Review | Onimusha: Way of the Sword tem um dos melhores combates do ano

Onimusha: Way of the Sword resgata uma franquia clássica com um combate preciso, cadenciado e extremamente satisfatório, mesmo que nem todos os aspectos da experiência acompanhem o mesmo nível de qualidade.

Um combate que recompensa a precisão

Fazia tempo que eu não jogava um jogo com um combate de espadas tão satisfatório. Na verdade, talvez desde Sekiro eu não encontrasse algo que me desse essa mesma sensação de precisão a cada golpe. Os dois definitivamente não são iguais, já que Onimusha: Way of the Sword aposta em um ritmo mais cadenciado, mas existe uma característica que aproxima bastante as duas experiências: a quantidade de formas de lidar com os ataques dos inimigos.

No começo, eu demorei para me adaptar a esse ritmo mais lento e entender todas as possibilidades disponíveis. O jogo também começa de maneira bastante fácil, mas a dificuldade aumenta gradativamente conforme ele avança, assim como sua aptidão com o combate também evolui.

Durante os diferentes tipos de ataques inimigos, você tem à disposição diferentes formas de resposta, que se encaixam melhor em situações específicas. Esquivas funcionam melhor para ataques desarmados e golpes de espada indefensáveis, enquanto o parry te protege de golpes armados comuns. Além disso, não poderia faltar o clássico Issen, mecânica central da franquia, de alto e risco e alta recompensa, que consiste em apertar o botão de ataque no momento em que você estiver sendo atacado para, assim, realizar um contra-ataque extremamente satisfatório que mata a maioria dos inimigos comuns instantaneamente.

A junção de todos esses elementos transforma o looping de gameplay em uma bomba de dopamina. Cada confronto exige atenção e conhecimento dos padrões dos inimigos, enquanto dominar os diferentes recursos transforma a defesa em uma oportunidade para atacar.

Protagonista de Onimusha: Way of the Sword
Miyamoto Musashi | Captura por: Herbert William

Uma história simples, mas que cativa

Como alguém que está entrando na franquia pela primeira vez, eu não sabia muito bem o que esperar da história. No fim, gostei bastante do que encontrei, principalmente por causa de Musashi.

O protagonista é extremamente carismático e funciona como um dos grandes pilares da campanha. Acompanhar sua jornada é muito divertido, e o personagem também combina com o ritmo da aventura, que nunca tenta transformar sua história em algo maior do que precisa ser.

A trama é simples, mas funciona justamente por isso. Ela dá espaço para que os personagens tenham importância e permite criar uma conexão com eles sem precisar recorrer a grandes reviravoltas o tempo inteiro. Mesmo com o tom mais simplista, porém, a campanha conta com momentos bem marcantes, com vilões incríveis, personagens secundários que acompanham o carisma de Musashi e alguns trechos legitimamente emocionantes.

Sasaki Ganryu e Miyamoto Musashi, rivais
Sasaki Ganryu e Miyamoto Musashi | Captura por: Herbert William

A Capcom vive um momento absurdo

Também é difícil falar de Onimusha: Way of the Sword sem olhar para o momento que a Capcom está vivendo. O jogo chega depois de Resident Evil Requiem e PRAGMATA, dois lançamentos de 2026 que foram muito bem recebidos e tiveram desempenhos comerciais expressivos. Resident Evil Requiem chegou a 8 milhões de unidades vendidas mais rapidamente do que qualquer outro jogo da franquia, enquanto PRAGMATA ultrapassou 2,5 milhões de cópias até junho. Além disso, também vale mencionar Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection, que apesar de não ter sido um sucesso comercial expressivo, foi muito bem recebido pela crítica, sendo considerado um dos melhores RPG’s do ano.

E Onimusha não parece uma exceção nessa sequência. Antes mesmo do lançamento, o jogo já havia recebido dois prêmios na Gamescom 2026, e agora faz parte de uma sequência de projetos que mostra uma Capcom que parece ter se esquecido como errar. Uma Capcom disposta a apostar em franquias diferentes, novas propriedades e experiências com identidades bem distintas.

Todos os jogos mencionados atendem a gêneros completamente distintos, com ideias completamente diferentes. Resident Evil Requiem trabalha com terror, PRAGMATA aposta em ficção científica e Onimusha volta para o Japão feudal com uma experiência de ação focada em espadas. São propostas completamente diferentes, mas a preocupação em fazer cada jogo encontrar sua própria identidade é a mesma.

Depois de tantos acertos seguidos, Onimusha: Way of the Sword chega como mais uma confirmação desse momento.

Cenário de Onimusha: Way of the Sword
Os visuais em Onimusha: Way of the Sword são belíssimos | Captura por: Herbert William

O conteúdo secundário deixa a desejar

O maior problema de Onimusha: Way of the Sword está na diferença de qualidade entre seu combate e o restante da experiência. Fica muito claro onde a maior parte do orçamento e do esforço foi colocada.

