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Review | The Relic: First Guardian tem um bom combate escondido em meio a problemas demais

The Relic: First Guardian é daqueles jogos que deixam uma impressão complicada. Desenvolvido pela sul-coreana Project Cloud Games, o RPG de ação aposta em fantasia sombria inspirada em mitologia coreana e bebe claramente da fórmula dos soulslikes, mas tenta construir sua própria identidade com um sistema de equipamentos bastante particular, um mundo aberto e uma quantidade impressionante de chefes.

A premissa nos leva a Arsiltus, um mundo que foi devastado após a destruição da Grande Relíquia. Com o surgimento do Vazio, a região é tomada por criaturas chamadas Brutals, e cabe ao Primeiro Guardião recuperar os fragmentos da relíquia destruída e tentar impedir que essa ameaça consuma o que restou daquele mundo.

É uma proposta que chama atenção, principalmente para quem gosta de jogos como Dark Souls e Elden Ring. O problema é que The Relic: First Guardian frequentemente parece maior do que consegue sustentar. Há boas ideias aqui, algumas delas realmente interessantes, mas elas convivem com problemas técnicos, repetição e decisões de design que tornam a experiência bastante irregular.

Um combate que sabe ser divertido

O combate é, provavelmente, o maior motivo para continuar jogando. A fórmula é familiar para quem já está acostumado aos soulslikes: ataques leves e pesados, esquivas, defesa, parry e habilidades especiais. Mas existe uma boa sensação de impacto nos golpes, e trocar de equipamento realmente modifica a maneira como o personagem se comporta em batalha.

É especialmente interessante perceber como o jogo tenta fazer com que o equipamento seja parte da progressão. Em vez de depender apenas de um sistema tradicional de níveis, boa parte do desenvolvimento do personagem acontece por meio das armas, armaduras e Relics encontradas durante a aventura. A própria desenvolvedora destaca mais de 70 efeitos passivos diferentes capazes de modificar habilidades e ritmo de combate.

Isso abre espaço para experimentar diferentes builds sem transformar a tela de inventário em uma sucessão interminável de números. Você pode adaptar seu personagem de acordo com o equipamento encontrado e escolher quais efeitos combinam melhor com seu estilo.

O sistema de habilidades das armas também ajuda. Cada tipo de arma possui sua própria árvore, permitindo investir em habilidades e passivas específicas.

O combate, entretanto, não é perfeito. A câmera pode atrapalhar em determinados confrontos e alguns inimigos são extremamente agressivos. Há também batalhas contra chefes que parecem muito mais trabalhosas do que deveriam, especialmente quando determinados problemas de animação ou comportamento entram em cena. 

Um mundo “aberto” que nem sempre recompensa a exploração

A estrutura também merece atenção. Diferentemente de muitos soulslikes mais lineares, o jogo aposta em um mundo semi-aberto relativamente amplo. É possível sair do caminho principal, encontrar regiões diferentes, procurar equipamentos e descobrir histórias secundárias enquanto explora Arsiltus.

Essa liberdade funciona melhor quando o jogo simplesmente deixa o jogador seguir sua curiosidade. Existem áreas escondidas e recompensas que fazem você querer sair da rota principal. O problema é que o tamanho do mapa nem sempre significa variedade.

Há uma quantidade considerável de repetição visual e de inimigos, algo que acaba diminuindo a sensação de descoberta conforme avançamos. O mundo é grande, mas pouco interessante na maioria das vezes.

Ainda assim, existe um resquício de satisfação em simplesmente sair andando e descobrir o que existe depois da próxima região. É uma exploração mais direta do que a de Elden Ring, por exemplo, e isso pode ser positivo para quem prefere não ficar completamente perdido em um mapa gigantesco.

Mais de 80 chefes, mas quantidade não é tudo

Um dos maiores chamarizes de The Relic: First Guardian é sua quantidade de chefes. O jogo apresenta mais de 80 confrontos contra chefes, número que impressiona no papel.

