Nesse ano de 2026 joguei e finalizei vários jogos, e poucos deles me frustraram de alguma forma, seja gameplay, bugs ou outros fatores. Porém, se existisse um título, o campeão seria Way of the Hunter 2, com uma larga vantagem.
Nunca fui um gamer tão adepto aos jogos de caça animal, como Hunting Simulator, theHunter: Call of the Wild ou o próprio Way of the Hunter, e talvez isso seja parte do problema e não da solução. Com isso em mente, infelizmente, meu período jogando Way of the Hunter 2 foi carregado por pontos negativos, de uma forma geral.
Vamos do começo…
Diferente do primeiro Way of the Hunter, a sequência não traz de volta o lado narrativo do jogo, que contava com uma história de pano de fundo. Dessa vez o estúdio optou por mergulhar de fato na simulação e liberdade do jogador em aproveitar o mundo do jogo.
Porém ainda temos interações com personagens, que nos dão algumas missões. Servindo mais como uma espécie de tutorial para as mecânicas presentes aqui. E boa parte das missões são curtas e relacionadas a realizar ações específicas durante a caça, ou abater algum animal que se encaixe em alguns requisitos.

Com isso em mente, partimos para as mecânicas de Way of the Hunter 2. Essas que buscam mesclar o jogo entre um simulador de caça, com gerenciamento a médio ou longo prazo, algo que pode ser inimigo de jogadores não tão pacientes.
A dinâmica do jogo não consiste em apenas caçar, abater um animal qualquer e coletar seus troféus. É preciso observar rebanhos, estudar suas rotinas e entender locais que eles descansam ou se alimentam, além de analisar a genética. Tudo isso usando os binóculos, pacientemente.
O fato de observar a genética dos animais de um rebanho, fazem com que nós repensemos nosso alvo, visando os futuros animais. Por exemplo, um jovem cervo com uma genética forte pode ser poupado com a intenção de acasalar e reproduzir aquele gene forte naquele rebanho. O que nos leva a avaliar que animais com baixa qualidade genética ou velhos, podem ser a presa perfeita.

Atirar requer um ritual
E a partir disso, Way of the Hunter 2 se expande a outra mecânica importante do jogo, o tiro. Durante os tutoriais apresentados, o título deixa claro que não se trata de apenas atirar de qualquer maneira. É preciso buscar o tiro perfeito, evitando que danifique o animal de forma brutal, sejam órgãos ou a carcaça em si, uma vez que pode ser vendida ou exposta como troféu.
Caso efetue um disparo que só machuque o alvo, é preciso rastrear a partir de rastros de sangue. O que leva a ter mais paciência de perseguir uma presa ferida por longas rotas até encontrar o animal ferido já morto ou fraco. E para isso, temos o nosso parceiro de quatro patas.
O cachorro em Way of the Hunter 2 é um parceiro importante, mas que honestamente eu esperava mais. É possível chamar o nosso pequeno companheiro de qualquer ponto do mapa, dar o comando dele farejar potenciais presas a partir de pegadas ou rastros de sangue por ferimento, mas por vezes o cachorro fica meio perdido. Claro, à medida que progredimos podemos treinar a ponto dele ficar mais atento ao mundo vivo ao redor, mas nada que faça milagres em como funciona.

Opções deixam o jogo mais acessível
Apesar de buscar uma jogabilidade mais voltada à simulação, Way of the Hunter 2 é amigável com novos jogadores. Não só com tantos tutoriais, que chegam a se estender por quase três ou quatro horas de jogo, mas também com opções de acessibilidade, como o sistema de revisão de disparo.
O sistema funciona como um raio x, nos mostrando como o disparo foi efetuado, local do corpo atingido, além de nos dar uma nota. Caso o disparo seja ruim, o sistema se transforma em um facilitador para entender “por que?” e usar isso para melhorar nos próximos alvos.
Há ainda ajustes para visualizar com mais contraste rastros dos alvos, sinais que o rebanho deixa no mapa e muito mais. Todas essas opções combinadas, deixam Way of the Hunter 2 como uma ótima escolha de porta de entrada para simuladores de caça.

