Existem jogos que chamam atenção pelo orçamento, outros pelo desafio. Well Dweller segue um caminho diferente: ele conquista pela delicadeza e vou te provar isto nesta review. Desde os primeiros minutos, a sensação é de estar explorando um mundo construído com muito cuidado, onde cada cenário, personagem e pequeno detalhe parece ter um propósito.
Joguei a versão de PS5, finalizei a campanha e conquistei a Platina. Ao longo dessa jornada, encontrei um Metroidvania que não reinventa o gênero, mas entende muito bem por que ele continua sendo tão querido por tantos jogadores.
Esta review de Well Dweller foi realizada no PlayStation 5 base com um código cedido pelo Top Hat Studio, a quem agradecemos pela confiança e parceria.

Um fósforo basta para criar uma ótima jogabilidade
A ideia central de Well Dweller parece até improvável. Faísca, o protagonista, passa praticamente toda a aventura usando apenas um palito de fósforo como arma. O curioso é que essa simplicidade nunca limita a experiência.
Além dos ataques corpo a corpo, o fósforo serve para impulsionar saltos, rebater uma garrafa incendiária e resolver boa parte dos desafios de plataforma. Cada nova habilidade desbloqueada muda a forma de explorar o mapa, seja planando, escalando paredes, realizando um dash aéreo ou alcançando áreas que antes pareciam impossíveis.

É exatamente o tipo de progressão que espero de um bom Metroidvania. Você encontra uma habilidade, lembra imediatamente de um corredor esquecido horas atrás e sente vontade de voltar para descobrir o que estava escondido ali.
Os Berloques dão uma camada de estratégia
Outro sistema que gostei bastante são os berloques. Eles funcionam como relíquias equipáveis que fortalecem Faísca, mas cada um ocupa um número diferente de espaços. Isso obriga o jogador a escolher combinações em vez de simplesmente equipar todas as melhorias disponíveis.

As tendas também merecem destaque. Elas funcionam como abrigo, loja, ponto de descanso e centro de informações. Ali é possível localizar colecionáveis, receber dicas sobre qual região explorar em seguida e conversar com NPCs resgatados durante a aventura.
E existe uma qualidade de vida excelente: a viagem rápida pode ser usada a qualquer momento. Basta abrir o mapa, escolher uma tenda descoberta e viajar. Parece um detalhe simples, mas elimina uma das partes mais cansativas de muitos jogos do gênero.

Nem tudo funciona perfeitamente. A habilidade de escalar paredes tem uma resposta inconsistente e, em alguns momentos, Faísca simplesmente demora a agarrar a parede mesmo após o comando correto. É um pequeno defeito que aparece justamente em sequências de plataforma mais precisas.
Um reino sombrio que esconde muito mais do que aparenta
A história começa de maneira bastante direta. Uma rainha enlouquecida passou a caçar pássaros para arrancar suas penas e confeccionar vestes reais. Para sobreviver, Faísca e sua família vivem escondidos no fundo de um poço.

Quando uma saída em busca de comida termina em tragédia, começa a missão de resgatar sua mãe e seus irmãos enquanto atravessamos um reino completamente arruinado.
O interessante é que Well Dweller nunca depende apenas desse objetivo principal. Os personagens encontrados pelo caminho dão personalidade ao mundo, e diversas pequenas histórias tornam a exploração muito mais significativa do que simplesmente caminhar entre um chefe e outro.

Os contos espalhados pelo mapa reforçam ainda mais essa atmosfera de fantasia. Como o jogo está totalmente localizado em português do Brasil, vale muito a pena dedicar um tempo para ler esse material, que complementa bastante o universo criado pela equipe.
Também recomendo uma coisa: não abandone o jogo depois de derrotar o chefe final. Existe conteúdo importante após os créditos, incluindo um final verdadeiro que muda a interpretação de vários elementos vistos durante a campanha.

Chefes memoráveis e um visual cheio de personalidade
Se existe uma área em que Well Dweller realmente impressiona, ela atende pelo nome de boss fight.
Enquanto os inimigos comuns são relativamente simples e repetem bastante seus padrões de ataque, os chefes demonstram uma criatividade enorme. Cada criatura possui um design marcante, e diversas vezes eu parei alguns segundos apenas para admirar o visual antes da luta começar.

Esses confrontos conseguem equilibrar espetáculo e diversão muito melhor do que o restante dos combates. No modo Normal, senti falta de um pouco mais de desafio durante a exploração, mas os chefes compensam boa parte dessa diferença.
Visualmente, o jogo também acerta em cheio dentro da proposta escolhida. Não é uma produção que busca realismo, e sim uma identidade artística inspirada em contos de fadas sombrios. Cada região possui cores, arquitetura e criaturas próprias, fazendo com que o mapa permaneça interessante do início ao fim.
Um detalhe curioso do desenvolvimento ajuda a explicar essa identidade tão consistente. Kyle Thompson foi responsável pela arte, programação e design do jogo, enquanto seu irmão Eric compôs toda a trilha sonora. Essa parceria acontece desde Sheepo, e o entrosamento entre imagem e música fica evidente durante a aventura.
Falando em áudio, a trilha sonora acompanha perfeitamente o ritmo da exploração. Não são músicas que ficaram na minha cabeça depois dos créditos, mas elas criam uma atmosfera extremamente agradável. Os efeitos sonoros, principalmente os ataques com o fósforo e as garrafas incendiárias, são ainda mais marcantes.

Durante toda a minha experiência no PS5, também não encontrei bugs, travamentos ou problemas de desempenho relevantes.
Vale a pena jogar Well Dweller?
Finalizo esta review de Well Dweller respondendo a pergunta acima com um sonoro: SIM!
Well Dweller é uma aventura acolhedora, criativa e cheia de personalidade. Ele prova que uma boa ideia executada com cuidado vale muito mais do que dezenas de mecânicas espalhadas sem propósito. Para quem gosta de Metroidvanias focados em exploração, personagens carismáticos e um mundo que recompensa a curiosidade, Faísca entrega uma jornada que merece ser vivida.
Conquistar a Platina levou cerca de 13 horas e meia. Quem quiser apenas terminar a história provavelmente encontrará uma aventura entre 8 e 10 horas, enquanto completar tudo exige um pouco mais de exploração e algum farm de moedas para evoluir os berloques.
Meu único desejo era ver inimigos comuns mais variados e um mapa ligeiramente mais enxuto, já que algumas regiões surgem quando a sensação de encerramento já havia aparecido. Felizmente, esses detalhes nunca superam aquilo que o jogo faz de melhor.
Well Dweller chega no dia 22 de setembro para PS5, Xbox Series, PC, Switch 1 e 2, estando Day One no catálogo do Game Pass.
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