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Coluna | Leilão de Hollywood: Netflix, Paramount e Comcast disputam a Warner Bros bilionária

Saiba tudo sobre o leilão mais disputado dos últimos 20 anos

Saiba tudo sobre o leilão mais disputado dos últimos 20 anos

A Warner Bros. Discovery está novamente em rota de venda, e isso não é apenas mais uma operação corporativa. É, na prática, o maior rearranjo de poder que Hollywood já viu desde a era das megafusões dos anos 2000.

Três gigantes — Netflix, Comcast e Paramount — apresentaram propostas para adquirir parte ou todo o conglomerado, que abriga HBO, CNN, Cartoon Network e um dos catálogos de filmes/TV mais valiosos da história.
A movimentação encerra uma década marcada por erros estratégicos, dívidas pesadas e a migração do público para o streaming.

Por que a Warner virou o prêmio mais cobiçado do entretenimento?

1. O catálogo é um tesouro

A Warner tem um acervo que inclui Batman, Harry Potter, Sopranos, Friends, Looney Tunes, Game of Thrones e dezenas de propriedades valiosas. Para as plataformas de streaming, catálogo é moeda. Filme novo gera buzz; franquia eterna gera assinante.

2. A dívida é alta, a paciência não

São US$ 33,5 bilhões em dívidas. Para investidores, esse número virou uma âncora — e para concorrentes, uma oportunidade.

3. As ações triplicaram — e isso acelera tudo

Com o rumor de aquisição, o valor de mercado subiu para US$ 57 bilhões. Ou seja: quem quiser comprar, tem de correr antes que fique (ainda mais) caro.

Netflix — O Golpe Mais Surpreendente

  • A gigante do streaming nunca fez uma aquisição desse porte.
  • aceitaria lançar filmes nos cinemas,
  • quer expandir franquias próprias com IPs pesadas, e busca consolidar seu reinado.

A aposta é clara: com US$ 448 bilhões de valor de mercado, ela é a única que pode pagar sem desmontar a casa.

Paramount — A Mais Agressiva na Mesa

  • aceitaria lançar filmes nos cinemas,
  • quer expandir franquias próprias com IPs pesadas,
  • e busca consolidar seu reinado.

A estratégia: unir os catálogos, fortalecer o Paramount+, fundir canais de TV a cabo e turbinar a produção de filmes para 30 por ano.

E claro: tem o apoio financeiro do pai, Larry Ellison (Oracle) — um dos homens mais ricos do mundo.

Comcast – O Jogo da Consolidação Total

Dona da NBC, Universal e Peacock, a Comcast enxerga a fusão como uma forma de criar o maior ecossistema audiovisual dos EUA.

O problema? US$ 99 bilhões em dívidas e ações despencando 29% no ano. Mas, se der certo, o grupo controlaria streaming, TV aberta, TV a cabo e cinema em escala inédita.

Hollywood: Quem compra sai forte. Quem fica pode perder

Esta disputa não é só sobre números — é sobre cultura, identidade e o futuro da forma como o público consome histórias.

Se a Warner for desmontada ou fundida:

  • Quais estúdios sobrevivem ao “novo Hollywood”?
  • Como ficam criadores, jornalistas e animadores?
  • Será o fim da era de múltiplos players?

A verdade é que, para Hollywood como conhecemos, essa venda pode ser o ponto de não retorno.

Nota do colunista

Não se trata apenas de estúdios ou filmes: o mercado está avaliando dados, assinantes e valor de catálogo. Hollywood hoje é um campo estratégico e financeiro, e cada decisão impacta a competitividade do setor nos próximos anos.

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Henry Keys é economista e colunista da Conecta Geek. Analisa o impacto econômico da cultura pop, games e tecnologia sobre os mercados globais — onde diversão, dados e dólares se encontram.