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Review de Starfiel | Versão de PS5 é a melhor versão do RPG espacial da Bethesda

Do jeito que a Bethesda imaginou

Do jeito que a Bethesda imaginou

Poucos jogos carregaram tanto peso nas costas quanto Starfield. Quando foi lançado originalmente, em 2023, o novo RPG da Bethesda tinha a difícil missão de ser a primeira franquia inédita do estúdio em mais de duas décadas. O hype era gigantesco, mas logo vieram as comparações com Skyrim, as críticas à exploração, as discussões sobre desempenho e uma comunidade dividida entre quem enxergava uma obra-prima e quem via um enorme potencial desperdiçado.

Agora, anos depois, Starfield finalmente chega ao PlayStation 5, acompanhado de diversas atualizações que mudaram vários aspectos da experiência original. A estreia no console da Sony não representa apenas mais uma plataforma para o jogo, mas também uma segunda oportunidade para que muitos jogadores descubram um RPG que amadureceu bastante desde o lançamento.

Depois de passar dezenas de horas explorando sistemas estelares, entrando para diferentes facções, personalizando naves e me envolvendo em histórias inesperadas espalhadas pela galáxia, fiquei com uma impressão muito clara: Starfield continua longe de ser um jogo perfeito, mas também está muito distante da imagem negativa que parte da internet construiu ao seu redor.

Esta review de Starfield no PS5 foi realizada com um código cedido pela Bethesda Brasil

Uma aventura que cresce junto com o jogador

A estrutura narrativa de Starfield segue a fórmula clássica da Bethesda, mas isso está longe de ser um problema. A aventura começa de forma bastante simples: você assume o papel de um minerador que encontra um artefato misterioso durante uma escavação. Esse contato desencadeia uma série de acontecimentos que acabam levando o protagonista até a Constellation, um grupo dedicado a investigar esses objetos espalhados pelo universo.

A partir desse momento, a história deixa de ser apenas uma busca por respostas e passa a funcionar como uma grande jornada de exploração. Cada novo planeta, estação espacial ou cidade visitada abre portas para personagens inéditos, conflitos políticos e mistérios que vão muito além da campanha principal.

O ritmo inicial pode incomodar alguns jogadores. A Bethesda nunca teve pressa em apresentar seus mundos, e Starfield mantém essa filosofia. As primeiras horas são dedicadas a ensinar mecânicas, apresentar sistemas e contextualizar o universo. Para quem espera explosões e grandes reviravoltas logo de cara, esse começo pode parecer lento. No entanto, basta insistir um pouco para perceber que o jogo começa a recompensar essa paciência de forma bastante consistente.

Um dos maiores méritos da narrativa é justamente a liberdade que ela oferece. Em vários momentos, dei início a uma missão simples e, quando percebi, já estava completamente envolvido em uma sequência de eventos que não tinham qualquer relação com meu objetivo original. Essa sensação de que sempre existe algo interessante esperando na próxima esquina continua sendo uma das maiores qualidades dos RPGs da Bethesda.

Um universo gigantesco que nem sempre impressiona pelo tamanho, mas pela curiosidade

É impossível falar de Starfield sem mencionar seus mais de mil planetas. Desde o anúncio, esse número foi usado como uma das principais vitrines do jogo e naturalmente criou uma expectativa enorme entre os jogadores.

Na prática, porém, a experiência é um pouco diferente do que muita gente imaginava.

Embora a quantidade de mundos seja realmente impressionante, boa parte deles utiliza geração procedural para criar seus ambientes. Isso significa que alguns locais acabam compartilhando estruturas semelhantes e nem sempre oferecem atividades realmente memoráveis. Esse foi um dos pontos mais criticados no lançamento original e, sinceramente, ainda é possível perceber essa característica em determinados momentos.

A diferença é que hoje ela incomoda muito menos.

As atualizações lançadas ao longo dos últimos anos melhoraram significativamente a exploração. A inclusão dos veículos terrestres reduziu bastante o tempo gasto atravessando grandes áreas, enquanto novos encontros aleatórios durante as viagens espaciais fazem com que cada deslocamento tenha potencial para render uma surpresa.

