Lançado na última quinta-feira (5), o episódio 9 da terceira temporada de Jujutsu Kaisen (56 no total) entrega um dos confrontos mais interessantes desta terceira temporada. O aguardado embate entre Yuji Itadori e Hiromi Higuruma vai muito além de uma simples batalha dentro do Jogo do Abate.
A Colônia de Tóquio Nº3 não aposta apenas na ação, mas transforma o combate em uma discussão profunda sobre responsabilidade, culpa e propósito de vida.
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O Jogo do Abate começa… em um tribunal?
A expansão de domínio de Higuruma continua sendo uma das ideias mais criativas apresentadas na série até agora. Diferente de outros domínios que funcionam como arenas de batalhas, o dele materializa um tribunal completo, onde as regras da justiça substituem temporariamente a violência direta. Dentro desse espaço, um shikigami assume o papel de juiz, enquanto Higuruma atua como acusador e Itadori é obrigado a se defender.
Durante o julgamento, a batalha se transforma em um jogo de argumentos e decisões estratégicas, em que cada resposta pode determinar o resultado do processo. A primeira acusação parece relativamente simples, mas serve para estabelecer o funcionamento daquele sistema – além de nos fazer esquecer o que realmente poderia “prejudicar” Itadori em um possível julgamento pelos eventos de Shibuya.
Sem conhecer todas as regras do domínio, Itadori tenta improvisar uma defesa e acaba recorrendo a uma mentira. A prova apresentada pelo tribunal desmonta rapidamente sua versão, levando à sentença de confisco. Como o protagonista não possui uma técnica amaldiçoada própria para ser “confiscada”, ele perde então a capacidade de gerar energia amaldiçoada. Higuruma não esperava, porém, que a simples capacidade física de itadori seria suficiente para lhe dar trabalho, visto que ele é extremamente mais forte e ágil que um humano ou feiticeiro qualquer.

Enfim a “porradaria franca” – mas com um forte significado
Com sua energia amaldiçoada retida e uma pena a ser executada, Itadori enfim enfrenta fisicamente Higuruma, que mostra uma habilidade acima da média para alguém que despertou habilidades Jujutsu a tão pouco tempo – ou seja, além de um bom advogado, sua maior aptidão está em sua forma atual, como feiticeiro, o que complica as coisas para Itadori e qualquer possível adversário que o subestime fora de sua expansão de domínio.
A direção do episódio aproveita bem esse momento para construir uma sequência de ação dinâmica, com o personagem tentando sobreviver enquanto Higuruma ataca com seu martelo de justiça. O cenário do tribunal, antes organizado e formal, se transforma em uma batalha caótica em um teatro, como esperado anteriormente.

Enquanto a luta se desenvolve, também fica mais claro quem Higuruma realmente é. Antes de se tornar um feiticeiro, ele trabalhava como advogado de defesa e acreditava que o sistema jurídico deveria proteger aqueles que não tinham voz. No entanto, anos enfrentando decisões injustas e casos em que a verdade parecia irrelevante acabaram destruindo essa fé. O domínio que ele criou reflete exatamente essa frustração: um tribunal rígido, onde a condenação parece inevitável.
Essa visão amarga do mundo faz com que Higuruma encare o julgamento de Itadori quase como uma confirmação de sua própria descrença na humanidade. Para ele, o sistema existe porque as pessoas falham repetidamente, mentem para escapar das consequências e raramente assumem responsabilidade pelos próprios atos.

O peso da culpa de Itadori
Para mim, o momento mais poderoso e simbólico do episódio acontece quando um novo julgamento é iniciado. Desta vez, a acusação é muito mais grave: o massacre ocorrido em Shibuya. Todos sabem que o responsável direto pela destruição foi Ryomen Sukuna, que tomou o controle do corpo de Itadori naquele momento. Ainda assim, quando confrontado com a acusação, o protagonista admite sua culpa.
A confissão surpreende porque não existe qualquer tentativa de justificar o ocorrido ou de transferir a responsabilidade para Sukuna. Para Itadori, pouco importa quem estava no controle naquele instante; o resultado foi a morte de inúmeras pessoas, e ele sente que precisa carregar esse peso. O episódio deixa claro que essa culpa continua sendo uma ferida aberta desde o arco de Shibuya.
O detalhe mais revelador é que Higuruma já sabia da verdade naquele momento. As provas indicavam que Sukuna era o verdadeiro responsável, mas a atitude de Itadori desmonta completamente a lógica cínica que ele havia construído sobre o comportamento humano. Diante de alguém que escolhe assumir a culpa mesmo quando poderia evitá-la, Higuruma é forçado a confrontar a própria visão pessimista sobre as pessoas.

Até onde é positivo que a justiça seja cega?
Quando a sentença de morte é anunciada pelo shikigami – em um dos frames mais aterrorizantes de Jujutsu até então – e Higuruma recebe a espada capaz de executar o réu instantaneamente, a luta atinge seu ponto mais tenso. No entanto, o episódio não resolve esse momento com uma simples demonstração de força ou com uma virada inesperada de poder. A verdadeira mudança acontece na forma como Higuruma passa a enxergar Itadori e como isso afeta sua capacidade de efetuar sua execução.
Ao admitir seus erros e aceitar as consequências, o protagonista revive algo que Higuruma acreditava ter desaparecido: a capacidade de alguém agir com honestidade mesmo quando isso significa sofrer as consequências. Esse gesto quebra o cinismo que havia dominado o personagem e reacende, ainda que discretamente, a fé que ele tinha perdido no sistema e nas pessoas.
No fim, o episódio reforça que Jujutsu Kaisen continua encontrando maneiras inteligentes de transformar seus confrontos em discussões morais complexas.
Após seu adversário ser convencido a cooperar, Itadori conquista o que queria: os 100 pontos de Higuruma para a criação de uma nova regra que permite a transferência de pontos entre os participantes do Jogo do Abate. Além disso, ele recebe um ponto de presente, que o dá mais tempo para agir sem o risco de ter sua energia amaldiçoada retirada por não participar ativamente de embates. Agora, acompanharemos o que Fushiguro fará em seu primeiro grande embate, no outro lado da barreira de Tóquio…

Jujutsu Kaisen retorna com seu episódio 57, o décimo da terceira temporada, na próxima quinta-feira (12). Não deixe de acompanhar esta aventura junto de nossas impressões dessa fase do anime durante as próximas semanas!
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