Moonlighter 2: The Endless Vault é desenvolvido pelo estúdio indie espanhol Digital Sun – que são responsáveis também pelo titulo original de mesmo nome, e publicado pela grande 11 bit Studios – que é responsável por diversos outros grandes titulos que já cobrimos aqui, como Frostpunk 2, The Alters, INDIKA e entre outros.
Um jogo que lembra um pouco a “vibe” de Zeldas, mas que também lembra outros jogos do gênero roguelike de câmera de cima, trazendo uma mudança um tanto “radical” de visual do jogo original – onde esse por sua vez, era um jogo pixel art, e aqui temos uma tradução para o 3D.

Pano de fundo interessante para nos motivar a vender o peixe
Nosso protagonista Will e seus colegas são pegos em uma situação onde uma entidade chamada Merlock os joga em diferentes dimensões dentro da sua realidade, fazendo eles pararem em diferentes locais hostis, além de uma nova cidade. Esse lugar é onde o nosso protagonista conhece uma entidade chamada de Endless Vault, que propõe aos lojistas aventureiros, uma quota de vendas para serem realizadas em um número especifico de dias. Aquele que atingir a meta proposta pela entidade, pode realizar qualquer desejo, inclusive voltar para cara.
Moonlighter 2 tem um enredo simples, mas é um bom pano de fundo para o que o jogo vai propor para o jogador. Temos momentos interessantes e personagens bastante divertidos de acompanhar na chamada vila de Trenza, uma vila cheia de vida. Á medida que o jogo se desenvolve ao alcançarmos objetivos (milestones), podemos ver o crescimento da vila, o que incentiva o jogador a progredir naturalmente.

Mudança para o 3D que tenta manter o charme, mas que sai perdendo um pouco
Diferente do primeiro Moonlighter, que é um jogo com um visual totalmente escorado no pixel art, muito bem-feito, mesmo que não seja único, mas conta com belas animações que entregam um mundo vivo e bastante imersivo, me fazem questionar se a transição do 2D pixel art para 3D, em Moonlighter 2, foi a melhor escolha. Sem dúvidas o estúdio conseguiu traduzir a identidade de Moonlighter para o 3D, porém alguns dos conceitos visuais do original acabou se perdendo em um 3D mais simplório. No antecessor tínhamos uma atenção a detalhes como animações de morte, e outras pequenos mecânicas, que não temos mais aqui.
A simplicidade da interface de usuário do 2 em comparação ao 1 chega a ser uma espécie de downgrade, mostrando como eles preferiram um caminho mais “minimalista” em apresentação comparado ao primeiro título. O novo jogo também busca “infantilizar” um pouco mais a arte do jogo original – que tinha um estilo mais maduro em comparação, mesmo com o design geral ter algumas batidas que se conversam.
Já na parte técnica, o jogo não traz complicações, ele roda fluidamente em 60fps e tem uma resolução alta, sendo ele um jogo que não demanda tanto, apenas apresenta alguns bugs com a fisica que não comprometem a experiência de forma alguma, só causa algumas situações engraçadas.

Seja um bom vendedor, e seja um bom porradeiro explorador!
O loop de gameplay de Moonlighter 2 é tão viciante quanto o primeiro, aqui temos objetivos mais complexos e diretos, que enchem o jogo de conteúdo. Se você já conhece o primeiro, então sabe que Moonlighter é uma espécie de “simulador de vendedor” onde o nosso protagonista reúne diversas relíquias, e as coloca em venda, para que os cidadãos as compre, então de dia, nós abrimos a loja e vendemos o que adquirimos nas nossas jornadas pelas dungeons – que acontecem geralmente no período de noite.
É ai que entra todo o aspecto de combate e roguelike do jogo, que citei anteriormente, onde vamos ter um mapa gerado com caminhos e recompensas aleatórias, sejam elas de evento, melhorias, tesouros, e por aí vai. Nosso objetivo é sair dali com o máximo de relíquias que conseguirmos até enfrentarmos o chefe, e caso morra durante o caminho, os itens recolhidos perdem o valor delas. Entretanto, o jogo tem uma opção, que permite nos teleportar de volta ao hub do jogo em situações de morte iminente, para não arriscarmos tanto o que é de valioso.

