Desde que começaram a sair rumores, e logo depois a confirmação de que um remake para o clássico Persona 3 de PS2 estava em produção, meus olhos brilharam, pois finalmente eu poderia jogar e conhecer o jogo que deu a identidade que a franquia tem hoje. Mas não só isso, a franquia abriu portas para que novos jogadores possam conhecer e entrar de cara em uma das maiores franquias de JRPG já feitas. 

É claro, Persona 3 não é o primeiro jogo da franquia, mas foi com o terceiro jogo que este Spin-off de Shin Megami Tensei tomou a forma que tem atualmente, e se reinventa a cada novo título. Apesar de ser um relançamento, Persona 3 Reload mantém o que agradou a tantos em 2006, trazendo novidades não só de seus jogos subsequentes, mas também conteúdo exclusivo para o título. 

De cara nova

Persona 3 Reload é um remake da primeira versão lançada lá no PS2, ou seja, todo conteúdo extra de Persona 3 FES, e de Persona 3 Portable, não estão presentes no relançamento, pelo menos por enquanto. É de se esperar que futuramente a Atlus lance uma versão definitiva com todo este conteúdo ausente, assim como foi com Persona 4 Golden e Persona 5 Royal, porém, como o conteúdo nas outras versões se trata de um extra, não afeta na experiência final de quem for jogá-lo. 

Persona 3 Reload é lindo visualmente, a repaginação gráfica fez muito bem para o jogo, deixando muito mais imersivo e profundo, se assemelhando muito ao que temos em Persona 5, porém mais caprichado, com mais efeitos visuais, luz e sombra. Teve algumas falhas em texturas em um ambiente ou outro, mas foi algo raro, acredito que com um update possa ser corrigido. Aliás, a versão fornecida foi a de PC, onde a mesma se encontra bem otimizada, porém com poucas opções de personalização gráfica. 

Novidade para os fãs brasileiros! 

Também como novidade na franquia, pela primeira vez temos um jogo localizado com legendas PT-BR, possui alguns erros de concordância aqui e ali, mas nada que afete a experiência, mais uma vez é algo que pode ser corrigido com um update. As dublagens em inglês e japonês estão muito bem-feitas e ambas combinam muito bem com seus personagens, assim como já era em Persona 5. Essa novidade é de extrema importância, não só para atrair e incluir novos jogadores na franquia, mas também para mostrar que nós brasileiros estamos cada vez mais ganhando relevância para as empresas de jogos.

Acompanhado disso temos a trilha sonora, e como de costume na franquia as músicas e trilhas são maravilhosas, seja do Jazz calmo até o Rock mais pesado em algumas batalhas, todas se encaixam muito bem e servem de acompanhamento para tudo que acontece na tela. 

Da emoção à diversão 

A história começa com nosso protagonista se mudando de sua cidade natal e sendo admitido na nova escola Gekkoukan, recebido pela representante de classe Mitsuru Kirijo, a mesma nos apresenta também o dormitório Iwatodai, onde iremos passar boa parte do tempo e onde conheceremos os futuros colegas que também residem no dormitório. Mais tarde somos apresentados a um fenômeno chamado de “Hora Sombria”, onde pessoas normais são transformadas em caixões e somente usuários de persona conseguem permanecer conscientes. 

Nossa jornada será dividida entre transitar na torre “Tártaro” durante a Hora Sombria, que se passa todos os dias a meia-noite, lutando contra sombras enquanto subimos os andares, e de dia tendo uma vida de um adolescente indo para a escola interagindo e criando relação com colegas, pessoas na cidade, trabalhando meio período e algumas outras atividades. 

Os personagens são interessantes, a relação do nosso personagem com os mesmos é divertida de ver e acompanhar, as interações e diálogos conseguem passar no momento certo diversão, receio, ansiedade, todo tipo de emoção. A legenda em português ajuda a não perdermos nenhuma dessas interações e ficar por dentro de toda a história, já que os diálogos são muitos, o que é padrão na franquia. Temos também adições de dublagem para personagens e interações que antes só se tinha texto, o que é uma ótima novidade em para Persona 3 Reload. Agora também é possível aceitar ou rejeitar a declaração de amor daquelas personagens que é possível ter tal relação, podendo assim o personagem ter o máximo do Social Link sem precisar ter um Harém de mulheres.  

