Quando Elden Ring foi lançado, em 2022, seria difícil imaginar o jogo rodando de forma satisfatória em um console portátil da Nintendo. Quatro anos depois, o Nintendo Switch 2 consegue entregar exatamente isso, e o resultado impressiona ainda mais quando levamos em consideração o tamanho e a exigência técnica do jogo.
Elden Ring: Tarnished Edition chega ao console com o jogo completo e a expansão Shadow of the Erdtree, mas o grande atrativo desta versão está em outro lugar. Pela primeira vez, podemos levar a experiência da FromSoftware para qualquer lugar sem precisar recorrer a um PC portátil.
O resultado está longe de ser perfeito, mas mostra que o Switch 2 consegue lidar com jogos muito mais exigentes do que aquilo que vimos na geração anterior.
Um port que impressiona no Switch 2
A primeira coisa que chama atenção é a qualidade da imagem. Elden Ring apresenta uma imagem bastante nítida no Switch 2, tanto no modo portátil quanto conectado à TV. Existem reduções em relação às versões mais potentes, principalmente na quantidade de vegetação, distância de renderização e nível de detalhes de alguns elementos do cenário.

Essas mudanças ficam mais perceptíveis quando colocamos as versões lado a lado. Durante uma partida normal, elas não chegam a incomodar. Algumas texturas também apresentam qualidade inferior e existe um pouco de instabilidade em determinados elementos do cenário, principalmente em objetos mais distantes. Ainda assim, considerando o hardware em que o jogo está rodando, o resultado visual é bastante competente.
Os personagens continuam apresentando bons modelos e texturas, enquanto os equipamentos preservam detalhes que ajudam a manter a qualidade visual. O mesmo acontece com os inimigos e com boa parte dos cenários. A iluminação e as sombras também conseguem entregar um resultado satisfatório, com reflexos presentes na água e uma quantidade de detalhes que ajuda a manter a identidade visual de Elden Ring.
O maior problema visual acaba ficando na distância de renderização. Em determinados momentos, principalmente quando estamos nos movimentando rapidamente pelo mundo, é possível perceber elementos surgindo ou aumentando de qualidade conforme nos aproximamos. Não chega a destruir a experiência, mas é uma das concessões mais claras feitas pelo port.
30 FPS é suficiente?
Elden Ring: Tarnished Edition trabalha com uma meta de 30 FPS no Switch 2. Isso pode parecer pouco quando lembramos que outras versões conseguem chegar aos 60 FPS, mas existe uma particularidade interessante nesta edição: a taxa de quadros não está completamente travada nos 30 FPS.
Em áreas mais leves, o jogo pode ultrapassar essa marca e chegar aos 40 e até aos 50 quadros por segundo. Durante a maior parte do tempo, porém, a experiência permanece próxima dos 30 FPS. Existem algumas quedas, principalmente durante momentos mais pesados no mundo aberto ou em confrontos contra inimigos de grande porte. No modo TV, essas variações podem ser percebidas com mais facilidade.

No modo portátil, a situação é melhor. A tela do Switch 2 conta com taxa de atualização variável, o que ajuda a esconder algumas inconsistências na apresentação da imagem. Dessa forma, mesmo quando o desempenho não está perfeitamente estável, a sensação durante a partida continua boa. Elden Ring consegue manter uma experiência bastante consistente na maior parte do tempo, mesmo com algumas oscilações.
O modo portátil é o grande destaque
É aqui que Elden Ring: Tarnished Edition mais me surpreendeu. Estamos falando de um dos maiores jogos da geração rodando de forma nativa em um console que pode ser levado para qualquer lugar. E não é uma versão simplificada ou baseada em streaming, você simplesmente coloca o jogo para rodar no Switch 2 e continua sua aventura no portátil.

A qualidade da imagem também se beneficia do tamanho reduzido da tela. Algumas das limitações que ficam mais evidentes em uma televisão acabam passando despercebidas no modo portátil. O resultado é uma experiência que, visualmente, consegue impressionar mesmo com os cortes necessários para fazer o jogo funcionar no hardware.
Existe ainda a questão do consumo de energia. Mesmo sendo um jogo bastante exigente, o Switch 2 consegue rodar Elden Ring com um consumo relativamente baixo para o que está sendo apresentado. Isso torna ainda mais interessante a possibilidade de jogar um título desse porte longe da tomada. É um daqueles casos em que a tecnologia do console acaba chamando mais atenção do que o próprio port.
Os controles funcionam, mas poderiam ser melhores
O Switch 2 não recebe nenhuma adaptação especial nos controles para Elden Ring. Não existe suporte a controles por movimento ou algum recurso específico que aproveite as características do console. A experiência é basicamente aquela que já conhecemos em outras plataformas.
Os Joy-Con dão conta do recado, mas não são a melhor opção para um jogo que exige tanta precisão.Durante sessões mais longas, principalmente em batalhas contra chefes, o formato dos controles pode causar desconforto. O Pro Controller acaba sendo a opção mais confortável para quem pretende jogar durante várias horas.
Também é importante lembrar que jogar a 30 FPS tem um pequeno impacto na resposta dos comandos quando comparado a uma versão rodando a 60 FPS. A diferença não torna os controles ruins, mas pode ser percebida em momentos que exigem movimentos mais precisos.
Elden Ring mostra do que o Switch 2 é capaz
Elden Ring: Tarnished Edition não é a versão tecnicamente mais poderosa do jogo. Quem procura resolução mais alta, 60 FPS constantes e mais detalhes visuais encontrará experiências superiores em outras plataformas.O mérito desta versão está em conseguir entregar uma experiência muito próxima do jogo original em um hardware portátil.
Os cortes existem, a taxa de quadros não chega aos 60 FPS e algumas quedas aparecem em momentos mais exigentes. Ainda assim, o resultado final é melhor do que eu esperava quando pensei pela primeira vez em Elden Ring rodando no Switch 2. O modo portátil, em particular, transforma o port em uma das demonstrações mais interessantes do console até agora.
Não é apenas uma questão de colocar um jogo pesado em um aparelho menor. É conseguir fazer isso mantendo uma imagem bonita, controles responsivos e um desempenho que, na maior parte do tempo, não atrapalha a experiência. Elden Ring: Tarnished Edition mostra que o Switch 2 realmente abriu espaço para uma categoria de jogos que seria difícil imaginar na antiga geração.
Para quem quer jogar Elden Ring especificamente no Switch 2, essa versão entrega o que promete. Não é a melhor versão tecnicamente, mas é uma das maneiras mais interessantes de jogar o RPG da FromSoftware.
Agradecimento a Bandai Namco por nos fornecer uma cópia para review.
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