Conquistar os céus é uma experiência que mistura sensações difíceis de explicar. Existe a liberdade de voar sem limites, a imponência de observar o mundo de uma perspectiva privilegiada e, ao mesmo tempo, a solidão de estar a milhares de metros do chão, cercado por ameaças e responsável por sobreviver a cada confronto. Ace Combat 8: Wings of Theve entende muito bem essa combinação e transforma esses sentimentos no coração de sua experiência. Desenvolvido pela Bandai Namco Aces e publicado pela Bandai Namco Entertainment, o novo capítulo da franquia entrega combates aéreos intensos, uma campanha envolvente e momentos de contemplação que dão ainda mais significado a cada missão.
Uma guerra que vai além dos combates aéreos
A história se passa no mundo fictício de Strangereal, dez anos após os acontecimentos de Ace Combat 7: Skies Unknown. Dessa vez, acompanhamos Rex, um aviador naval que assume a liderança de um esquadrão da Federação da Usea Central durante a resistência contra a invasão da República de Sotoa. Em meio a um conflito que ameaça destruir seu país, o protagonista precisa enfrentar os inimigos nos céus e lidar com as responsabilidades que acompanham sua posição.
Embora a guerra seja o principal motor da narrativa, o jogo encontra espaço para desenvolver as relações entre os integrantes do esquadrão Joker. Os momentos entre as missões ajudam a construir a personalidade dos companheiros, mostrando suas motivações, inseguranças e diferentes maneiras de encarar o conflito. Essa proximidade faz com que os personagens não pareçam apenas pilotos que acompanham o protagonista durante as batalhas.
Esse equilíbrio é um dos maiores acertos da campanha. Depois de enfrentar ondas de inimigos e participar de confrontos que exigem atenção constante, ter a oportunidade de respirar e conhecer melhor os colegas torna a próxima missão mais significativa. A guerra ganha rostos, e as pessoas que dividem o cockpit com Rex passam a representar algo além de apoio durante os combates.
As pausas entre uma missão e outra permitem absorver o que aconteceu, acompanhar o desenvolvimento dos personagens e se preparar emocionalmente para o próximo desafio. É justamente essa alternância que faz a campanha funcionar tão bem, pois a grandiosidade das batalhas ganha força quando existe um lado humano para sustentá-la.

Dominar os céus exige prática, mas é intuitivo
A jogabilidade mantém a identidade de Ace Combat ao combinar combates aéreos velozes com uma estrutura acessível, mas que permite aprofundar o domínio dos controles. Nós podemos escolher entre dois esquemas diferentes, o Padrão e o Especialista, que atendem a perfis distintos sem alterar a essência da experiência como um todo.
O controle Padrão simplifica os comandos e facilita a realização de manobras, sendo uma ótima opção para quem nunca jogou a franquia ou não tem familiaridade com simuladores de voo. Já o Especialista exige mais atenção à rolagem e à arfagem para realizar curvas e reposicionar a aeronave. A princípio, pode parecer mais complicado, mas oferece uma sensação de controle mais próxima das manobras de um caça e recompensa quem dedica tempo para dominar seus movimentos.
Não é necessário ter experiência prévia para aproveitar as batalhas, mas existe espaço para quem deseja aperfeiçoar suas habilidades e executar manobras com maior precisão.
A seleção de dificuldade também ajuda a acomodar diferentes perfis. A Novato prioriza a experiência narrativa, enquanto a Piloto funciona como uma opção equilibrada para quem está começando ou já conhece a série. A Veterano exige maior domínio das mecânicas e a Elite representa o desafio mais elevado do jogo. Com essas opções, o jogo permite que cada pessoa encontre uma maneira adequada de aproveitar a campanha.

Uma progressão que recompensa cada missão
Concluir uma missão não significa apenas avançar na história e ficar por isso mesmo. O desempenho também rende PRM, os Pontos de Resultado Militar utilizados na árvore de aeronaves para desbloquear novos caças, peças e armamentos. Essa estrutura dá um propósito adicional às batalhas te incentiva a continuar experimentando diferentes possibilidades.
A árvore de aeronaves funciona como uma progressão gradual. Conforme você acumula pontos, você pode investir em novos modelos e aprimoramentos, ampliando as opções disponíveis para enfrentar os desafios seguintes. A escolha dos equipamentos passa a fazer parte da preparação para as missões, permitindo adaptar a aeronave às necessidades de cada confronto. Existem missões que exigem um equipamento mais voltado ao combate ar-terra, por exemplo.
Outro recurso interessante é a possibilidade de revisitar o conteúdo depois de concluir a campanha. A opção Missão Livre permite repetir as operações desejadas, enquanto o Voo Livre oferece uma experiência mais contemplativa. Nesse último modo, é possível explorar mapas de missões já concluídas sem inimigos ou objetivos para cumprir, com um reprodutor de música à disposição.
Depois de tantas situações em que cada segundo pode determinar o resultado de uma batalha, poder simplesmente voar pelo cenário, observar a paisagem e ouvir música é uma forma agradável de aproveitar aquele mundo, e eu gastei boas horas do meu tempo com o jogo apenas contemplando a imensidão daqueles céus. Os replays das missões também merecem destaque, já que as câmeras cinematográficas permitem rever os voos e acompanhar os confrontos aéreos de uma perspectiva muito mais próxima de uma sequência de filme, te permitindo fazer capturas insanamente bonitas.

