Directive 8020 review
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Review | Directive 8020: A humanidade é a principal ameaça

Entre altos e baixos, a Supermassive Games se consolidou nos jogos de narrativa interativa, logo após um legado deixado pela Quantic Dream. Com o sucesso de Until Dawn, o estúdio investiu fortemente em títulos do mesmo segmento, principalmente com a antologia The Dark Pictures.

E falando na antologia, a Supermassive retorna mais uma vez, mas agora com uma narrativa no espaço e que promete ser muito mais do que foi construído até aqui pelo estúdio. Trata-se de Directive 8020, o novo jogo da série, mas que toma uma postura mais discreta quanto a fazer parte da The Dark Pictures.

Tau Ceti F é a esperança para a humanidade

O ano é 2061, a vida humana está em risco, mas a luz no fim do túnel surge quando a empresa Corinth, liderada pelo bilionário LaMarcus Williams financia uma exploração interplanetária em busca de um novo lar.

A Partir daí a trama de Directive 8020 gira em torno da tripulação da nave Cassiopeia, enviada em uma missão de reconhecimento do planeta Tau Ceti F. Planeta este que cientistas esperam ter recursos suficientes para a humanidade se restabelecer após a Terra entrar em colapso iminente.

Inicialmente no controle de Pari Simms e Tomas Carter, ambos técnicos de sono, a nave sofre um dano atingida por um meteorito. Porém o que parecia ser apenas um destroço espacial comum, desencadeia em uma forma de vida desconhecida como um novo tripulante da nave, o que coloca todos em perigo.

Com tudo isso, a história se desenrola em um total de 8 episódios, seguindo a estrutura dos outros jogos da Supermassive. Porém, diferente dos outros jogos da série The Dark Pictures, Directive 8020 é mais longo, levando em torno de 6 a 7 horas para ser finalizado.

Para aqueles que gostam de filmes, logo de cara vê referências em títulos como Alien, ou O Enigma de Outro Mundo (The Thing) de 1982. Mas isso não salva a narrativa de momentos clichês e previsíveis, que pra mim continua sendo o maior problema dos jogos da Supermassive Games.

A melhor jogabilidade da série

Desde Until Dawn já joguei todos os títulos de narração interativa da Supermassive Games, e Directive 8020 é de longe o que mais senti uma evolução na jogabilidade. Isso porque o jogo traz uma melhoria na movimentação dos personagens, que em outros jogos é extremamente travada.

Além disso, o jogo implementa muitos momentos onde é necessário ser furtivo para avançar. E caso seja pego, pode resultar em morte permanente do personagem controlado. Mas particularmente o que me incomodou foram os excessos dessa obrigação da furtividade, fazendo com que seja até repetitivo.

Já nas escolhas e consequências, o estúdio apostou no modelo que trouxe em The Casting of Frank Stone, onde há uma boa quantidade de ramificações para suas escolhas. Porém, na reta final senti falta de ter mais possibilidades de finais diferentes, o que é uma pena devido ao potencial narrativo.

Directive 8020 possui três modos de dificuldade e além disso, a novidade agora é o estilo de jogo: Explorador ou Sobrevivente. No Sobrevivente as suas escolhas serão permanentes e não poderá voltar atrás, enquanto o Explorador permite voltar logo em sequência a um momento decisivo e escolher outro caminho, por exemplo.

Os momentos decisivos são destacados em vermelho antes da tomada de decisão. Essas são escolhas que moldam o desenrolar da sua narrativa, podendo levar a diferentes caminhos, seja bom ou ruim.

Diálogos afetam caráter do personagem

A mecânica que já vem recorrente em jogos da Supermassive é a interação de diálogos, e como você responde outro personagem, podem moldar o caráter. Por exemplo, reagir com solidariedade levará o personagem a ter mais compreensão ao que acontece ao redor. Cada personagem possui duas vertentes morais que podem ser maximizadas.

Outra mecânica é a interação entre os tripulantes por meio de mensagens, o que cria também situações que podem fazer diferença em um momento de decisão a ser tomada. Como um diálogo prévio por mensagem pode ser explorado no decorrer da narrativa.

Negativamente senti que a quantidade de personagens jogáveis e que fazem parte diretamente da trama, fez com que muitos deles fossem meros coadjuvantes esquecidos. O que faz com que o sentimento de estarem vivos ou não seja irrelevante, por falta de afinidade.

Direção de som e trilha sonora boa, mas gráficos elevam os patamares

Primeiro quero começar pela trilha sonora, já que ela é boa – destaque para as faixas ao final dos episódios – e também cria momentos de tensão adequados. Directive 8020 não tem combate, então as faixas conseguem deixar tensão elevada, mas também surpreender em momentos de susto.

Na parte da direção de som o trabalho é muito bem feito, principalmente jogando com headsets. A ambientação criada com sons dos seres alienígenas, assim como em momentos de exploração com ruídos pela nave, criam toda uma atmosfera inesperada.

Já graficamente falando, Directive 8020 entrega os melhores gráficos dos jogos desenvolvidos pela Supermassive com boa vantagem. O detalhe das expressões faciais durante os diálogos soam de forma natural e não tão robótico e artificial como em jogos anteriores.

Em contrapartida, um problema que ainda me incomoda são os cortes bruscos entre cenas, menos visíveis, mas ainda recorrentes. A impressão é que o trabalho de edição final após a captura de movimento dos atores é feito às pressas.

Felizmente, mesmo jogando cerca de uma semana antes do lançamento oficial não tive bugs, mostrando um ótimo trabalho na parte de otimização. E isso reflete também no desempenho, que mesmo testando nos dois modos presentes – desempenho e qualidade – o jogo corre perfeitamente bem.

Directive 8020 marca uma virada de página

Depois de uma onda de mais baixos do que altos para a Supermassive Games, Directive 8020 vem para servir como uma virada de página ao estúdio. O jogo consegue evoluir muito na jogabilidade em relação a Man of Medan – primeiro da série –, mesmo que pequenos problemas ainda causem incômodo.

Apesar de uma boa narrativa e ter gostado de como foi conduzido, o título ainda me faz questionar porque ter escolhas quando elas pouco mudam o desfecho final. Além de tantos personagens jogáveis quando metade deles são apenas meros bonecos descartáveis.

Outras reviews:

Amante de Games desde criança e viciado em caçar platinas. Profissional de TI nas horas vagas. Você me encontra no X: @gennerdouglas