Fiquei surpreso ao saber que, neste mês, teria o lançamento de The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition, mas, ao ver mais detalhes do jogo, já fiquei interessado. Afinal, tratava-se de um remaster do jogo de 2011, que havia sido retirado das lojas em 2019 e, como sou fã de Senhor dos Anéis, não podia ficar de fora dessa aventura. Ainda mais em um jogo que se passa em paralelo aos eventos do filme A Sociedade do Anel.
Uma aventura paralela à trilogia
Desenvolvido pela Aspyr Media, The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition, foi lançado originalmente em 2011 para PlayStation 3, Xbox 360 e PC. O estúdio já possui uma longa experiência em portar jogos clássicos para as gerações mais modernas, como os mais recentes Legacy of Kain: Soul Reaver 1 & 2 Remastered e alguns jogos da franquia Star Wars, como Bounty Hunter, Jedi Power Battles e outros.
The Lord of the Rings: War in the North é um RPG de ação no melhor estilo Hack and Slash, e sua história se passa ao mesmo tempo que os eventos do filme Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Enquanto Frodo e Sam seguem viagem rumo à Montanha da Perdição, Sauron envia uma imensa força militar para o norte da Terra-média, liderada por seu general de confiança, o Númenóreano Negro Agandaûr.
Para conter essa ameaça, três heróis formam uma aliança inesperada: Eradan, um Guardião Dúnedain; Andriel, uma Elfa Mestre dos Saberes; e Farin, um Guerreiro Anão. Juntos, eles precisam cruzar regiões violentas e sombrias, como as Colinas dos Túmulos, Fornost e a Floresta das Trevas, para derrotar o exército de Agandaûr.
O trio ainda conta com a ajuda luxuosa de Aragorn e da águia gigante Beleram.

O jogo mantém praticamente todo o conteúdo original, tanto em história quanto em gameplay, e considero isso um acerto. Essa versão remasterizada basicamente melhora a resolução, sendo possível jogar em 4K, além de fazer a transição da arquitetura de 32 para 64 bits. Dessa forma, a performance do jogo também foi melhorada, principalmente nos carregamentos.
É praticamente impossível viver essa aventura sem sentir aquela vontade de reassistir aos filmes. A história é original e complementa muito bem os eventos que vimos no cinema. Aliás, os diálogos com personagens icônicos como Frodo, Gimli e Bilbo são bem legais e entregam aquele bom e velho fan service que o fã gosta.

É aqui que o jogo brilha
Um dos pontos que eu tinha mais curiosidade antes de jogar era descobrir se a gameplay que eu lembrava do PS3 era realmente boa ou se essa sensação era apenas nostalgia.
A variedade no combate, a possibilidade de jogar com qualquer um dos três personagens e o sistema de RPG, cheio de possibilidades, fazem com que a gameplay seja muito divertida durante toda a campanha. A gameplay e a história representam o ponto alto desse jogo, trazendo tudo o que esperamos de um bom Hack and Slash.
A estrutura é simples: você entra em um cenário, ou capítulo, elimina os inimigos da área e, posteriormente, avança para a próxima região. Vale destacar que o jogo possui uma progressão bastante linear.
Durante essa jornada, você enfrentará uma boa variedade de inimigos, desde adversários mais fracos até orcs poderosos. Ao fim de cada cenário, existe uma boss fight. Depois de derrotar o chefe, o grupo retorna para uma cidadela que funciona como uma espécie de base, onde acontece a progressão da história e é possível se preparar para o próximo desafio. O loop de gameplay é simples, mas funciona muito bem com a proposta do jogo em si.
O sistema de RPG
Quanto ao sistema de RPG, o jogo possui alguns elementos importantes de jogos do gênero, como:
- Pontos de habilidade;
- Armas e armaduras com diferentes níveis;
- Itens como poções de vida e mana;
- Habilidades especiais liberadas ao subir de nível;
- Progressão de nível.
Em The Lord of the Rings: War in the North, cada personagem possui classe, armas, armaduras e diálogos específicos. Isso aumenta o fator de rejogabilidade e é um ponto muito positivo, já que ajuda a evitar aquela sensação de que o jogo está ficando cansativo.
Aliás, a grande novidade dessa versão remasterizada é que agora é possível alternar entre os personagens. Dessa forma, você pode jogar com aquele que possui uma jogabilidade que mais combina com seu estilo ou simplesmente ir alternando entre eles durante o jogo.
Os elementos de RPG funcionam muito bem e deixam o jogo mais interessante, já que é possível adotar diferentes abordagens e estratégias durante a gameplay. Além disso, durante a exploração, o jogo passa aquela sensação de estar evoluindo e ficando mais forte em relação aos inimigos, o que é bastante prazeroso.

O jogo possui dificuldade moderada, dentro do padrão da indústria. Não sendo difícil ou nem fácil demais, a não ser pela IA dos personagens, que, por vezes, é burrinha. Mas, se você jogar com os amigos no modo cooperativo, não passará raiva com a IA dos aliados.
O problema é que o tempo passou
Se, por um lado, o jogo acerta em manter o combate e a história praticamente iguais aos do original, por outro, isso também representa alguns pontos negativos nos aspectos gráfico e sonoro. Ao manter boa parte desses elementos técnicos inalterados, ambos apresentam sinais de estarem datados para os padrões atuais dos jogos.
Isso porque os gráficos não foram refeitos do zero, eles foram reaproveitados do original, recebendo principalmente melhorias de resolução e nitidez. Portanto, são essencialmente os mesmos gráficos que vimos em 2011, apenas com uma apresentação mais adequada às telas atuais, permitindo o aumento da resolução. E esse detalhe fica ainda mais evidente quando colocamos o jogo ao lado de outros títulos lançados atualmente.

Já no aspecto sonoro, a trilha continua funcionando muito bem, entretanto, o design de som do jogo não tem tanto impacto. O combate, principalmente, chega a perder um pouco do brilho pela falta de sons mais fortes e nítidos, o que é uma pena, porque o combate é justamente um dos pontos mais divertidos da experiência.
No fim, esse é um remaster que faz pouco para modernizar a experiência além da resolução, performance e adaptação para as plataformas atuais. Para quem nunca jogou, isso não chega a ser um grande problema, mas para quem esperava uma versão realmente renovada do jogo de 2011, é importante ter essa expectativa bem alinhada.
Outro ponto negativo durante a minha experiência em The Lord of the Rings: War in the North foi a quantidade de bugs. Tive diversos bugs, dos mais variados tipos, inclusive, um dos bugs cortou do meio do capítulo para a cutscene final, o que foi frustrante.

Vale a pena jogar?
Por aqui, foram cerca de 17 horas para zerar The Lord of the Rings: War in the North no PS5, e a experiência foi bastante satisfatória. O jogo entrega o que promete e ainda bem que a Aspyr Media trouxe de volta uma obra que estava presa à geração original, porque essa aventura merecia estar presente na atual geração.
The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition é um jogo para quem é fã de Senhor dos Anéis e também para quem não se importa tanto com gráficos. A história funciona, o combate continua divertido e o sistema de RPG ajuda a manter a experiência interessante durante toda a campanha. Agora, se você espera algo graficamente impressionante ou um remaster que transforme completamente o jogo original, talvez essa versão possa te decepcionar.
Para mim, entretanto, a nostalgia não falou sozinha, War in the North continua sendo uma aventura divertida, além de uma boa maneira de explorar um canto pouco conhecido da Terra-média.
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