Chegamos ao penúltimo episódio da 2ª temporada de Ruptura, “Depois do Expediente”. E, diferente de seus antecessores, aos quais era possível se deleitar vagarosamente nos detalhes, a ponto de quase compreendê-los em cena, esse episódio chegou com uma urgência escancarada, sendo quase capaz de nos fazer ouvir e visualizar um grande relógio contando o tempo que falta até a “bomba explodir”.
Não considero que Depois do Expediente tenha sido uma preparação para o grand finale, afinal, essa preparação já vem sendo feita desde o primeiro episódio. Ele soou mais como um fechamento de pontas soltas, para evitar questionamentos após o próximo episódio. No entanto, acabou tendo um efeito reverso, já que muito mais “porquês” entraram para nossa lista infinita de perguntas.
O eterno ciclo de exploração
Uma das primeiras perguntas a serem “respondidas” foi por que Eustice Huang (Sarah Bock), uma criança, estava trabalhando na Lumon. A questão já havia sido parcialmente esclarecida no episódio anterior, quando fomos apresentados a um pouco da infância de Cobel (Patricia Arquette), mas foi visualmente conectada a esse episódio quando Milchick (Tramell Tillman) se despede de Huang e informa que sua Bolsa de Estudos Wintertide chegou ao fim, e que ela será transferida para o Centro de Empatia Gunnel Eagan. Huang é a versão contemporânea de Cobel, mostrando que o trabalho infantil praticado pela Lumon desde os primórdios ainda perdura.
Enquanto isso, após Helena (Britt Lower) informar ao seu pai, durante um café da manhã indigesto, que estão lidando com o Sr. Bailiff (John Turturro), Burt (Christopher Walken) aparece suspeitosamente na casa de Irving para levá-lo a um passeio. O fato de ele ter entrado na residência de Irving e a conversa dos dois no caminho sugerem que Burt ainda trabalha para a Lumon, na mesma antiga função que ele descreveu durante o passeio, antes de passar pela Ruptura: apenas levar pessoas a determinados lugares, sem saber o que de fato ocorrerá com elas.
Aqui tentam humanizar Burt, que decide levar Irving à estação e convencê-lo a ir embora. Sei que suas intenções são “bondosas”, mas se ele realmente não sabia o que acontecia com as pessoas e tinha um pressentimento de que era algo ruim, por que simplesmente não se demitiu?



Rupturas e alianças
O plot traição-não-traição de Dylan (Zach Cherry) desmoronou. Gretchen (Merritt Wever) decidiu contar ao outtie de Dylan que as visitas ficaram mais intensas do que o esperado, e sua reação não foi nem um pouco amigável. O innie de Dylan ficou devastado com a situação, a ponto de se declarar de joelhos a Gretchen , que por um momento quase cedeu. A história que, estranhamente, vinha sendo construída acabou ali (aparentemente?).
Enquanto relacionamentos se encerraram para Dylan, alianças se formaram entre Cobel, Mark (Adam Scott) e Devon (Jen Tullock). O trio desarmonioso seguiu com os planos para a reintegração de Mark, que aparentemente não teve progresso desde o último episódio. Após passarem o dia no meio do nada, aguardando escurecer, eles seguiram para uma cabana, que funciona basicamente como as salas em que Gemma entrava, para trazer o innie de Mark à superfície.
O sumiço repentino de Mark estragou os planos da Lumon, que aguardava ansiosamente a finalização do arquivo Cold Harbor. Claramente, alguém teria que ser responsabilizado pela situação, e por que não o elo mais “fraco”? Milchick estava ali, pronto para ser severamente punido, quando se impôs. A cena gerou um tom cômico inesperado, mas perfeitamente encaixado.



Assim como o penúltimo episódio da primeira temporada, Depois do expediente nos deixou com a sensação de que o episódio final precisa ter pelo menos umas duas horas de duração. Afinal, queremos respostas.
Mas, apesar disso, esse episódio deixou muita história a ser desenvolvida em uma terceira temporada que, até onde sabemos, é possível, mas ainda não foi confirmada oficialmente.
Leia as críticas dos episódios anteriores:
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