Integrantes da banda From Ashes To New

Crítica | From Ashes to New passeia entre o Metal, Rap e Electronicore em Reflections

From Ashes to New é uma banda de rock americana formada em Elizabethtown, Pensilvânia, conhecida por sua fusão de nu metal, metalcore, rap e elementos eletrônicos. Desde o início, o grupo construiu sua identidade ao equilibrar agressividade e acessibilidade, o que naturalmente os aproximou de nomes influentes do rock moderno. Ao longo dos anos, consolidou uma base fiel de fãs ao explorar esse contraste entre peso e melodia, sem se prender a fórmulas engessadas.

Com “Reflections”, seu quinto álbum de estúdio lançado pela Better Noise Music, a banda não tenta reinventar sua essência, mas dá um passo importante na forma como a desenvolve. Aqui, o foco está menos em impacto imediato e mais em consistência, identidade e evolução sonora, refletindo um momento mais consciente da carreira.

Novo álbum e evolução da banda

Sucessor de Blackout (2023), o álbum chega com a responsabilidade de manter o crescimento da banda sem perder sua autenticidade. Em vez de buscar mudanças bruscas, o From Ashes to New aposta em um refinamento gradual, onde cada faixa contribui para uma experiência mais coesa e bem estruturada.

A produção é mais polida, os arranjos são mais equilibrados e há uma preocupação maior com a fluidez do álbum como um todo. Essa escolha torna “Reflections” menos impulsivo, porém mais consistente, um disco que se constrói gradualmente e ganha força conforme avança.

Uma abertura forte com electronicore e referências

“Drag Me”, faixa de abertura, estabelece imediatamente o tom do álbum. Os riffs pesados se misturam com uma base eletrônica bem construída, criando uma atmosfera moderna e envolvente desde os primeiros segundos. A música inicia esta odisseia oscilante com a empolgante paisagem sonora electronicore que o Bring Me The Horizon aperfeiçoou em seu álbum Post Human: Survival Horror (principalmente no single “Teardrops”).

Os versos de Matt Brandyberry entram com naturalidade, trazendo influências do hip-hop que não soam deslocadas. A música funciona como uma introdução sólida, apresentando com clareza a proposta do disco e preparando o terreno para o que vem a seguir.

Vulnerabilidade e ousadia

“Forever” desacelera o ritmo e aposta em uma abordagem mais emocional, assumindo a forma de uma balada melancólica com toques cinematográficos, mostrando um lado mais sensível da banda. A performance vocal de Danny Case se destaca, trazendo profundidade à faixa e criando uma ambientação mais introspectiva.

Na sequência, “Villain” retoma a energia com uma combinação equilibrada entre peso e melodia. A faixa mistura essa fórmula de forma bem-vinda, reforçando sua sonoridade de fusão de gêneros. Há momentos que remetem ao Sleep Token e ao Dayseeker, enquanto uma influência clara de Mike Shinoda se destaca. O resultado demonstra um crescimento consistente na composição do grupo.

Acessível e comercial

“Die For You” se destaca como um dos momentos mais acessíveis do álbum. Com um refrão forte e versos bem distribuídos, a faixa demonstra uma preocupação clara em dialogar com um público mais amplo, sem comprometer a essência da banda.

O peso finalmente explode

“Black Hearts” é o ponto em que o álbum atinge seu ápice em termos de intensidade. O metalcore melódico da fase mais recente do Architects parece guiar a introdução, com sirenes estridentes elevando o clima, enquanto a faixa se desenvolve com uma construção que equilibra tensão e liberação de energia. Especialmente para mim, há também um vislumbre futurístico que remete à proposta sonora da banda Starset, acrescentando uma camada atmosférica interessante à experiência.

“Upside Down” e “(Not) Psycho” mantêm essa energia, explorando riffs marcantes e elementos industriais de forma consistente. Na segunda, a banda bebe da fonte moderna do Bring Me The Horizon, especialmente no breakdown. Há ecos da fase Post Human: Survival e até de “Kool-Aid” (Post Human: Nex Gen), mas o quinteto incorpora floreios convincentes com influências de hip-hop e nu-metalcore.

Já “Parasite” se diferencia ao navegar por uma aventura de emo trapcore e rap-numetal, ampliando ainda mais o alcance sonoro do disco.

Influência nostálgica e originalidade

Já “New Disease” funciona como uma síntese do disco. A música reúne peso, melodia e elementos eletrônicos em uma estrutura direta e eficiente, o que justifica sua escolha como um dos primeiros singles. Além disso, mistura essas características com um “bleeegh” que costuma fazer o público do metal vibrar.

Enquanto, “Darkside” evoca um pouco I Prevail e Linkin Park (há até um interlúdio no meio da música que é praticamente uma cópia de “By Myself” do Hybrid Theory), evidenciando o diálogo da banda com o cenário atual do metal, trazendo estruturas familiares, mas bem executadas. A faixa mostra como o grupo absorve influências sem se perder completamente.

“Falling From Heaven” segue uma linha mais segura. Não é nada extraordinário e pode soar genérica, mas é carismática, com versos de rap bem colocados e uma explosão no trecho final. Já o encerramento com “Your Ghost” entrega uma carga emocional maior, combinando breakdowns fortes, rap, refrão de arena e alguns guturais, o que destaca a química entre os vocalistas.

Rap e metal ainda funcionam?

Para quem ainda tem dúvidas, From Ashes to New, reforça que a combinação entre rap e metal continua relevante quando bem executada. A dinâmica entre os vocais cria variações interessantes ao longo do álbum, evitando que a sonoridade se torne repetitiva. Mais do que uma escolha estética, essa fusão se mostra essencial para a banda, sendo o principal elemento de conexão entre as diferentes propostas presentes no disco.

Olhando para frente sem esquecer o passado

“Reflections” não busca reinventar o gênero, mas também não se acomoda. O álbum representa um momento de maturidade, em que a banda entende melhor seus limites e possibilidades. O resultado é um trabalho equilibrado, que evolui sem romper com suas raízes. Não é um divisor de águas, mas é um passo sólido, mostrando que o crescimento está nos detalhes e na forma como são trabalhados ao longo do caminho.

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Acredito que séries, filmes e rock são mais do que entretenimento, eles dizem muito sobre quem somos. Redatora, crítica e teorizadora, escrevo para provocar reflexão, compartilhar paixões e explorar o impacto da cultura pop na vida real.