Enquanto as batalhas são excelentes, boa parte do conteúdo secundário parece existir apenas para preencher espaço. As atividades opcionais são pobres tanto em conteúdo quanto em variedade, e dificilmente conseguem despertar a mesma empolgação que existe durante os confrontos da campanha principal.

Grande parte das missões secundárias são de pouca relevância, se resumindo basicamente ir do ponto A ao ponto B e matar inimigos, não trazendo contexto adicional para o mundo ou para a história, além de oferecer alguns itens de upgrade, que esses sim são importantes para a progressão e o end game.

Reutilização de inimigos é um ponto que incomoda

Apesar do combate ser satisfatório — e grande parte do momento não importar quem você está enfrentando — é evidente o quanto o jogo carece de variedade de inimigos, tanto comuns quanto de chefes.

Dohatsu-ten, de Onimusha: Way of the Sword
Dohatsu-ten, inimigo constante em Onimusha: Way of the Sword | Reprodução: Capcom

Chega um momento em que você percebe que já derrotou uma quantidade considerável de Dohatsu-tens e Byakues só na campanha principal, isso sem mencionar os confrontos repetidos das atividades secundárias. Não chega a ser exatamente chato enfrentá-los novamente, porque, novamente, o combate continua bom o bastante para tornar essas lutas divertidas, mas é algo ser pontuado.

Uma dublagem impecável

Como de costume nos grandes lançamentos da Capcom, a localização brasileira também merece destaque. Onimusha: Way of the Sword é o primeiro jogo da franquia a receber dublagem em português do Brasil, e o resultado é excelente. O elenco conta com nomes como César Emílio como Musashi, Bruna Matta como Shizuka Gozen, Francisco Júnior como Ono no Takamura, Tati Keplmair como Izumo no Okuni, Yuri Chesman como Sasaki Ganryu, Fábio Moura como Yoshitsune e Raquel Marinho como Dokyo. A direção da dublagem ficou por conta de Marcelo Figueiredo, com trabalho realizado pelo RoundTable Studio.

Mais do que simplesmente colocar vozes em português, o elenco consegue acompanhar muito bem a personalidade de cada personagem. César Emílio é um dos grandes destaques como Musashi, principalmente por conseguir transmitir tanto o lado brincalhão quanto os momentos mais sérios do protagonista. As interpretações também ajudam a dar mais força às cenas de humor e aos diálogos durante a o jogo.

A qualidade é ainda mais perceptível porque Onimusha: Way of the Sword possui uma apresentação bastante cinematográfica, com expressões faciais muito bem trabalhadas. As vozes precisam acompanhar cenas de ação, momentos dramáticos e as constantes provocações entre Musashi e seus adversários. Felizmente, a dublagem nunca parece deslocada e contribui diretamente para a imersão. Eu como uma pessoa que raramente joga jogos diblados em português, saio extremamente satisfeito e sinto que não perdi nada.

Sasaki Ganryu, um dos vilões
Yuri Chesman entregou um trabalho impecável como Sasaki Ganryu | Divulgação: Capcom

Um dos melhores jogos do ano

Onimusha: Way of the Sword não é perfeito. Seu conteúdo secundário é fraco, a variedade de inimigos e chefes poderia ser maior e a reutilização de alguns confrontos acaba evidenciando as limitações do jogo e onde a grande maioria do orçamento foi investido.

Mas nada disso muda o fato de que seu combate é excelente e facilmente figura entre os melhores do gênero. Depois que você entende sua cadência e começa a dominar os parries, counters e Issens, fica difícil não querer continuar jogando. Depois que a dificuldade atinge o seu pico, o jogo entrega – sem exagero – algumas das melhores lutas contra chefes da geração, que podem ser repetidas quantas vezes você quiser através do sistema de revanche no templo Rokudo Chinno-ji.

No fim, Onimusha: Way of the Sword sabe exatamente onde está sua maior força e constrói toda a experiência ao redor dela. Musashi é um protagonista carismático, a história funciona muito bem, mesmo com suas simplicidades e conveniências, a dublagem brasileira é excelente e o combate é bom o bastante para sustentar até os momentos mais entediantes de repetição constante.

É um jogo indispensável para quem gosta de ação e, com certeza, um dos melhores jogos do ano de 2026.

Onimusha: Way of the Sword está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2.

Análise realizada através da versão de PlayStation 5.

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Apenas mais um entusiasta de jogos eletrônicos, apaixonado por explorar novos mundos que me ajudam a compreender melhor o mundo que eu vivo. Também estudante de psicologia e um amor de pessoa nas horas vagas.