review Hades II

Review | Hades II é o jogo que faltava na biblioteca do PlayStation

Superando o quase insuperável

Superando o quase insuperável

Desde que comecei a me aprofundar em roguelikes, poucos jogos me marcaram tanto quanto “Hades”. Não é exagero dizer: eu sou completamente apaixonado pelo primeiro jogo. Para ter uma ideia, fui atrás de tudo, fiz os 1000G no Xbox, explorei cada arma, cada interação, cada pedaço daquele loop que simplesmente não cansa.

Então, quando Hades II foi anunciado, a empolgação veio na hora. Mas ela veio acompanhada de um certo balde de água fria também. Quando o jogo chegou em setembro de 2025 como exclusivo de PC e Nintendo Switch, confesso que bateu aquela frustração, afinal, eu queria muito jogar no PlayStation, onde passo a maior parte do meu tempo.

Agora, meses depois, chegou finalmente o momento. Com o lançamento no dia 14 de abril para consoles, tive a oportunidade de jogar Hades II no PlayStation 5 base por vários dias e é justamente essa experiência que eu vou compartilhar aqui.

Vale um ponto importante: como o site ainda não tem uma análise completa do jogo nas versões anteriores (PC e Switch), essa não é apenas uma review focada no desempenho do PS5. A ideia aqui é trazer uma visão completa de Hades 2 como jogo. E já adianto: voltar a esse universo foi exatamente o que eu esperava… e, em vários momentos, até mais.

Sem mais enrolação, fica comigo nesta review de Hades II e saiba tudo sobre um dos melhores roguelikes do mercado.

Essa review de Hades II foi realizada na versão de PlayStation 5 do título com um código enviado pela Supergiant Games.

Uma sequência que entende o que fez o primeiro funcionar

Vou ser direto: eu estava com medo de produzir esta review de Hades II. Não porque o jogo parecia ruim, longe disso. Mas porque o primeiro é tão redondo que parecia difícil imaginar uma sequência que realmente justificasse existir.

A Supergiant Games resolveu isso da melhor forma possível: não reinventando tudo, mas expandindo com inteligência.

Hades II pega tudo que funcionava e amplia. Tem mais conteúdo, mais possibilidades, mais sistemas, mas sem perder aquele núcleo que faz você querer jogar “só mais uma run”. É aquele tipo de sequência que respeita o original, mas não fica presa a ele.

A história muda o tom e funciona muito bem

Se no primeiro jogo a jornada do Zagreus tinha um tom mais pessoal, quase rebelde, aqui a coisa escala. Agora o submundo está sob o domínio de Cronos, o Titã do tempo, que tomou o lugar de Hades e virou uma ameaça muito maior. E no meio disso entra Melinoë, protagonista nova e uma escolha que funciona muito bem.

Melinoë não está simplesmente tentando escapar ou provar algo. Ela foi criada para isso. Treinada desde pequena por Hécate, sua missão é clara: derrotar Cronos. Diferente de Zagreus, que tinha uma jornada mais pessoal, Melinoë carrega um propósito. E isso se reflete no tom do jogo.

A narrativa continua seguindo aquele estilo que já era marca da série: nada de longas cutscenes, mas sim pedaços de conversas, que vão se encaixando aos poucos. E isso continua sendo um dos maiores acertos.

Você conversa, morre, volta, conversa de novo e quando percebe, já está completamente envolvido com aquele mundo. Cada interação adiciona contexto, e você passa a se importar com tudo, tanto com os personagens, quanto com o conflito.

Se você jogou o primeiro, isso bate ainda mais forte. Tem muita referência ao primeiro game. Isso não quer dizer que você não pode jogar Hades II sem ter jogado o seu antecessor, sim, você pode, mas obviamente vai perder a base construída pela franquia e alguma sensações podem não acontecer.

Mas a sensação é exatamente aquela: você vai se divertir, mas vai perceber que tem uma história anterior que vale muito a pena conhecer.

O loop continua viciante, talvez ainda mais

Aqui é onde Hades II mostra por que ele funciona tão bem. O loop roguelike continua intacto, mas o jogo parece maior, mais variado, mais vivo. A quantidade de inimigos, cenários e combinações possíveis faz com que cada run realmente pareça diferente.

E o combate continua absurdo de bom. Rápido e fluido. E o mais interessante é como as armas mudam completamente a forma de jogar. Não é só trocar de arma, é trocar de estilo.

Tem abordagem mais agressiva, mais técnica, mais estratégica e quando entram as bênçãos dos deuses, tudo muda de novo. As builds que surgem no meio das runs são o que dão identidade para cada tentativa.

Além disso, o jogo cresce muito fora do combate. O acampamento substitui a antiga Casa de Hades e funciona como um hub mais vivo. O sistema de progressão foi expandido, com novas mecânicas que deixam o ritmo mais equilibrado.

