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Review | Yakuza 0 Director’s Cut continua um ótimo jogo em uma versão diferente

Ninguém esperava o lançamento do Yakuza 0 para Switch 2 e ainda mais em uma versão aprimorada com melhorias e novidades. A pergunta que ficou foi se essa versão Director’s Cut daria as caras para outros consoles como o Playstation 5 e o X box series S/X. Finalmente tivemos a resposta com o anúncio e lançamento do jogo no dia 9 de dezembro. Venha conferir as novidades, o que mudou e se vale a pena jogar essa nova versão do jogo.

Kamurocho 1998

Uma viajem ao passado, um passado importante e lembrado pelos personagens e pelos fãs da franquia, como seria um jogo controlando Kiryu Kazuma? Não o Dragão de Dojima e nem o Yakuza lendário, mas um jovem, inexperiente e imaturo Kiryu, onde os seus valores e ideais serão testados, onde será preciso provar o seu valor e força perante todos, tudo isso no Japão dos anos 80, cercado de  luz e oportunidades, mas sem esconder a sujeira das ruas e o lado escuro do crime rondando nas ruas da Kamurocho de 1998.

Vale lembrar que esta não é uma analise do jogo Yakuza 0, mas sim da versão Director’s Cut. O jogo base é excelente, um dos melhores da franquia, aclamado pela critica e pelo público, seja pelos personagens, historia, mudanças no estilo da franquia, além de ser o primeiro título da geração passada, acredito que o primeiro título que quebrou a bolha do nicho e alavancou a franquia mundialmente, um importante passo para o que viria no futuro com os remakes Yakuza Kiwami e o Yakuza: Like a Dragon sétimo título da franquia.

Kiryu fala inglês?

Uma das mudanças mais importantes feitas é a localização. O jogo está disponível com legendas em vários idiomas, assim como o português, antes de fora. A localização do jogo, porém, coloca palavras de formas estranhas ou que não coincide exatamente com as palavras dos personagens. Por exemplo, todos são criminosos, mas nenhum deles fala qualquer tipo de palavrão. Também encontrei menus com traduções incorretas, como a palavra “equipo”.

A cereja do bolo é a dublagem em inglês. Não é a primeira vez que um jogo da franquia é dublado em outro idioma – o Yakuza original do Playstation 2 lançado em 2005 era dublado em inglês, tinha inclusive um nome de peso bem famoso, o ator Mark Hamill famoso por interpretar Luke Skywalker deu voz ao querido pelo publico o Cachorro Louco Goro Majima. Depois disso os jogos ficaram sem dublagem em inglês por vários anos até o lançamento de Yakuza: Like a Dragon em 2020.

Leia também: Yakuza 0: Director’s Cut ganha elenco de peso na dublagem em inglês

A qualidade da dublagem no geral está boa, embora o jogador possa estranhar o som meio distante ou abafado. O áudio e o ambiente não se comunicam as vezes, o que quebra a imersão as vezes. Quanto as vozes escolhidas, em grande maioria foi excelente, os vilões em imponência, força e intimidam com a voz e a atuação, outra ótima escolha é o Matthew Mercer reprisando o excelente trabalho feito em títulos anteriores, a voz continua e atuação continua incrível e aqui mostra uma faceta bem diferente do personagem ao gerenciar o club Grand.

Kiryu fala inglês, mas eu prefiro em japonês, não apenas pelos vários anos ouvindo aquela voz já tradicional dele, mas pela questionável escolha de dublador Yong Yea reprisando no papel, um youtuber e agora dublador que substituiu o anterior Darryl Kurylo a partir de 2023 nos títulos da franquia, gerando controvérsias pela escolha e o motivo dela. Muitos fãs reclamaram bastante dessa escolha ou apenas jogam em japonês mesmo. A revolta é compreensível; se o jogo fosse dublado no meu idioma nativo, não gostaria de uma substituição assim por motivos até então desconhecidos – em time que está ganhando não se mexe.

Yong Yea dublou o Kiryu em Like a Dragon: Infinite Wealth, um homem vivido e experiente de 55 anos, o que confunde o jogador ao ouvir a mesma voz com ele tendo 20 anos. O que piora é o enorme contraste entre a voz dele e dos outros personagens; como citei, os vilões realmente botam medo e intimidam, enquanto o Kiryu parece o Yakuza B falando, uma voz fraca e sem alma, bem diferente da voz marcante dele em japonês.

Um pequeno detalhe

Um pequeno detalhe dessa versão é a exclusão da versão original do jogo. Ao pesquisar pelo jogo Yakuza 0, apenas a versão Director’s Cut aparecerá, inclusive o bundle Yakuza Complete Series que possui os títulos principais até o Yakuza 6 substitui o jogo por essa versão.

