Review | Denshattack! É videogame na sua forma mais pura e estilosa!

Lançado em 15 de julho, desenvolvido pela Undercoders de Barcelona – que é uma desenvolvedora bem subestimada, que fez bastante jogos de baixo orçamento, e publicada pela Fireshine Games, Denshattack! é tão especial que é difícil escolher por onde eu começo a falar dele, mas adianto que – até o momento, é a minha escolha a jogo do ano disparada.

Enredo direto ao ponto, mas com ótimas vibes

Denshattack! / Fireshine Games

Bem, vou começar a falar do enredo de Denshattack pois apesar de claramente ser a parte mais fraquinha do jogo (e isso não é um problema para o que ele nos entrega) é também o pontapé que nos insere dentro da sua proposta maluca.

Aqui “controlamos” uma garota chamada Emi – uma entregadora de ramen, em um Japão pós-apocalipse causado por mudanças radicais no clima, onde depois de conhecer um jornalista iniciante chamado Fernando, é introduzida ao esporte underground Denshattack! Onde um pessoal barra pesada conduz trens customizados pelos trilhos que acompanham todo o Japão, em corridas perigosas que são ditadas por gangues e até grandes corporações. E após uma entrega impressionante de Ramen conduzida por Emi até Fernando, ele a introduz a esse mundo, vendo o potencial gigantesco, e a habilidade genial de Emi a conduzir o trem de uma maneira perigosa, estilosa, e impressionantemente cheia de técnica.

Claro que o jogador pode não ser tão bom como elogiam a Emi, mas eles vendem esse peixe de uma forma convincente, e o jogo nunca te se sentir um perdedor, apesar de frustração ser inevitável em um jogo que requer bastante tecnicalidade do jogador.

Temos uma gama de personagens com bastante personalidade, um estilo artístico muito forte e cheio de energia, onde vemos inspirações de diversas obras em sua personalidade.

Algo muito maneiro em Denshattack é como os personagens são estereótipos bem visualmente genéricos de diversos movimentos estilosos do Japão, temos Gyarus, Bōsōzokus, Sukebans, e diversos outros esteriotipos que já vimos em diversos animes, mas são tão bem colocados aqui que não é um incomodo, e são agraciados com boas personalidades e fortes identidades visuais e criativas.

Algo que me pegou bastante é quanto mais você avança no jogo, mais a tela de loading vai recebendo personagens que a Emi vai conhecendo durante a sua jornada, começando por ela sozinha sentada em um vagão de trem, e se preenchendo com o Fernando, Madoka e por aí vai.

Denshattack! / Fireshine Games

Tecnicalidades radicais

Denshattack! / Fireshine Games

Uma das coisas que mais vi muitas pessoas fazendo – e algo que é um tanto inevitável, são as comparações a diversos outros jogos que chamam a atenção, temos uma referência visual forte que remete a Jet Set Radio, um estilo de manobras que remete aos Tony Hawks na forma de execução, e até mesmo clássicos da Sega – é difícil não ver que Denshattack provavelmente seria um clássico cult de Dreamcast, e muito provavelmente, foi proposital da parte da Undercoder.

Mas algo que me remeteu bastante durante minha jogatina, e que eu não conseguia tirar da cabeça, foi que a estrutura dele me remeteu bastante a um dos jogos mais populares do grande Suda 51 – No More Heroes, não exatamente em partes de como o jogo funciona, pois NMH é um jogo que tem um “mapa aberto”, porém, sua estrutura de alcançar o topo do melhor condutor de trem no Denshattack me remeteu à como o progresso em NMH acontece, e a entrega deles em fazer a lutas contra os inimigos principais ser disparada a melhor parte do jogo.

Denshattack! / Fireshine Games

Mas a estrutura aqui é simples, temos um mapa típico de jogos de plataforma, onde precisamos passa-los para avançar, cada fase tem uma missãozinha diferente, entre apenas chegar até o final, conseguir fazer N números de manobras com o trem, ou coletar e fazer missões durante o percurso, e por fim, temos as boss fights, que funcionam como corridas de trem, mas saímos na “porrada” com quem domina essa área, e a empolgação que essas partes me passaram aqui foi algo que eu não sentia a muito, muito tempo. Coisa de me deixar com um sorriso enorme enquanto eu passava as fases, o absurdismo e o estilo do jogo é incrível, e é impossível não sentir o hype tremendo que ele passa.

Denshattack! / Fireshine Games

Não tenho muito o que dizer graficamente, ele seria um jogo tecnicamente muito simples, mas seu cel-shade exagerado, e os pequenos detalhes dos cantos que vamos visitando fazem uma diferença absurda nos percursos que vamos encarando, e as vezes eu sempre parava para observar os detalhes, isso em um jogo que o objetivo é você não parar!

Alguns acontecimentos engraçados acontecem aqui também, como as vezes você dar um pulo errado e parar em um canto inacessivel do mapa, ou raras vezes afundar no chão depois de ter errado a manobra, aconteceu algumas vezes mas nada que quebre o fluxo de gameplay, pois o jogo indentifica rápido que você “caiu” e te coloca nos trilhos rapidamente.

E outra coisa que eu preciso elogiar bastante é o tanto de loucuras visuais e ideias criativas que eles tiveram com algo tão simples, muitas fases vão introduzir a “mecânicas” e objetivos diferentes, e eles sempre dão um impacto visual muito forte nessas partes, e é dificil não elogiar algo tão incrivél feito com uma ideia tão simples.

Grindando como um campeão

Denshattack! / Fireshine Games

Na teoria, Denshattack parece ser um jogo muito simples, aqui o jogador apenas tem que pular e esquivar de obstáculos perigosos que aparecem durante o percurso, e pouco a pouco o jogo vai introduzindo mecânicas que vão unindo toda a lógica de gameplay aqui.