Outra novidade são as cenas de anime que foram substituídas por cenas feitas na engine do próprio jogo, aumentando assim a imersão na transição de cenas, porém as que foram mantidas foram redesenhadas com traço atual do game, não só isso, também temos adição de novas cenas tanto em anime quanto na engine do jogo gerando mais conteúdo para agregar o mesmo. 

Tempo é a chave 

Assim como em outros Personas, precisamos gerenciar o tempo que passamos lutando contra sombras e o tempo que passamos gerando laços e participando de atividades na cidade. Na vida de um adolescente comum, temos atividades para gerenciar Coragem, Intelecto e Charme, atributos esses que são necessários para melhorar as relações com outros personagens, além de eventos que ocorrem durante o ano e também nossas obrigações escolares, é claro. O calendário também está presente, para podermos saber quando tais eventos, provas, e etc. ocorrerão, ou se terão data limite para serem feitas. 

Já na Hora Sombria o que podemos fazer é explorar o Tártaro, que diferente de suas sequências só possui uma Dungeon sendo ela uma torre que vamos explorando a medida que subimos, sendo dividida em alguns blocos com 264 andares no total, onde conforme avançamos, chefes vão sendo colocados para serem enfrentados. Mas o jogo te limita até onde prosseguir, com um andar limítrofe, tendo assim que derrotar um chefe fora da torre durante cada lua cheia para o andar ser liberado e podermos prosseguir. Felizmente a cada certa quantidade de andares alcançados, existem elevadores que facilitam a transição na torre, para que não precisemos subir toda ela novamente, podendo continuar do andar que foi alcançado na última exploração. 

Apesar da grande quantidade de andares e de que cada bloco da torre muda a forma e a aparência de seus andares, o Tártaro acaba ficando repetitivo com o tempo, sendo assim a dungeon menos divertida da franquia, dando mais vontade de explorar o que podemos fazer fora dela como um estudante. Isso se dá por originalmente se tratar de um jogo de 2006, tendo a limitação do console como um empecilho, isso pode incomodar jogadores que acabaram jogando suas sequências antes por exemplo, onde se tem dungeons variadas em todos os aspectos. Mas felizmente o combate, que está bem parecido com o de Persona 5, é a melhor adição para se ter por aqui, incluindo a possibilidade de troca de personagens e a adição da Teurgia, que é um ataque poderoso que cada personagem possui. 

A dificuldade do jogo está padrão como nos outros, a força do personagem vai depender de quão boa for a fusão de personas que foi feita, se investiu nos itens e na estratégia certa, e claro, se descobrir a fraqueza do inimigo. Não é muito desafiador, mas é bem divertido e completo, sendo mais fácil conseguir personas também, já que aqui não podemos conversar com as sombras, ao derrotá-la simplesmente podemos receber uma carta que será adicionada a nossa lista de personas, que assim como nos outros jogos, nossos aliados só possuem uma persona, enquanto podemos ter quantas quisermos, podendo gerencia-las, fazer fusão e etc. na clássica Sala de Veludo. 

Persona 3 Reload Vale a pena? 

Persona 3 Reload é um jogo extremamente divertido, com uma história emocionante e cativante, com temática sensível e profunda, sendo fiel ao jogo clássico, mas com adições relevantes deixando o jogo atual e podendo agradar tanto fãs antigos quanto atrair novos fãs, isso também pela excelente escolha de adicionar legenda em PT-BR

Tem o fato de deixar conteúdo de fora das edições FES e Portable, dando a margem para lançarem como conteúdo extra depois (ou não), mas não é algo que afete a experiência final, também tem alguns erros de textura em baixa resolução e alguns erros na tradução, mas como foi dito, podem corrigir com update. 

Dito tudo isso, Persona 3 Reload é sim a versão definitiva para fãs que já conhecem a franquia e querem reviver um clássico, servindo de porta de entrada também para um novo público que possa querer experimentar essa franquia tão complexa e com horas e horas de gameplay. 

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