Ainda existem planetas mais vazios do que deveriam, mas eles deixaram de representar a maior parte da experiência.

Por outro lado, quando Starfield aposta em conteúdo criado manualmente, o resultado é excelente. Grandes cidades, laboratórios abandonados, estações espaciais, instalações militares e inúmeras missões secundárias mostram todo o talento da Bethesda para criar ambientes que despertam a curiosidade do jogador. É muito fácil entrar em um local apenas para explorar durante alguns minutos e acabar passando mais de uma hora envolvido em uma história completamente diferente daquela que você pretendia seguir.

É justamente esse senso constante de descoberta que faz o universo de Starfield funcionar tão bem. Mais do que visitar planetas, a sensação é de participar de um enorme ecossistema onde sempre existe uma nova missão, um personagem curioso ou um segredo esperando para ser encontrado.

Liberdade para jogar do seu jeito

Se existe uma palavra que define Starfield, ela é liberdade. Muito antes de a campanha principal mostrar todas as suas cartas, o jogo já começa a incentivar o jogador a construir sua própria jornada. Você pode seguir a história da Constellation, mas também pode ignorá-la completamente durante várias horas para viver outras aventuras espalhadas pela galáxia.

Essa liberdade aparece principalmente nas facções. Assim como em Skyrim ou Fallout, elas não são apenas grupos espalhados pelo mapa com algumas missões opcionais. Cada uma possui personagens próprios, conflitos internos, escolhas importantes e histórias que facilmente poderiam funcionar como campanhas independentes.

Você pode se tornar um membro da UC Vanguard, trabalhar ao lado da Freestar Collective, infiltrar-se na Crimson Fleet para viver a fantasia de ser um pirata espacial ou seguir diversos outros caminhos. O mais interessante é que essas histórias conseguem manter um bom nível de qualidade e, muitas vezes, rivalizam com a campanha principal em desenvolvimento e construção de mundo.

Foi comum eu começar uma missão secundária apenas para “dar uma olhada” e, horas depois, perceber que havia esquecido completamente o objetivo inicial. Essa capacidade de prender o jogador em pequenas histórias sempre foi uma das maiores qualidades da Bethesda, e Starfield mantém essa tradição.

O combate evoluiu, mas ainda carrega o DNA da Bethesda

Durante muito tempo, o combate nunca foi exatamente o ponto forte dos RPGs da Bethesda. Felizmente, Starfield mostra uma evolução perceptível nesse aspecto.

A movimentação é mais dinâmica, as armas possuem boa variedade e os confrontos conseguem alternar momentos de troca intensa de tiros com situações em que o posicionamento faz bastante diferença. A possibilidade de alternar entre a visão em primeira e terceira pessoa também permite que cada jogador escolha o estilo que considera mais confortável.

O arsenal é amplo. Há pistolas, rifles balísticos, armas de energia, escopetas, armas corpo a corpo e equipamentos lendários capazes de transformar completamente a forma como você enfrenta determinados inimigos. Conforme o progresso avança, também é possível aprimorar seus armamentos, tornando-os cada vez mais eficientes.

Apesar disso, ainda é possível perceber algumas limitações herdadas da própria Creation Engine. A inteligência artificial dos inimigos nem sempre surpreende, alguns confrontos acabam se repetindo ao longo da campanha e certos tiroteios passam a sensação de que poderiam oferecer um pouco mais de variedade tática.

Nada disso compromete a diversão, mas fica evidente que Starfield prioriza muito mais a construção do universo e a liberdade do jogador do que um sistema de combate revolucionário.

As naves são muito mais do que um meio de transporte

Se existe um sistema que me conquistou completamente, foi a personalização das naves.

No início da aventura você recebe modelos básicos, suficientes para cumprir as primeiras missões. Porém, conforme acumula créditos, desbloqueia novas classes e entende melhor a economia do jogo, percebe que sua nave pode se transformar em praticamente qualquer coisa que imaginar.

É possível comprar novos modelos, roubar embarcações inimigas, modificar praticamente todas as peças da estrutura ou simplesmente construir uma nave do zero utilizando o editor oferecido pela Bethesda.