Tem coleta de recursos, crafting, melhorias e até momentos mais tranquilos entre uma tentativa e outra. Isso ajuda a dar respiro e deixa tudo mais orgânico. E o melhor: sempre tem algo novo. Você acha que viu tudo, aí surge uma nova arma, um novo diálogo, uma nova mecânica. O jogo parece entender exatamente o que te mantém engajado. O combate continua sendo o coração do jogo, mas aqui ele ganha novas camadas importantes.

Melinoë é voltada para magias

A primeira grande mudança está na forma como Melinoë luta. Ela não é um personagem físico como Zagreus, pois ela é mais voltada para magia.

Agora existe um sistema de Magias, que funciona como um recurso para habilidades mais fortes. Isso impacta diretamente o gameplay. Você ainda tem ataque, especial e dash, mas agora pode carregar habilidades para executar versões mais poderosas.

Além disso, o cast mudou completamente. Antes era um projétil, agora vira um círculo mágico no chão que prende inimigos e pode explodir após carregado. Na prática, isso deixa o combate mais estratégico.

E o deuses?

Aqui entra uma das maiores evoluções do jogo. Os deuses continuam sendo o coração das builds, mas o elenco foi expandido e isso muda bastante a dinâmica. Além de rostos conhecidos como Zeus e Poseidon, Hades II traz novos deuses importantes como:

  • Apolo – foca em efeitos que fazem inimigos errarem ataques
  • Hestia – trabalha com dano contínuo
  • Hefesto – traz ataques explosivos e foco em armadura
  • Hera – cria mecânicas de dano compartilhado entre inimigos

E tem também uma mudança estrutural importante: as habilidades mais “definitivas” agora vêm da Selene, que funcionam como poderes especiais. Isso deixa as builds mais abertas.

Progressão e novas mecânicas

Outra mudança grande está fora do combate. Hades II expande bastante os sistemas de progressão. O antigo espelho foi substituído por um sistema de cartas, que você equipa antes das runs.

Além disso, o jogo introduz:

  • Sistema de coleta de recursos
  • Crafting e rituais no caldeirão das Moiras
  • Progressão baseada em incantações mágicas

Esses elementos fazem com que o jogo não seja só sobre repetir runs, ele passa a ter uma sensação constante de evolução. O jogo cresce demais enquanto você descobre novas evoluções.

Hades II é difícil?

Se tem uma coisa que Hades II acerta em cheio é na forma como constrói sua dificuldade. Nada aqui parece aleatório ou injusto. Cada área e cada decisão dentro de uma run contribuem para uma curva de desafio muito bem ajustada.

Em nenhuma das minhas runs eu senti que estava “relaxado”, nem mesmo nas melhores. Sempre tem algo que pode dar errado. Chefes exigem atenção do começo ao fim, o posicionamento dos inimigos pode te pressionar mais do que o esperado, e os próprios cenários agora trazem mais elementos interativos que causam dano.

É o tipo de dificuldade que não te pune à toa, mas também não te deixa confortável. E isso, pra um roguelike, faz toda a diferença. Morri bastante antes de fechar minha primeira run e assim produzir esta review de Hades II, portanto não espere um passeio na Disney.

Direção de arte e desempenho são absurdos

Visualmente, Hades II é um dos jogos mais bonitos que joguei nos últimos anos. A direção de arte da Supergiant sobe ainda mais o nível aqui usando a mesma forma de animar em 3D, depois exportadas para spritesheets 2D e renderizadas na tela como texturas planas. Cada cenário, cada personagem, cada efeito visual parece pensado nos mínimos detalhes.

A identidade continua forte, mas com uma nova pegada, agora mais fria, mais alinhada com a nova protagonista. E durante o gameplay isso fica ainda mais evidente. Os efeitos das habilidades, a movimentação se encaixam perfeitamente. No PlayStation 5 base, a experiência foi excelente.

Carregamentos rápidos, desempenho estável e nenhuma queda que atrapalhe o combate, algo essencial em um jogo desse tipo. É aquele tipo de experiência polida, que simplesmente funciona do começo ao fim.

Considerações finais

Finalizo esta review de Hades II cravando que ele é muito melhor do que eu esperava. Ele não é só uma sequência direta do primeiro, mas é uma evolução muito bem pensada. Ele entende perfeitamente o que fez o seu antecessor funcionar e expande isso sem perder identidade.

Tem muito conteúdo, muita variedade e um fator replay que parece não ter fim. E sendo bem honesto: é o tipo de jogo que te puxa de volta o tempo todo. Você termina uma run e já pensa na próxima. Testa uma build nova. Quer ver um diálogo diferente. Quer descobrir mais.

Quando percebe, já perdeu horas ali. E sinceramente? Eu não mudaria nada disso. Que venham Hades III, Hades IV, Hades V e muito mais.

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Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.