Um multiplayer que amplia a experiência
Uma das grandes novidades de Ace Combat 8: Wings of Theve está no Ace Combat Online a experiência online mais ambiciosa da saga até o momento. O modo amplia a experiência com um multiplayer próprio, no qual jogadores assumem o papel de pilotos mercenários, participam de missões e evoluem de patente. O modo também oferece um lobby social com espaço para até 100 jogadores.
A variedade de atividades é um dos pontos mais interessantes. Além dos tradicionais confrontos competitivos, o jogo oferece missões cooperativas que colocam duas equipes de quatro jogadores em disputas contra forças controladas pela inteligência artificial. No Ataque Cooperativo, vence a equipe que acumular mais pontos ao destruir alvos e cumprir objetivos. Já na Guerra Cooperativa, os jogadores também enfrentam os pilotos adversários, misturando PvP e PvE em batalhas que exigem atenção tanto às ameaças controladas pelo jogo quanto aos rivais humanos.
O modo também reserva espaço para missões especiais, incluindo confrontos contra superarmas da franquia que exigem a colaboração de até oito jogadores. Essas batalhas ajudam a aproveitar a escala dos combates de Ace Combat de outra maneira, transformando encontros que já seriam intensos na campanha em desafios coletivos.
Existe, porém, uma diferença importante em relação à campanha: a progressão online é separada, então desbloquear aeronaves no modo história não significa ter acesso automático a elas no multiplayer. Além disso, parte dos modos aparece em eventos temporários, o que limita a liberdade de escolher qualquer atividade a qualquer momento. Ainda assim, o Ace Combat Online representa uma expansão considerável para a franquia e oferece motivos para continuar voando depois de concluir a história de Rex.

Uma trilha sonora à altura dos céus
A trilha sonora é fundamental para transmitir a escala de confrontos como esses, e o jogmfaz isso muito bem. As músicas acompanham a intensidade das batalhas e ajudam a transformar cada perseguição em um momento de tensão, principalmente quando o espaço aéreo fica tomado por inimigos e você precisa encontrar uma abertura para atacar.
Você genuinamente tem a sensação de estar participando de algo grandioso, reforçando a importância das missões e a urgência de cada decisão. Quando os combates atingem seu ponto máximo, a combinação entre trilha sonora, velocidade e movimentação das aeronaves faz com que você entre um estado de flow absurdamente imersivo.
Essa intensidade funciona ainda melhor porque o jogo sabe quando diminuir o ritmo. Os momentos de respiro permitem apreciar os cenários e absorver a atmosfera da campanha, enquanto a música ajuda a manter a identidade da aventura mesmo quando não há inimigos à frente.

Conquistar os céus é também encontrar a própria solidão
Poucos jogos conseguem transmitir tão bem a sensação de liberdade e imponência de dominar os céus. Em Ace Combat 8: Wings of Theve, voar não serve apenas para deslocar o jogador até o próximo objetivo. É a própria essência da experiência, uma atividade que alterna momentos de euforia com uma tranquilidade difícil de encontrar em outros jogos de ação.
Durante os combates, a velocidade, a quantidade de ameaças e a necessidade de tomar decisões rápidas mantêm a adrenalina em alta. Basta uma mudança na posição dos inimigos para transformar uma perseguição em uma disputa pela sobrevivência. Quando a missão termina, porém, o mesmo espaço aéreo que antes parecia um campo de batalha se torna um lugar para contemplar a paisagem e apreciar a sensação de estar livre.
Essa ambiguidade é o que tornou a experiência tão marcante para mim. O céu parece infinito, mas também pode ser um lugar solitário. As aeronaves transmitem uma sensação de poder, embora cada combate deixe claro que esse domínio nunca é absoluto, que nem toda batalha pode acabar em vitória.
Mais do que um jogo sobre derrubar aeronaves inimigas, por mais que essa seja sua base, Ace Combat 8: Wings of Theve é uma experiência sobre o que significa conquistar os céus e descobrir, em meio à imensidão, o peso e a liberdade de estar lá em cima.
O jogo foi enviado pela Bandai Namco para a realização dessa review.
Ace Combat 8: Wings of Theve está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (via Steam).
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