No geral, às mecânicas muito bem de Moonlighter 2 funciona muito bem, como colocar preços nos itens, e ver o que satisfaz ou não os clientes. Além de termos boosts que nos ajudam a arrecadar gorjetas, ou vender os itens por um preço mais alto do que seu valor de mercado, sem fazer com que os clientes fiquem insatisfeitos.
Algo que também nos consome tempo é a customização da loja, onde oferece bastante variedade, e dependendo de quais itens você aloca na loja é possível ganhar melhorias nas vendas ou outros atributos que ajudam na progressão. Isso faz com que os móveis sejam mais do que um mero objeto de decoração, fazendo com que o jogador pense em formas de configurar sua loja.

A loja cresce de acordo com o progresso do jogador, o que incentiva a querer ver qual o próximo passo que vamos dar. Contratar funcionários para a loja, a medida que ela cresce, ajuda o jogador a gerenciar melhor todo o fluxo de movimento e vendas, e sem dúvidas é um dos pontos mais positivos.
Já o combate de Moonlighter 2 é hack n’ slash, e funciona de forma similar ao jogo Hades. Algumas das salas possuem atributos, onde o jogador pode escolher um entre três disponíveis, essas habilidades contam com níveis de raridade, como: Comuns, Incomuns, Raras, Muito Raras, e Lendárias. Itens que coletamos na exploração também possuem esses níveis, como tesouros raros ou lendários.

A jogabilidade durante o combate é bastante responsivo, ao estilo dogde roll. Também podemos dar “mochilada” para arremessar inimigos atordoados, além de carregarmos uma arma de longa distância, para atacar inimigos voadores. Cada arma possui moveset diferente umas das outras, algumas diferenças entre os combos, mas sempre com a mesma árvore de ataques.
As bossfights apresentam uma variedade criativa e dinâmica que utilizam bem todas as mecânicas de combate disponíveis. Além disso, o designs de cada boss é sem dúvidas um dos pontos mais altos de Moonlighter 2.
Trilha sonora com bastante personalidade, e efeitos sonoros competentes
A trilha sonora de Moonlighter 2 é tão boa quanto a do seu antecessor, ela é composta por Christopher Larkin (responsável também pela trilha de Hollow Knight), e explora bem as nuances que cada cenário precisa. Por exemplo, na cidade temos um tema bem calmo e tranquilo, enquanto na hora de vender, é mais animador. Por outro lado, nas dungeons são faixas mais aventurescas, cada uma casando bem com o ambiente do momento.
Os efeitos sonoros também conseguem trazer o impacto de golpes, com sons satisfatórios na hora de desviar de golpes ou arremessar inimigos, assim como na hora de atacar. O jogo não tem uma dublagem com vozes, sendo tudo apenas em texto, mas mesmo assim os personagens são expressivos. Felizmente, o jogo conta com tradução em português, permitindo assim que mais jogadores se aventurem.
Considerações finais
Moonlighter 2 é uma mistura curiosa que deu bastante certo, e é um jogo que certamente vai prender os jogadores por longas horas. Apesar de roguelike, é um jogo bastante acessível em dificuldade, e o seu loop de gameplay é bom ao ponto de justificar a tentativa e erro. Apesar dos jogadores terem como objetivo realizar as vendas dos itens coletados, o título oferece objetivos diversificados para que não transmita a sensação de ser um jogo monótono e frustrante ao tentar concluir as dungeons diversas vezes em sequência. E mesmo com as mudanças visuais, e o estilo mais minimalista em relação ao primeiro jogo, a evolução da gameplay e progressão se tornam bem vindas a essa sequência.
Moonlighter 2 está disponível para PlayStation 5, PC via Steam, Nintendo Switch 2 e Xbox Series X|S. Assinantes do Game Pass podem jogar via PC ou console no dia do lançamento.
Análise realizada no PlayStation 5 com código enviado 11 bit studios!
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