Teeto review
Imagem / Conecta Geek

Review | Teeto traz essência de gênero esquecido nos dias atuais

O gênero plataforma está cada vez mais “apagado” do mundo dos games, se tornando quase que uma raridade nos dias de hoje. Mesmo com o recente sucesso de “Astro Bot“, exclusivo da PlayStation, a frequência com que novos jogos saem não é como nos anos 90 mais.

Teeto, desenvolvido pelo pequeno estúdio independente Eat Pant Games, abraça completamente ao estilo clássico plataforma, trazendo mecânicas já vistas ao longo dos anos. Sendo um jogo divertido e uma surpresa positiva entre os lançamentos de pequeno porte deste ano.

História simples, mas jogabilidade divertida

A história de Teeto começa quando um experimento sai completamente do controle provocando a extinção humana. A partir daí, criaturas conhecidas apenas como Sombras passam a ocupar o mundo, causando o terror por onde estão.

Então conhecemos nossa guia e parceria Nory, uma coelhinha que surge como a única esperança do que restou da humanidade. Nory nos entrega uma mochila capaz de absorver elementos do mundo e fazer com que Teeto assuma a forma.

Conforme a narrativa se desenrola, mais informações sobre o passado de Nory e como surgiu o experimento são revelados, mas no geral é tudo muito simples e direto ao ponto. O destaque fica mesmo na jogabilidade, que se torna bem divertida com as mecânicas de interação com as fases.

Teeto é capaz de absorver diferentes elementos da fase, indo desde pedras, arbustos, gelo, eletricidade e até mesmo flores. Cada forma assumida é responsável pela resolução de diferentes puzzles que ajudam na progressão das fases ou coleta de colecionáveis.

Como por exemplo a forma de pedra podemos quebrar obstáculos ou abrir caminhos com portas resistentes. Ou utilizar eletricidade para ligar plataformas ou eletrônicos que permitem progredir o caminho. Absorver a flor faz com que Teeto possa se pendurar em cipós e atravessar grandes vãos. Nenhum dos itens capaz de absorver é inutilizável.

Entre os colecionáveis estão as Vionitas, espécie de pedra preciosa encontrada explorando as fases ou ajudando personagens com pequenos favores. O outro “coletável” são os Michaels, pequenas criaturas fruto de outro experimento de Nory, que possuem diferentes aparências e profissões como encanador, mecânico, professor e etc.

Uma outra mecânica divertida é em caso de você se sentir perdido e sem saber para onde ir, basta utilizar a Aerobusca. Um aviãozinho de papel que nos indica a direção do caminho principal da fase, mas sem indicar de forma óbvia para onde ir, o que não tira a curiosidade de exploração da fase.

Gráficos coloridos e designers fofos

Graficamente Teeto é simples e bem colorido, lembrando uma mistura de “Astro Bot” com as cores vivas de “Fall Guys“, por exemplo. O design dos personagens, além de Nory e Teeto, assume formas de animais, como Kieran, o pombo ou Hugo, um gato.

Já os cenários seguem uma estrutura de fases, que ao final de cada capítulo (aqui chamado de Ato) enfrentamos um boss. As batalhas contra os bosses são mais desafiadoras e cada uma apresenta diferentes mecânicas para derrotar o vilão do capítulo.

Felizmente, para ser mais amigável para um público maior, Teeto possibilita ativar opção de acessibilidade que retira dano, deixando assim nosso herói praticamente imortal. Com essa opção ativada, basta concluir as fases, mesmo levando golpes, que não falhará em nenhum momento.

Podemos ainda personalizar Teeto em um total de 51 possibilidades diferentes. Indo desde visuais de coelho, pirata, ovelha, fogo e muitos outros. A personalização não muda nada na jogabilidade, apenas permite que você mude o visual para se divertir mesmo.

Alguns dos trajes são encontrados espalhados pelas fases, podendo ser pegos naturalmente explorando. Enquanto outros serão necessários comprar na loja localizada no hub central das fases. Para comprar é necessário usar as estrelas, coletadas na fase como moeda do jogo.

Infelizmente na parte de desempenho o título ainda carece de uma atualização com algumas correções. Teeto, durante minha jornada que durou cerca de 5 horas, apresentou diversos bugs, como o personagem travar dentro de algum obstáculo, ou o objetivo ser concluído mas não contabilizar.

Além disso, para quem busca conquistar todos os troféus/conquistas, já se prepare para passar um pouco de raiva. Até o momento desse texto Teeto conta com alguns troféus/conquistas bugados, o que pode fazer com que você rejogue o jogo duas vezes para concluir.

Estrutura de fases e referências no jogo

Teeto traz diversos momentos com referências a artistas e obras famosas, como Leonardo da Vinci e até mesmo a conhecida banda Avenged Sevenfold ou a Godzilla. Nenhuma delas interfere na gameplay, mas é incluída de forma divertida ao longo do jogo.

A estrutura de fases se alterna entre momentos “mundo aberto” com livre exploração. Já outras onde tudo é mais linear e sem possibilidade de sair daquele caminho. Há também fases onde a câmera alterna entre visão lateral ou frontal, lembrando momentos de “Crash Bandicoot”, “Super Mario” e outros clássicos plataforma.

Passamos por florestas, praias, montanhas de gelo, até mesmo parquinho de crianças. À medida que você progride no jogo vai percebendo como cada capítulo se interliga com as fases e com o desfecho da história.

Quanto a trilha sonora, sinceramente, ela não brilha, na verdade se torna irritante ao longo do jogo. Após algumas fases eu desativei a música do jogo por já estar repetitiva demais e passando aquela sensação de estar andando em círculos.

Teeto é divertido e uma boa opção para apenas relaxar

Teeto para mim foi uma boa surpresa em meio há tantos jogos que nos consome tempo ou traz narrativas elaboradas dignas de cinema. O jogo surge como uma alternativa apenas para sentar, jogar, concluir fases e relaxar com uma historinha de Sessão da Tarde. 

O jogo é clichê, não tenta reinventar nada de novo na roda, mas traz elementos divertidos e referências a alguns clássicos que já até viraram IPs esquecidas. E apesar dos pequenos problemas de bugs, que devem ser corrigidos ao longo das próximas semanas, vai te render horas de diversão, seja sozinho ou cooperativo local.

Outras reviews:

Amante de Games desde criança e viciado em caçar platinas. Profissional de TI nas horas vagas. Você me encontra no X: @gennerdouglas