Review | Silver Pines conquista com seus mistérios e atmosfera sombria

Com uma história fascinante, enigmas inteligentes e uma cidade inesquecível, Silver Pines é uma das grandes surpresas de 2026, apesar de alguns tropeços.

Com uma história fascinante, enigmas inteligentes e uma cidade inesquecível, Silver Pines é uma das grandes surpresas de 2026, apesar de alguns tropeços.

Sempre gostei de fazer review de jogos independentes, principalmente porque muitos deles conseguem surpreender de maneiras que nem imaginamos, assim como aconteceu com Silver Pines. Um survival horror com elementos de metroidvania que, sinceramente, não esperava gostar tanto.

Desenvolvido pela Wych Elm e distribuído pela Team17, o jogo chegou em 8 de outubro de 2026. Depois de conquistar a platina no PlayStation 5, dedicando aproximadamente 20 a 25 horas à jornada, terminei com uma certeza: Silver Pines é uma das melhores surpresas de 2026.

Mais do que isso, acredito que o jogo tem potencial para se tornar um clássico cult. E não estou falando apenas da aventura, mas da própria cidade de Silver Pines. Assim como Silent Hill e outros lugares emblemáticos da cultura pop, ela possui uma identidade tão forte que dificilmente será esquecida por quem passar por suas ruas.

Mas o que torna esse lugar tão especial? E por que, mesmo com problemas consideráveis, gostei tanto dessa aventura?

Fica comigo nesta review de Silver Pines e saiba tudo sobre essa grata surpresa de 2026:

Essa review de Silver Pines foi feita na versão de PS5 com um código cedido pela Team17

Uma cidade que parece esconder algo em cada canto

Em Silver Pines, assumimos o papel de Red Walker, um detetive particular contratado para encontrar Eddie Velvet, um músico desaparecido. A investigação leva Walker até uma pequena cidade americana aparentemente abandonada, onde praticamente tudo parece fora do lugar.

O que começa como um trabalho relativamente simples rapidamente se transforma em algo muito maior. E, acredite, quanto mais você descobre sobre Silver Pines, mais perguntas aparecem.

A cidade possui uma atmosfera noir maravilhosa, com ruas tomadas pela chuva e becos sombrios. É difícil não lembrar de Silent Hill, embora Silver Pines consiga construir sua própria identidade.

Seus habitantes também contribuem para essa sensação. Eles surgem em lugares inesperados, dizem coisas aparentemente sem sentido e, muitas vezes, parecem saber mais do que estão dispostos a revelar.

Você conversa com alguém, sai com várias dúvidas e, quando encontra aquela pessoa novamente, termina ainda mais confuso. E sabe o que é melhor? Eu simplesmente adorei isso.

Uma história que exige atenção, mas recompensa cada descoberta

Para mim, a narrativa é o maior acerto de Silver Pines. Ela mistura mistério, paranoia e elementos sobrenaturais de uma maneira que me lembrou bastante Alan Wake.

Inclusive, existem televisões espalhadas pelos cenários que ajudam a desenvolver a narrativa, algo que reforça essa comparação com a franquia da Remedy.

Entretanto, não espere uma história que explique tudo nos mínimos detalhes. Silver Pines exige atenção aos documentos, às conversas e aos acontecimentos aparentemente insignificantes.

Cada novo ato aprofunda os mistérios da cidade. Em determinados momentos, você começa a questionar até mesmo se aquilo que está acontecendo com Walker é real. É uma narrativa que exige interpretação. Quem simplesmente avançar pelos cenários sem prestar atenção provavelmente chegará ao final com muitas perguntas sem resposta.

O jogo conta com três finais diferentes, determinados por ações realizadas durante a campanha. Não existe um sistema tradicional de escolhas nos diálogos, mas certas atitudes influenciam o desfecho da investigação.

Consegui conhecer os três finais durante minha busca pela platina, e isso aumentou ainda mais minha admiração pelo trabalho da Wych Elm. Não vou revelar absolutamente nada sobre os acontecimentos, porque descobrir os segredos de Silver Pines faz parte de sua maior qualidade.

Outro ponto positivo é a localização em português brasileiro, com interface e legendas traduzidas, embora sem dublagem em nosso idioma. Isso ajuda bastante em uma aventura na qual a leitura possui tanta importância.

Sobreviver em Silver Pines não é tarefa fácil

Se a história foi o que mais me conquistou, a jogabilidade também merece muitos elogios. Silver Pines combina o gerenciamento de recursos dos clássicos Resident Evil com a exploração característica dos metroidvanias. Tudo isso acompanhado de uma atmosfera que lembra Silent Hill.

