Olivia Rodrigo
Divulgação/Geffen Records.

Crítica | Olivia Rodrigo vai do encantamento a desilusão em ‘You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love’

O público vem acompanhando o amadurecimento artístico e pessoal de Olivia Rodrigo desde sua estreia em 2021 com “Sour”. Lá conhecemos uma adolescente descobrindo as desilusões do amor, em seguida, vimos ela dar os primeiros passos em direção a vida adulta em “Guts” (2023). Agora, a artista de 23 anos retorna para contar sobre a ascensão e queda de um grande romance em seu álbum mais maduro até aqui: You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love.

Capa de You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love
Divulgação/Geffen Records.

O disco é composto por 13 faixas dividias em duas partes. Na primeira, acompanhamos um relacionamento se desenvolvendo desde o início, permeado por um clima de euforia, alegria e encantamento. Já na segunda parte, Olivia nos conta sobre a gradual derrocada dessa relação e os contornos tóxicos que ela vai ganhando. A partir daí a melancolia vai surgindo e se intensificando. Toda essa trajetória ganha brilho mais uma vez pela honestidade das letras e o pop-rock que aponta para novas direções aqui.

É muito bom ver que, mesmo após todo o sucesso e se consolidar como um dos grandes nomes da atual geração do pop, Olivia não se deixou contaminar pela pressão do mercado para seguir formulas e tendências. Claro, sua música segue sendo altamente pop e bebendo de muitas referências, mas nada aqui soa forçado, artificial ou milimetricamente calculado para atingir números expressivos nas plataformas digitais. A norte-americana segue se mostrando muito fiel ao que sente e vive, e vem fortalecendo sua identidade como artista.

A referência mais óbvia da obra é o pop e pós-punk dos anos 1980, mais explicitamente o The Cure, com direito a uma bela participação de Robert Smith em “What’s Wrong With Me”, dueto no qual as vozes de ambos se encaixam muito bem e funciona como um som híbrido resultado do encontro de duas diferentes gerações. Mas You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love também conta com alguns elementos do folk e do indie-rock dos anos 2000, o que indica que Olivia está ampliando os horizontes e se encontrando cada vez mais, para além das comparações com Hayley Williams e Avril Lavigne.

A abertura é com “Drop Dead”, primeiro single apresentado que, inicialmente parecia fraco, porém na obra ele ganha força e funciona como uma introdução leve, apresentando uma certa ingenuidade do início de um romance. “Stupid Song” é a paixão em seu auge, traduzida em um rock romântico eufórico e contagiante. “Honeybee” é outro acerto que ganha força com o excelente instrumental orquestral do final.

Faixas como “Maggots for brains”, “u + me = ˂3” e “My way” são amostras do que há de melhor nas composições de Olivia, uma sinceridade sem pudores e que trata de sensações e sentimentos universais. “The Cure”, marca o início da derrocada da relação com um refrão potente e uma melodia que cresce na medida em que o desconforto e a quebra da ilusão também vão crescendo. “Expectations” é um rock nervoso e uma boa surpresa em meio ao álbum, funcionando como uma cartaze da raiva. “Cigarette Smoke” encerra de forma sensível, com uma nota final melancólica e a constatação de tudo o que deu errado na relação.

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You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love apresenta uma Olivia Rodrigo mais segura como artista, se encontrando vocalmente, ainda mantendo a mesma sinceridade e a capacidade de cantar suas vivencias e sentimentos de uma jovem adulta, de uma forma que pode conectar pessoas de todas as idades que passaram pela desilusão de descobrir que um grande amor também chega ao fim.

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