Robyn
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Crítica | Robyn atualiza o pop com suas novas experiências e liberdade sexual em ‘Sexistential’

Sempre que Robyn reaparece é para redirecionar o pop e criar as novas referências que serão reproduzidas nos anos seguintes. Foi assim com “Honey” (2018), disco anterior em que o luto e a vulnerabilidade foram matéria-prima para músicas que reverberam até hoje. Oito anos depois, a cantora sueca está de volta com Sexistential, álbum em que mais uma vez traz um pop repleto de frescor, desta vez girando em torno de experiências sobre sexualidade e maturidade.

Robyn na capa de Sexistential
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A maternidade solo depois dos 40 é o ponto da partida da obra. A partir das transformações recentes em sua vida, Robyn retorna ao synthpop que ela ajudou a reerguer com “Body Talk” (2010) para abordar a redescoberta da própria sexualidade e reflexões sobre atual momento da vida em um disco que é tão profundo quanto dançante e instigante.

São 9 faixas que contam novamente com a produção de Klas Åhlund, parceria que se mantém desde os anos 2000. Aqui, ao mesmo tempo, em que existe a sensação de conforto de rever Robyn em uma vertente do pop que domina com maestria, em nenhum momento a obra cai na repetição ou no comodismo. Robyn segue explorando novas possibilidades com os sintetizadores e batidas eletrônicas e mesmo quando ela encosta em algo parecido com hits como “Dancing On My Own” e “Call Your Girlfriend”, é para mudar a direção nos segundos seguintes.

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“Amor, fale como você se sente / É realmente, realmente real?”, dizem os versos de “Realy Real”, faixa de abertura que parte de um fim de relacionamento como um estopim para buscar novas experiências, embaladas por um refrão épico pronto para ferver nas pistas. “Dopamine”, primeiro single divulgado, vem em seguida sendo mais um potencial hit e deixando mais claro a naturalidade com que Robyn olha para a própria sexualidade.

“Blow My Mind” é uma nova versão da faixa lançada em em 2002 no disco “Don’t stop the music”, com uma roupagem mais eletrônica e o acréscimo de versos dedicados a seu filho, reforçando a intenção de se conectar com o presente. “Sucker for love” e “Talk to me” são alguns dos melhores exemplos da habilidade de Robyn de equilibrar melancolia e batidas dançantes.

A faixa-título é uma sintese do momento chave da obra: a artista descreve com bom humor a cena em que ela está uma clínica de fertilização in vitro e conta para a médica sobre o seu tesão no ator norte-americano Adam Driver. “meu corpo é uma nave espacial com os ovários em hipervelocidade / existe um universo inteiro dentro de mim, entre as minhas coxas”, diz os versos. Já “Light up” é outro momento emocional feito para cantar a plenos pulmões. “Into The Sun” encerra em alta com um pop agridoce delicioso.

Em “Sexistential”, Robyn atualiza o seu synthpop para o momento atual da sua vida e entrega um disco repleto de canções pop que arrebatam a cada refrão e que impactam pela lírica profunda em que a cantora se mostra muito franca em relação as próprias experiências e as transformações em sua vida e segue conseguindo uma conexão muito forte com o público através da sensibilidade e honestidade que são grandes trunfos da artista.

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