Um mapa grande, mas pouco aproveitado
Um dos pontos mais negativos de Way of the Hunter 2 para mim foi seu mapa, mas não como é ele e sim como é mal aproveitado. E digo isso pelo fato de que várias áreas são vazias, sem atividade ou missão que componha aquele lugar. Mesmo que você ainda encontre animais por ali.
Felizmente temos veículo para se deslocar de um ponto a outro, mas esse acaba sendo pouco utilizável pelo excesso de barulho, que espanta ou alerta animais próximos. De uma forma ideal, você precisa deixar o carro longe, uma distância que seja suficiente para não dispersar um rebanho inteiro e dificultar sua caça.
O mapa geral do jogo é dividido em três regiões. A primeira é Nova Laurentia, essa sendo a maior, com florestas, planícies e áreas abertas para explorar no norte da América. A segunda é a Reserva Kilimaya, uma região na África que traz hipopótamos, leões e outros animais dignos da fauna africana. E por último, Hearth & Hunt, uma área nas Montanhas Rochosas, com um tamanho mais compacto.
Cada região traz suas particularidades na exploração e ambientação, fazendo com que caçar também seja diferente em cada uma delas. Isso faz com que o loop de gameplay se estique de forma com que o jogador não sinta repetição em poucas horas, mas mesmo assim, é inevitável em um jogo com foco em simulação se tornar repetitiva com boas horas.
Apesar dos problemas com o mapa e o quanto ele é vazio em praticamente 70% do caminho, Way of the Hunter 2 traz uma boa variedade de animais para caçar. São pelo menos 12 diferente por região do mapa, indo de cervos, búfalos, ursos, javalis, carneiros e outros. Porém, de acordo com os desenvolvedores, a ideia é em futuras atualizações aumentar ainda mais esse número, com um planejamento de pelo menos 60 espécies ao todo.

Visuais são bonitos até certo ponto
Visualmente Way of the Hunter 2 foi um mix entre a decepção e a estar impressionado. Nesse ponto senti que o jogo não soube se aproveitar com um meio termo. Em momentos você se vê abismado com os visuais nas florestas, ou com o pôr do Sol amarelo e brilhoso. Em outro você se vê incrédulo com tamanha falta de capricho com o visual dos personagens que interagimos. Alguns parecem terem sido recortados diretamente da geração do PlayStation 2.
E eis que isso a decepção se estende para o acabamento geral do jogo. É sabido que Way of the Hunter 2 começou seu Acesso Antecipado em março deste ano de 2026, de lá para o jogo recebeu sim diversos conteúdos, até sair sua versão 1.0 agora em setembro. Porém, mesmo jogando após atualização do lançamento final, sofri com diversos bugs.
Os bugs foram de carro capotar e ficar preso de cabeça para baixo e eu não conseguir realizar a ação de sair de dentro, precisando sair para os menus do jogo. Armas bugadas flutuando sem aparecer a mão do personagem. Ou um dos mais frustrantes, foi acertar os tiros na presa, mas o animal agir como se nada tivesse acontecido e simplesmente sair correndo como se nada tivesse acontecido.
A edição que estive jogando foi a de PC, onde também tive problemas com a otimização do jogo, que se mostrava pesado, mesmo com os visuais não tão absurdos como em outros jogos que já joguei sem problemas. Em alguns momentos, para manter o desempenho do jogo fluido, tive que reduzir a configuração gráfica para médio ou fazer alguns ajustes.

Way of the Hunter 2 é uma experiência amigável, mas que precisa de atenção
Apesar de amigável com novos jogadores, jogar Way of the Hunter 2 me deixou com uma sensação de experiência negativa, principalmente com bugs e o mapa sem muita atividade para estimular o jogador a continuar explorando. É um jogo que foi divertido nas suas horas iniciais, após tanto tutorial, e me manteve interessado a ponto de gerenciar genética em rebanhos, mas no fim deixa um sentimento de que ainda precisa de muito conteúdo para prolongar a vida útil do jogo na comunidade gamer atual.
Análise realizada com código cedido pela THQ Nordic na versão de PC
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