De começo eu achei muito frustrante, pois eu demorei um pouco para entender como funciona algumas das mecânicas que o jogo não limita de cara, mas demora um pouco para ensinar. Então se você estiver um pouco confuso em relação a como conseguir uma pontuação alta nas fases, ou fazer algumas das manobras, não se preocupe, apenas vá jogando o jogo que o momento irá chegar, alerto isso pois para mim foi um tanto estranho e um tanto frustrante também, mas tudo se amarrou muito bem, até o grande clímax da primeira região de Denshattack.

Quando você aprende a manobrar, no entanto, vai ver que o jogo funciona quase como um jogo de luta, ou um Jet Set Radio da vida, onde precisamos fazer movimentos específicos para que o trem realize a manobra, mais especificamente ao pular com ele, e um pouco mais pra frente, o jogo irá ensinar em como manter uma numeração de combos, e é aí que a comparação a Tony Hawk vem a tona.

Com o Trem no ar, o jogador irá realizar a manobra, e ao pousar, ele precisará segurar (e soltar em seguida) o analógico esquerdo para cima ou para baixo, para contabilizar esses combos e começar a encher a numeração – quanto mais combos você fizer, mais coisas vão acontecer no percurso, como por exemplo – vão aparecer trilhos arco-íris, onde vai permitir o jogador a “explorar” caminhos especiais dentro dos percursos, e temos outras manobras que também são introduzidas pouco a pouco, como os derrapes – onde o jogador precisa segurar e soltar o L2 ou R2 no momento certo para impulsionar a velocidade do trem, grinds que funcionam como grinds no Tony Hawk, e até mesmo wall rides, que é sensacional de ver.

Fonte : Questdaily

De primeira, vai parecer um pouco estranho e confuso, mas eu garanto que tudo se casa muito bem, e entrega as experiências mais incríveis e malucas possíveis.

As fases também tem coletáveis e desafios especiais onde recebemos bônus na fanzine de Fernando, e também ganhamos “moedas” para realizar upgrades, comprar outros trens e fazer customizações de sua preferência, Denshattack quer muito que o jogador seja expressivo, e é um dos pontos mais fortes do jogo.

Trilha Sonora que reúne o que tem de melhor na música japonesa

Os efeitos sonoros são sensacionais, eles trazem bastante o impacto do trem, do grind e da derrapada, além de ouvirmos os gritos dos personagens e as falas constantes deles, que não incomodam por incrível que pareça.

Temos uma dublagem em inglês e japonesa aqui, e infelizmente eu nunca ouvia a americana, mas a japonesa é sensacional, e bem, o jogo se passa no japão, eu não conseguiria escolher outra coisa além dele.

Já a trilha sonora de Denshattack! É uma pedrada que só.

Composta por Tee Lopes, Sean Bialo e Andrew One, ela mistura estilos diversificados de músicas japonesas, seja J-POP, J-ROCK, uma eletrônica maluca, hip-hop e muitos outros estilos, é um prato cheio para amantes de música, e uma que me deixou ouvindo até mesmo fora do jogo.

Como vocês viram acima, ela tem colaboração com diversos artistas, entre eles estão:

  • 2 Mello
  • Shoji Meguro com Lotus Juice
  • Richard Jacques
  • Takenobu Mitsuyoshi
  • Ryo Nagamatsu
  • Kohta Takahashi
  • Harumi Fujita
  • Ironmouse
  • JUNKY58%

Todos eles injetam bem o seu estilo músical, casando totalmente com o estilo frenético e maluco desses condutores de trem de uma forma que você provavelmente vai ficar ouvindo ela no seu fone por um bom tempo.

Considerações finais

Denshattack! / Fireshine Games

Eu já estava muito empolgado para colocar minhas mãos nele desde que eu vi o seu trailer de anuncio, eu tinha ciência que estava vendo um jogo muito especial que parece que saiu diretamente da sexta geração de consoles, repleto de personalidade e que não tem medo algum de ser 100% um videogame, não liga de ter uma história boba e descompromissada e não liga de ter uma premissa tão absurda, pois ele sabe que ela funciona, e funciona muito bem.

Denshattack como eu já disse antes, fortemente um dos melhores jogos do ano, pode não ser do agrado de todos, obviamente, mas os set-pieces dele, as fases, surpresas e criatividade que não baixam a bola nem no último segundo do jogo, fazem dele ser algo que talvez muito jogadores estão atrás a muito tempo e não sabiam que queriam.

O fator replay do jogo também é algo que pode agradar a muitos, pois é impossível não sentir vontade de voltar a fases anteriores para completa-las e conseguir a melhor medalha e potuação possíveis, então estamos falando de um prato cheio que vai entreter por horas, e horas, e mais horas.

É um jogo que invoca uma das melhores gerações de videogames, e invoca também algo muito importante em videogame, que é não ter medo de ser um jogo – e isso traz um valor artístico a ele maior que muitos outros que tentam desesperadamente buscar essa provação como se tivesse devendo algo a alguém, Denshattack consegue isso sem nem ao menos tentar!

Um agradecimento a Fireshine Games e a JF Games por terem disponibilizado esse grande jogo para análise!

Denshattack está disponível para PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch 2, e PCs.

Também disponível no Gamepass e GeForce Now, além de contar com legendas em PT-BR!

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Meu prato favorito é JRPGs, mas também gosto de saborear filmes, animações, quadrinhos etc. Um outro prato que adoro é jogo de terror com tempero de ação, mas, na real, eu gosto de tudo relacionado a videogame. Se quiser me seguir no twitter, fique a vontade! As vezes eu posto opinão lá > @vannbrood