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Review | Pragmata entrega uma ótima relação entre pai e filha

Em 2020, Pragmata foi apresentado ao mundo durante um dos primeiros eventos focados no PlayStation 5. Desde então, o jogo virou um mistério, a ponto de muita gente questionar se ele realmente existia. Depois de vários adiamentos e seis anos desde o anúncio, ele finalmente reapareceu e entregou uma das surpresas mais interessantes de 2026.

A grande estrela aqui é a Diana. Ela chama atenção em praticamente todos os momentos em que entra em cena, seja durante os combates ou até nos momentos mais tranquilos no abrigo. O carisma dela, somado à inocência de uma criança que ainda está descobrindo o mundo, cria uma conexão imediata. É fácil se apegar, como se aquela relação tivesse um peso quase parental.

Show de fofura e habilidades impressionantes

Só que ela não se destaca apenas pela personalidade. No gameplay, Diana é peça central. É por meio dela que o sistema de hackeamento acontece, algo obrigatório para avançar, já que sem isso derrotar inimigos se torna inviável. A mecânica funciona de forma direta: você mira no alvo e resolve um tipo de labirinto até chegar ao ponto final, marcado por um símbolo que lembra o botão de ligar e desligar de eletrônicos.

Durante esses percursos, surgem modificadores que ampliam as possibilidades. Alguns aumentam o dano do hacking, enquanto outros adicionam camadas estratégicas, como paralisar temporariamente o inimigo ou reduzir sua defesa. Ao longo da campanha, Diana também libera novas habilidades voltadas à interação com o cenário e ganha um ataque especial que imobiliza e causa dano em área. Esse golpe depende da barra de energia cheia e funciona muito bem quando o jogo coloca vários inimigos ao mesmo tempo na tela.

Do outro lado, Hugh traz uma jogabilidade mais tradicional. Ele pode carregar até quatro armas, sendo uma com munição infinita que exige um tempo de recarga, enquanto as demais são encontradas pelos cenários ou preparadas no abrigo antes das missões. Além disso, os propulsores ampliam a mobilidade, permitindo esquivas rápidas e o alcance de plataformas mais distantes.

A progressão acontece por meio de um recurso coletável chamado filamento. Esse material é usado no abrigo para imprimir novas armas e habilidades. Conforme o arsenal cresce, é possível investir em melhorias como aumento de dano, capacidade de munição e cadência de tiro. O mesmo vale para os sistemas de hacker da Diana, que também evoluem com o tempo.

Ainda dentro do abrigo, o robô Cabin introduz um sistema curioso que lembra uma cartela de bingo. Cada espaço desbloqueado custa uma moeda específica e concede recompensas variadas, como habilidades, trajes ou documentos. Ao completar uma linha, o jogo entrega um item especial. Algumas áreas da cartela começam bloqueadas e exigem missões específicas para serem liberadas, acessadas por meio de disquetes vermelhos espalhados pelo jogo.

O Cabin também oferece desafios de treinamento. Cada atividade possui três objetivos e, a cada meta concluída, o jogador recebe moedas para investir na cartela. Isso cria um ciclo constante entre combate, progressão e recompensas, sem quebrar o ritmo da campanha.

Acessível e bem balanceado

A dificuldade dos inimigos se mantém equilibrada na maior parte do tempo, aumentando conforme o avanço. Em muitos momentos, o que pesa não é necessariamente a força dos adversários, mas o espaço limitado dos cenários. Quando o ambiente aperta e a quantidade de inimigos cresce, a pressão aumenta e exige mais precisão nas ações.

Já nas lutas contra chefes, o equilíbrio oscila. A maioria dos confrontos acaba sendo mais simples do que o esperado, bastando entender os padrões de ataque e aplicar o hacking correto nos momentos certos.

A campanha levou entre 13 e 14 horas para ser concluída, com alguns picos de dificuldade em desafios específicos, principalmente envolvendo inimigos invisíveis que atacam de surpresa.

Após o final, o jogo libera dois modos extras. A dificuldade Lunática eleva bastante a agressividade dos inimigos e exige começar do zero, sem levar melhorias da campanha. Já o modo Sinal Desconhecido foca em desafios mais intensos, lembrando os treinamentos, mas com uma exigência maior.

Vale a pena?

No fim, Pragmata se firma como uma surpresa muito bem-vinda. Ele carrega uma estrutura linear que remete à geração do PlayStation 3 e Xbox 360, com foco em narrativa e progressão direta. A história pode não ser memorável em todos os pontos, porém a relação entre Hugh e Diana sustenta a experiência e cria um vínculo forte ao longo da jornada.

O combate se destaca pela proposta diferente do que vem sendo visto nos últimos anos. Mesmo com uma base que parece complexa no início, tudo flui melhor conforme o jogador se adapta, a ponto de dar vontade de explorar o sistema de hackeamento além do necessário.

No geral, é um jogo que vale a experiência. Ele entrega momentos leves nas interações entre os protagonistas e mantém um ritmo dinâmico no gameplay, conseguindo equilibrar ação e construção de personagem de forma consistente.

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