o começo do seu desenvolvimento, a Versus Evil e a Jukai Studio deixavam claro a inspiração de Stray Souls em Silent Hill. O jogo conta até mesmo com a participação de Akira Yamaoka, compositor da trilha sonora da saga Silent Hill. Porém, a medida que o jogo avança, percebemos que ele se torna na verdade um Resident Evil disfarçado. E não que seja ruim, mas a atmosfera aterrorizante da sua própria inspiração passa longe aqui.

O começo de tudo!

Tudo começa quando nosso protagonista Daniel, herda a casa de sua avó biológica na pequena cidade de Aspen Falls. Avó essa que Daniel não tinha nenhum contato, nem mesmo com sua família biológica, sendo membro de uma família adotiva. Através do advogado da família, Daniel recebe a herança, duas semanas antes de completar 18 anos de idade, mas o que ele não sabia é que a avó escondia segredos horripilantes, algo que claramente podemos perceber com cinco minutos de jogo.

Em poucos minutos, somos introduzidos a Martha, uma garota que Daniel conhece através de um aplicativo de namoro. A garota em questão, que por um acaso é vizinha da avó de Daniel, explica que sua avó fazia cultos e rituais macabros, além de sempre ver uma grande movimentação na casa constantemente. Inicialmente, Daniel resiste em acreditar no tal papo de ritual, mas a partir daí, em um breve momento de gameplay inicial, partimos para investigar melhor a casa. E assim, começam as primeiras revelações “impactantes”, do envolvimento da avó com rituais macabros. Pouco depois do curto gameplay investigativo, Martha aparece e nos ajuda a fugir da casa. Durante a fuga, Martha revela um segredo gigantesco, e cabe agora Daniel buscar mais informações sobre o passado de sua família.

A história do jogo segue um padrão clichê, onde vamos buscar pelo nosso passado e desenterrar segredos que o nosso protagonista Daniel, não esperava. A medida ainda que o jogo se desenvolve, com cada vez mais cinemáticas que parecem que foram recortadas ali sem nenhum contexto, mais o interesse do jogador pelo desfecho da história pode cair. Por sorte o jogo entrega uma narrativa curta, podendo ser zerado em menos de quatro horas, sem muita dificuldade.

Combate, criaturas e terror?!

No geral, Stray Souls apresenta uma pouca variedade de tudo, mas aqui vamos falar inicialmente do combate e criaturas que encontramos pelo caminho. Em relação ao combate, temos apenas uma arma o jogo inteiro, uma pistola dourada e ela será nosso parceiro fiel. Daniel é capaz de rolar no chão para se esquivar de golpes, mas sua movimentação é bem travada, o que dificulta um pouco as coisas durante o combo de esquivar e atirar. A mira é completamente imprecisa e ruim de manusear, mas da para dar um desconto já que o protagonista não é um Leon S. Kennedy.

Diferente de outros jogos de terror com armas, aqui as munições são algo que dificilmente vai faltar, já que sempre nos cenários que envolve combate há uma vasta quantidade de munições espalhadas pelo chão. Além disso, as criaturas que encontramos pelo caminho, tem pouca variedade e contam com um visual até legal para um jogo desse porte, mas nada marcante como um Cabeça de Pirâmide em Silent Hill. Todos os monstros acabam sendo esquecíveis, até mesmo os bosses que enfrentamos.

Apesar de ser um jogo de terror, no decorrer acaba sendo mais voltado para a ação, principalmente combate contra vários inimigos juntos ao estilo Resident Evil. Não há como negar que Stray Souls vai até te dar alguns sustos, ainda mais com o ótimo trabalho nos efeitos sonoros, ambientação e atmosfera que o jogo cria, com a presença da clássica nevoa, que é uma verdadeira marca registrada na franquia Silent Hill. Porém, na maior parte do tempo, os sustos são trocados por risadas devido aos problemas de bugs e otimização que o jogo apresenta.

Bugs, otimização e UE5

Stray Souls é desenvolvido na Unreal Engine 5 e como é de se esperar, os problemas recorrentes do motor gráfico estão presentes aqui também. O jogo conta com problemas de performance, bugs visuais, demora para carregar texturas, stuttering e ainda sofre de um problema com a câmera em locais fechados. Em relação aos visuais, até são bonitos para um jogo indie, mas as expressões faciais por usar uma tecnologia de captura facial, deixa muito problemático a sincronia labial e movimentação dos olhos.

A movimentação do nosso personagem é algo que vai te causar alguns transtornos, já que ele trava em alguns obstáculos do nada, sim literalmente do nada. Agora junte isso ao combate e vai ter uma mistura nada agradável, que vai te deixar estressado, com toda certeza. Uma das coisas que mais me incomodou durante a gameplay, foram momentos de pegar munição durante algum combate, o personagem congelava e eu levava golpes sem poder fazer nada.

O jogo tem uma ambientação muito bem construída, apesar de vários cenários parecidos e ainda conta com ótimos efeitos sonoros. A medida que vamos andando por partes de floresta, a ambientação consegue causar uma tensão sobre o que está por vir. Detalhe é que o jogo é totalmente linear, então não temos liberdade de caminhos a ir e nem nada do tipo. Não que a linearidade seja algo ruim, mas quem espera um jogo que permite mais exploração, não é o caso em Stray Souls.

Stray Souls vale a pena, mas em uma boa promoção

Apesar de todos os problemas presentes, muitos por causa da UE5, Stray Souls entrega uma qualidade aceitável dado o limite de orçamento com o que os desenvolvedores queriam entregar. O jogo não tem uma tarefa fácil em, de cara, ser comparado a Silent Hill, mesmo que conte com o compositor da saga no projeto. Com uma história clichê e nada surpreendente do que já temos no mercado, o jogo não é uma obra marcante, mas vai satisfazer quem quer jogar um terror rápido e curto, mas com uma narrativa. É um daqueles jogos para ser pego em uma boa promoção ou na falta de outros bons títulos de terror no backlog, para quem é amante do gênero.

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