Aqui, sobreviver realmente exige planejamento. Munição é escassa, medicamentos precisam ser encontrados e as armas podem quebrar. Por isso, sair enfrentando tudo que aparece pela frente está longe de ser uma boa estratégia.

Walker é apenas um detetive comum, sem poderes especiais. Ele sofre bastante dano e pode ficar com a movimentação prejudicada quando está ferido.

A esquiva acaba sendo fundamental, principalmente quando falta munição. Entretanto, é preciso acertar o momento do movimento, porque um erro pode custar caro.

O inventário também exige atenção. Seu espaço inicial é bastante limitado, obrigando o jogador a reorganizar objetos constantemente. Felizmente, é possível aumentar sua capacidade durante a aventura.

Já os mementos funcionam como melhorias que concedem benefícios importantes. Alguns facilitam a exploração, incluindo áreas aquáticas que exigem maior resistência para atravessar.

Tudo isso reforça uma característica que gostei bastante: Silver Pines não quer que você simplesmente corra até o próximo objetivo. Ele quer que você aprenda a sobreviver.

Exploração recompensadora e enigmas extremamente inteligentes

A estrutura de metroidvania funciona muito bem. Durante a exploração, encontramos portas trancadas, paredes que precisam de ferramentas específicas e caminhos inicialmente inacessíveis.

Conforme Walker encontra novos equipamentos, áreas anteriormente bloqueadas começam a se abrir. Isso incentiva o retorno a locais conhecidos e torna a exploração bastante recompensadora.

O mapa é relativamente extenso e, em alguns momentos, senti que a aventura poderia ser um pouco mais enxuta. Ainda assim, vasculhar os ambientes quase sempre vale a pena. Mas preciso destacar especialmente os enigmas.

Os puzzles de Silver Pines estão entre as coisas que mais gostei no jogo.

Eles não dependem apenas de encontrar uma senha escondida em algum papel. Muitas vezes, você precisa interpretar documentos, relacionar acontecimentos e compreender detalhes da própria história.

Imagine, por exemplo, encontrar informações sobre hóspedes de um hotel e precisar relacionar esses registros aos acontecimentos daquele lugar. É esse tipo de raciocínio que o jogo exige.

Alguns desafios são realmente complicados, mas dificilmente parecem injustos. A solução geralmente está nas pistas que você encontrou, desde que tenha prestado atenção.

O mais interessante é perceber como os enigmas conversam com a narrativa. Eles não estão ali apenas para impedir sua passagem, mas também ajudam a desenvolver os mistérios da cidade.

Parabéns à Wych Elm por esse aspecto. Resolver os puzzles foi um dos grandes prazeres da minha jornada.

Um gunplay excelente, mas chefes que decepcionam

Silver Pines oferece diferentes armas brancas e de fogo, incluindo facas, marretas, revólveres, escopetas e submetralhadoras.

E aqui está algo que me surpreendeu bastante: atirar nesse jogo é gostoso demais!

As armas transmitem uma sensação excelente de impacto. Disparar uma escopeta, por exemplo, produz um efeito poderoso, com sangue espalhando pelas paredes e inimigos reagindo violentamente aos tiros.

O curioso é que o jogo oferece um gunplay tão satisfatório, mas raramente permite aproveitá-lo livremente. A munição limitada obriga você a economizar disparos, mesmo quando a vontade é sair atirando.Só que toda essa qualidade praticamente desaparece nas batalhas contra chefes.

Para mim, as boss fights são o maior ponto negativo de Silver Pines.

Os confrontos são mecanicamente fracos, repetitivos e visualmente pouco interessantes. Alguns chefes praticamente repetem o mesmo ataque, obrigando você a esquivar, buscar uma posição favorável e disparar até derrotá-los. Não encontrei uma única batalha que me fizesse pensar: “Caramba, que chefe incrível!”.

O jogo até tenta preparar o clima, oferecendo recursos e modificando a aparência dos cenários antes desses encontros. Entretanto, a execução deixa muito a desejar.

Sinceramente? Acredito que Silver Pines funcionaria perfeitamente sem essas batalhas. A exploração, os inimigos comuns e os próprios mistérios já seriam suficientes para sustentar a aventura.

Uma direção artística que valoriza a atmosfera

Visualmente, Silver Pines utiliza uma estética estilizada que lembra animações desenhadas à mão. Não existe a preocupação de buscar realismo, e isso combina muito bem com sua proposta.

Os cenários são bonitos, especialmente quando a chuva toma conta das ruas e a névoa dificulta enxergar o que está adiante.

A iluminação merece elogios particulares. A lanterna de Walker, os reflexos, o fogo e as luzes distantes ajudam a construir uma atmosfera extremamente envolvente.

