Thick as Thieves
Imagem / Conecta Geek

Review | Thick as Thieves: Confuso, repetitivo e inconsistente

Admito que nunca fui um grande apreciador de jogos com foco em jogabilidade stealth, devido ao ritmo lento. Com exceção da franquia Hitman, onde a variedade de possibilidades para completar um objetivo, jogos como Thief, por exemplo, não “clicaram” comigo.

Porém, em mais uma tentativa de me aventurar pelo stealth, fui atraído pela curiosidade da proposta de Thick as Thieves. Jogo este que foca em missões onde temos que roubar itens e fugir sem ser pego, lucrando o máximo possível.

Entendendo como Thick as Thieves funciona

Thick as Thieves é um jogo que inicialmente no seu anúncio seria um PvP, totalmente focado em partidas onde jogadores roubariam itens pelo mapa. Entretanto, a desenvolvedora decidiu, aos 45 do segundo tempo, mudar os rumos do projeto e entregar um jogo com single player ou cooperativo.

E a partir dessa mudança, é visível que o título se perdeu em um abismo entre single e multiplayer. Isso se dá pelo fato do jogo ter apenas dois mapas jogáveis, e ser extenso, com muitos itens para roubar, mas ao mesmo tempo vazio e sem vida, mesmo que tenha guardas controlados por IA.

Thick as Thieves pode ser jogado em até dois jogadores, sendo dois personagens com habilidades diferentes, que dividem o progresso da “campanha”. Esta que é focada em pequenos contratos para roubar itens predeterminados pela Liga dos Ladrões. Mas, outros itens podem ser roubados também, que inclusive podem ser utilizados para personalizar seu esconderijo.

Ao iniciar o contrato, vamos atravessar um portal fantasmagórico – também usado para fugir ao final do tempo – e a partir daí iniciamos em um ponto do mapa. Como você vai invadir o local ou por onde, fica a seu critério, uma vez que o jogo dá bastante liberdade nesse ponto.

Combate e outras mecânicas 

Infelizmente não há combate, no máximo é possível nocautear inimigos aproximando furtivamente por trás, mas não é definitivo, pois eles acordam após alguns minutos. E aqui temos inspirações no jogo Thief, pois ser pego significa fracasso iminente.

Além do nocaute furtivo, temos disponíveis algumas ferramentas de uso profissional para furtos. Sendo a bomba de fumaça, que permite fugir e se esconder antes de ser capturado. O gancho, permitindo escalada em locais altos e a invisibilidade, que até ajuda de forma mais útil na progressão em alguns momentos.

Uma outra mecânica presente é basicamente se camuflar nas sombras, podendo assim quebrar ou apagar luzes de locais, para ficar praticamente invisível. Há um medidor no HUD da tela, que mostra quão escondido ou visível você está para os guardas.

Infelizmente a funcionalidade da IA é super inconsistente e cheia de bugs, o que deixa Thick as Thieves não tão divertido. Alguns momentos os guardas te enxergam de muito longe, em outros você pode estar do lado deles que não vão sentir sua presença.

Em uma forma de contornar recomeçar todo o progresso do mapa constantemente, temos pontos distribuídos para que possamos “depositar” os itens furtados. Uma espécie de cofre, também fantasmagórico, que assim evita de perdermos tudo ao ser abatido pelos guardas.

Gráficos e desempenho geral

Na parte gráfica o estúdio apostou em visual cartunesco, similar a Dishonored e o próprio Thief. E visualmente falando, o jogo é até bonito, com uma ambientação que mescla um pouco de noir. O problema começa no design de personagens, onde a repetição do modelo dos guardas é constante.

Já no desempenho, mesmo desenvolvido na Unreal Engine 5, o jogo rodou sem problemas, mantendo sempre fps acima dos 60 com tranquilidade. Mas algo que me incomodou foram bugs de áudio, com as vozes dos personagens se sobrepondo como se eu estivesse jogando com os dois ao mesmo tempo.

Enquanto isso, a trilha sonora é praticamente ausente, e não faz diferença estar lá ou não. As batidas são sem graça e repetitivas, e nem sequer consegue criar um clima de tensão dado a temática do jogo.

Thick as Thieves é inconsistente no que se propõe

Confesso que Thick as Thieves eu comecei jogar com zero expectativas e mesmo assim ele conseguiu decepcionar pela sua falta de identidade sem saber o que quer ser de fato, um jogo cooperativo ou resquícios do PvP. 

O jogo ainda carece de correções de bugs que acontecem, e precisa de suporte a longo prazo, principalmente com novos mapas – sendo apenas dois. Além disso, novos personagens com diferentes habilidades que de fato funcionem, pode deixar o fator replay mais interessante, que no momento é repetitivo e enjoativo.

Felizmente Thick as Thieves está custando menos de R$ 20, mas disponível apenas no PC.

Outras reviews:

Amante de Games desde criança e viciado em caçar platinas. Profissional de TI nas horas vagas. Você me encontra no X: @gennerdouglas