Crítica - Resistência é um filme lindo por fora, mas vazio por dentro

Ideias de franquias originais dentro do cinema parecem cada vez mais restritas aos longas de terror ou as produções independentes de baixo orçamento. Os grandes estúdios seguem dando murro em ponta de faca com as adaptações de histórias em quadrinhos e neste ano, após os sucessos de “Super Mario Bros. O Filme” e “Barbie” nas bilheterias, agora o mercado olha com mais carinho para transposição na telonas de games e brinquedos infantis.

Até por isso, Resistência (The Creator), filme dirigido por Gareth Edwards (“Rogue One: Uma história de Star Wars”) que escreveu o roteiro em conjunto com Chris Weitz, parece uma anomalia em 2023.

Afinal, o longa estrelado por John David Washington (“Infiltrado na Klan”) é uma ficção científica que se passa em um futuro distante, em meio a um planeta tomado por uma intensa guerra entre seres humanos e Inteligência Artificial (IA). Tudo isso num universo instigamente e coeso e sem fazer parte de nenhuma franquia.

Resistência tem visuais deslumbrantes, com efeitos de computação gráfica de fazer o queixo cair que são jogados na tela para deleite do espectador logo nos primeiros segundos de projeção, quando somos apresentados a um cenário pós-apocalíptico mais atual do que nunca.

Resistência contra quem?

A trama acontece em um futuro alternativo em que as IAs avançaram a níveis impressionantes, permitindo, por exemplo, que humanos transferissem sua consciência para corpos artificiais após a morte, fazendo com que essas máquinas adentrassem de vez na sociedade.

Porém, após uma IAs supostamente lançarem uma bomba nuclear contra Los Angeles, o Ocidente declara uma guerra sem precedentes contra essas máquinas sencientes. No entanto, o Oriente não embarca nessa empreitada e segue aceitando que humanos e máquinas convivam em harmonia.

Diante dessa nova configuração sociopolítica, o governo dos Estados Unidos (EUA) investe trilhões para construir uma máquina capaz de exterminar o grande criador por trás dessas inteligências artificias. Mas, para isso, eles precisam encontrá-lo primeiro.

Lindo por fora, vazio por dentro

Eis que chego no título desta crítica, e é com pesar que com tanto carinho na construção visual de um universo fantástico, que a narrativa de Resistência é tão raso nas discussões que se propõe. Há uma intenção de crítica ao EUA e como a nação toma narrativas nas guerras modernas, a xenofobia e divisão de classes. No entanto, o texto de Edwards e Weitz não consegue amarrar todas essas ideias ao se prender numa estrutura sem de aventura misturada com road movie bastante genérica, lembrando os longas mais sem graça (Elysium e Chapie) de Neill Blomkamp. O sentimento é de potencial desperdiçado.

Até mesmo o fato de John David Washington ser o protagonista diz sobre esse sentimento. Mesmo entregando um trabalho descente, o ator não possui carisma ou se destaca. Algo que se passa em todo longa. Fora a beleza estética, não há um grande diálogo, um momento emocionante ou grande cena de ação. Uma pena, o que poderia ser um longa memorável, se torna algo comum.

Conclusão

Mais uma vez, Edwards consegue criar um cenário interessante e cheio de significados, mas diferente do que acontece em Rouge One, o cineasta destrói tudo que contruiu da forma mais “hollywoodiana” possível. Os fãs de ficção científica e ação não terão do que reclamar, mas quem esperava um filme mais politizado pode se decepcionar com o desfecho. Que o futuro (dele e da Terra) seja melhor do que Resistência.

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