Também gostei da profundidade de determinados cenários. Em alguns momentos, conseguimos observar acontecimentos ao fundo, inclusive elementos que posteriormente encontramos durante a exploração.

São pequenos detalhes que tornam Silver Pines mais convincente como um lugar de verdade. Por outro lado, o design dos inimigos deixa a desejar. A variedade é pequena, e muitos deles possuem aparências pouco inspiradas.

É uma pena, porque a cidade demonstra um cuidado artístico que nem sempre se repete nas criaturas.

Ainda assim, considerando o conjunto, gostei bastante da apresentação visual, principalmente pela forma como ela fortalece o clima sombrio da aventura.

Bom desempenho no PS5, mas com bugs preocupantes

Joguei Silver Pines no PlayStation 5 base e, de maneira geral, encontrei um desempenho satisfatório. Não enfrentei quedas frequentes de desempenho que prejudicassem a jogabilidade.

Infelizmente, alguns bugs acabaram atrapalhando minha jornada. O primeiro envolveu a condição física de Walker. Em diversas ocasiões, carreguei um salvamento no qual estava completamente saudável, mas o personagem aparecia gravemente ferido.

Curiosamente, bastava atravessar uma porta e entrar em outro ambiente para que sua condição voltasse ao normal. O problema mais grave, porém, envolveu o sistema de salvamento.

Silver Pines utiliza cabines telefônicas para registrar o progresso. É necessário possuir moedas, embora normalmente seja possível encontrar uma próxima dessas cabines. Como não existem checkpoints tradicionais, morrer significa retornar ao último salvamento realizado.

Isso faz parte da proposta de sobrevivência e aumenta a tensão. O problema é quando o próprio sistema falha. Em determinada ocasião, salvei minha partida após realizar diversas atividades. Contudo, quando voltei a jogar, descobri que aquele progresso não havia sido registrado.

Perdi uma quantidade considerável de avanços e precisei refazer tudo. Esse tipo de problema é especialmente frustrante em um jogo que exige tanta exploração. Espero que a desenvolvedora consiga corrigir essas falhas por meio de atualizações.

Uma trilha sonora marcante e bons motivos para voltar

A parte sonora também contribui bastante para a identidade de Silver Pines. Os disparos possuem efeitos encorpados, enquanto os ruídos produzidos pelos inimigos ajudam a identificar ameaças próximas.

A trilha sonora acompanha muito bem o clima misterioso da cidade. Algumas composições são especialmente marcantes, e uma delas continuou na minha cabeça mesmo depois de terminar o jogo. Quanto ao fator replay, Silver Pines oferece bons incentivos para continuar jogando.

Além dos três finais, determinados desfechos desbloqueiam modificadores que podem ser utilizados em novas partidas, incluindo munição infinita. Também é possível organizar salvamentos em espaços diferentes para alcançar os três finais sem precisar repetir toda a aventura.

Ainda assim, acredito que o maior incentivo para retornar à cidade será a vontade de compreender melhor sua história e descobrir detalhes que passaram despercebidos na primeira visita.

Vale a pena jogar Silver Pines?

Finalizo esta review de Silver Pines dizendo que ele foi uma das melhores surpresas que tive em 2026. Comecei a aventura esperando encontrar um survival horror independente interessante e terminei completamente envolvido por sua cidade e seus mistérios.

A Wych Elm conseguiu reunir influências de Silent Hill, Alan Wake, Resident Evil e dos metroidvanias sem transformar o resultado em uma simples coleção de referências.

O gerenciamento de recursos funciona muito bem, a exploração recompensa quem tem paciência e os enigmas são extremamente inteligentes. Mas nada disso supera a história, que considero o verdadeiro coração da aventura.

É claro que Silver Pines está longe de ser perfeito. As batalhas contra chefes decepcionam bastante, os inimigos poderiam apresentar maior variedade e os problemas com salvamentos precisam de atenção. Mesmo assim, esses defeitos não conseguiram apagar tudo o que senti durante minhas 20 a 25 horas em Silver Pines.

Acredito sinceramente que estamos diante de um jogo com potencial para se tornar um clássico cult, daqueles que continuam sendo discutidos por anos. Não me surpreenderia vê-lo entre os destaques independentes de 2026.

E quanto à cidade? Espero que Silver Pines conquiste seu espaço entre os cenários mais emblemáticos dos videogames. Ela tem personalidade, mistérios e uma atmosfera que merece ser lembrada.

Meu conselho é simples: não tenha pressa. Leia os documentos, converse com os habitantes, explore cada canto e tente compreender o que está acontecendo. Porque Silver Pines não é apenas uma cidade que você visita. É uma cidade que continua na sua cabeça muito depois de você ir embora.

Leia também:

Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.