Outro detalhe é o save, se você estava jogando e lançou o Director’s Cut não é possível usar o mesmo save, é preciso começar o jogo do zero, para os jogadores de PC com mods esse problema pode ser resolvido, diferente de jogadores de console. Sendo uma nova versão do jogo lançando para uma nova geração tem a opção de pagar um upgrade em vez do preço cheio, a atualização está disponível apenas para quem possui o jogo em mídia digital, para quem tem mídia física ou tem o jogo através de serviço não pode optar pela atualização tendo que comprar o jogo com preço cheio. Uma curiosidade, o Yakuza 0 original ainda está listado para compra no site GOG.

Red Light Raid

O jogo sofreu um banho de loja que mudou toda a identidade visual para o preto, quem já conhece Yakuza sempre teve o seu título com um fundo branco cegante por trás e aqui eles mudam isso. A abertura da Sega agora também com fundo preto. O menu mudou, não tanto em visual, mas nas opções. As opções de multiplayer contra jogador ou online enfrentando pessoas nos minijogos tradicionais como Sinuca, mahjong, poker e Cee-lo, além de poder comparar os rankings com os amigos e com o ranking mundial.

Todas essas opções foram tiradas para os jogadores poderem se empenhar no novo modo online Red Light Raid, que consiste em uma série de desafios de combates, o jogador escolhe um lutador, escolhe aliados controlados pela CPU ou aliados online controlados por outros jogadores e passam a enfrentar esses inimigos em batalhas, sem muito segredo, só bater em todo mundo. Para quem já conhece a série é basicamente um coliseu, ou ainda mais preciso o coliseu do Like a Dragon Gaiden onde tem batalhas maiores com a ajuda de aliados.

O modo é mais uma forma de passar um tempo jogando e lutando, como tem vários personagens podemos experimentar eles, ver os seus estilos de luta e golpes, combinar técnicas com outros jogadores e se divertir ao fazer isso, mas um jogo onde o combate é tão presente continuar lutando e lutando inevitavelmente vai cansar, por isso fazer isso com os amigos cura um pouco esse problema.

Mais diferenças

Uma real melhora foi o auto save, acrescentando uma opção diferente ao clássico telefone no esconderijo ou o bom e velho orelhão (telefone público), tirando isso o jogo também lhe dava a opção de salvar ao terminar os capítulos. Lembrando que essa opção de auto save não tinha na versão original.

Quando iniciamos o jogo, ele mostra um trailer com várias sequencias do jogo ao som da música “Bubble” Shonan no Kaze, uma apresentação excelente por sinal, realmente empolga para jogar e descobrir tudo o que o jogo oferece. Na versão original a música não foi licenciada, uma pena, o jogo ficou famoso pelas músicas como o clássico Baka Mitai e Cinderella cantada e dançada pelo Majima.

O estudio Speech Graphics fez as novas animações das dublagens, assim sincronizando as vozes para os idiomas inglês e chinês. Um último detalhe é o tamanho dos arquivos original pesando 24 GB e Director’s Cut pesando 47 GB, infelizmente não tem sentido a enorme diferença de 20 GB, simplesmente não tem conteúdo para isso. O jogo base ainda é igual em grande parte, um modo multiplayer, legendas e dublagem pesa tanto assim para justificar esse aumento.

O jogo possui cenas novas ao longo do jogo, são 5 cenas extras a primeira literalmente destrói o desenvolvimento do personagem Majima e da sequência de acontecimentos que ocorre depois, as outras são bem desnecessárias, em parte faz parecer que Yakuza está brincando de Marvel e fazendo referencias apenas. A última cena é uma interação entre o Kiryu e o Nishiki, essa é uma cena bacana poderia estar no original sem problemas, além de fazer parte dos momentos dos dois personagens.

Essa nova versão sofre do mal dos remaster dessa geração, lembrando que o jogo tem quase dez anos e usa um motor gráfico antigo, ou seja, o jogador verá pop-in, objetos aparecendo ou mudando a textura dos objetos, Blur que faz a imagem parecer embaçada, ocorre quando a imagem do jogo é esticada para uma resolução maior, além do serrilhado. Esses problemas ficam mais visíveis durante o dia, o jogo também tem problema com a luz, vários objetos dos cenários têm baixa resolução.

Conclusão: diferente, mas não melhor

Uma boa oportunidade de revisar esse jogo clássico e de grande importância para a franquia. A SEGA viu a chance de relançar o jogo para essa nova geração e se agarrou nela. Ela tem seus méritos e deméritos, mas o importante ainda é a enorme qualidade do jogo base que faz realmente valer como valia a dez anos atrás, quando ele foi lançado.

Alguns diriam que é decepcionante a comemoração de 20 anos da franquia, mas as empresas não costumam acertar e agradar os fãs. No fim, temos o relançamento de um ótimo jogo em um versão diferente; não serão uma legenda em português e um auto save que farão a versão ser melhor do que o anterior, principalmente para jogadores antigos da franquia.

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