Existem batalhas que realmente funcionam. Alguns confrontos exigem atenção aos padrões dos inimigos, uso adequado das esquivas e domínio das habilidades disponíveis. Quando todos esses elementos se encaixam, é possível entender por que a quantidade de chefes é apresentada como uma das principais características do jogo.

O problema é justamente a frequência. Colocar dezenas de chefes em uma única aventura cria uma dificuldade adicional: nem todos conseguem manter o mesmo nível de qualidade. Há encontros memoráveis, mas também inimigos que parecem variações de confrontos anteriores ou que dependem mais de resistência do que de uma batalha realmente interessante.

Uma progressão que foge do tradicional

Se existe uma característica que diferencia o game, é a maneira como o jogo trabalha sua progressão. Não existe simplesmente aquela estrutura de derrotar inimigos, acumular experiência e distribuir pontos de atributo para ficar mais forte. O equipamento possui um peso muito maior na evolução do personagem, enquanto as Relics oferecem modificadores capazes de alterar consideravelmente a forma como determinadas builds funcionam.

Isso torna a busca por novos equipamentos mais interessante. Encontrar uma arma não significa apenas verificar se ela causa mais dano. É preciso pensar em como aquela peça se encaixa na build que você está montando. Uma Relic com determinado efeito pode fazer uma habilidade pouco interessante anteriormente se tornar uma parte importante da sua estratégia.

É um sistema que incentiva a experimentação e consegue evitar um pouco daquela sensação de inventário lotado de equipamentos que só existem para serem vendidos.

A história demora para engrenar

Narrativamente, o jogo é provavelmente menos interessante do que sua ambientação faz parecer. A história começa de maneira misteriosa, com o protagonista despertando e descobrindo aos poucos o que aconteceu com Arsiltus. A relação entre o Guardião e Elisa serve como um dos pontos centrais da narrativa, mas muitas informações sobre o mundo são entregues de maneira fragmentada durante a exploração.

Existe uma boa ideia por trás disso. O mundo destruído desperta curiosidade e há histórias de habitantes e acontecimentos passados que ajudam a construir a sensação de que existe algo maior acontecendo.

O problema está na execução. O texto e a atuação vocal não conseguem acompanhar a qualidade da proposta. Isso torna tudo muito sem graça e não dá vontade de conhecer mais sobre o mundo.

Um jogo que parece precisar de mais polimento

Visualmente, The Relic: First Guardian também apresenta resultados bastante irregulares. Existem cenários interessantes e uma direção artística que consegue criar uma atmosfera de fantasia sombria coerente com a proposta, mas muito cinza e sem graça em vários momentos. A influência da mitologia coreana ajuda a diferenciar o jogo de outros soulslikes que frequentemente acabam presos em uma estética medieval europeia.

Mas o aspecto técnico deixa bastante a desejar. Problemas de animação, modelos de NPCs, câmera e desempenho são os principais problemas. Em especial, há uma sensação de que alguns elementos pertencem a uma geração anterior de jogos, algo que acaba contrastando com a ambição do mundo.

Vale a pena?

The Relic: First Guardian é um jogo difícil de recomendar. Existe um bom RPG de ação escondido aqui. O combate é divertido, o sistema de equipamentos é interessante, a liberdade de montar builds funciona e explorar Arsiltus pode proporcionar bons momentos de vez em quando. 

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar os problemas técnicos, a câmera problemática, a repetição de inimigos e ambientes, a qualidade irregular dos chefes e uma narrativa que não consegue aproveitar completamente o potencial daquele universo. 

The Relic: First Guardian está disponível para Playstation 5, Xbox series X/S, PC e será lançado para Nintendo Switch 2 dia 9 de outubro.

Essa análise foi produzida no PlayStation 5 graças ao envio de um código pela Project Cloud Games

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