Motores, escudos, armas, compartimentos de carga, módulos habitáveis e diversos outros componentes podem ser alterados para criar uma nave totalmente personalizada. Dependendo do estilo de jogo, você pode priorizar velocidade, capacidade de armazenamento, poder de fogo ou resistência durante os combates espaciais.

Esse sistema acaba criando uma relação muito próxima entre o jogador e sua própria embarcação. Aos poucos, ela deixa de ser apenas um veículo e passa a funcionar como uma verdadeira base de operações.

Outro detalhe que gostei bastante é a possibilidade de decorar o interior da nave, organizar sua tripulação e transformá-la em um espaço realmente funcional. É um nível de personalização que poucos RPGs espaciais oferecem.

Explorar o espaço finalmente ficou mais interessante

Uma das maiores críticas feitas ao Starfield original dizia respeito às viagens espaciais. Muitos jogadores esperavam uma exploração completamente livre entre planetas, mas encontraram uma estrutura bastante baseada em viagens rápidas.

Com o passar do tempo, a Bethesda procurou reduzir essa sensação.

Hoje já é possível realizar deslocamentos mais livres pelo espaço, além de encontrar um número maior de eventos aleatórios durante essas viagens. Em vários momentos, fui surpreendido por pedidos de socorro, emboscadas de piratas, comerciantes oferecendo mercadorias raras e pequenas histórias que surgem naturalmente enquanto você atravessa diferentes sistemas.

São acontecimentos simples, mas que tornam o universo muito mais vivo.

Os combates espaciais também merecem destaque. Eles exigem atenção constante ao gerenciamento de escudos, energia e armamentos, principalmente quando várias naves inimigas aparecem ao mesmo tempo. Não chegam ao nível de simuladores especializados, mas cumprem muito bem seu papel dentro da proposta do jogo e adicionam uma camada estratégica interessante à exploração.

Além disso, o sistema econômico incentiva diferentes estilos de jogador. Quem prefere atuar como comerciante pode investir em grandes compartimentos de carga. Já aqueles que desejam seguir uma vida menos honesta encontram espaço para transportar contrabando, instalar compartimentos protegidos contra escaneamentos e vender produtos ilegais em estações controladas por criminosos.

Essa liberdade de escolher como ganhar dinheiro reforça uma das maiores qualidades de Starfield: dificilmente dois jogadores viverão exatamente a mesma aventura.

Um RPG que amadureceu tecnicamente

No lançamento original, Starfield também ficou marcado por discussões envolvendo desempenho e estabilidade. Embora estivesse longe de ser um jogo quebrado, era impossível ignorar alguns problemas técnicos que acabavam atrapalhando a imersão. Felizmente, a versão de PlayStation 5 chega em um momento muito mais confortável.

Ao longo da campanha, encontrei uma experiência bastante estável, com tempos de carregamento rápidos graças ao SSD do console e uma navegação muito mais fluida entre menus, cidades e viagens espaciais. As famosas telas de carregamento continuam fazendo parte da estrutura do jogo, afinal elas estão diretamente ligadas à forma como a Creation Engine organiza o universo. Entretanto, por serem tão rápidas no PS5, deixam de incomodar como acontecia anos atrás.

Outro aspecto positivo é a variedade de opções gráficas disponíveis. A Bethesda permite que cada jogador escolha a experiência que mais lhe agrada, seja priorizando resolução, qualidade visual ou uma taxa de quadros mais elevada. Essa liberdade faz diferença, principalmente em um RPG tão extenso, onde cada pessoa acaba encontrando um equilíbrio diferente entre desempenho e fidelidade gráfica.

O DualSense também recebe atenção especial. Os gatilhos adaptáveis oferecem uma resistência diferente dependendo da arma utilizada, enquanto a resposta tátil ajuda a transmitir impactos durante os disparos, explosões e pousos da nave. Não chega a reinventar a experiência, mas adiciona uma camada extra de imersão que faz diferença ao longo das dezenas de horas de campanha.

A direção de arte continua sendo um dos maiores trunfos

Se existe algo que Starfield faz muito bem, é construir um universo visualmente convincente. A Bethesda optou por uma abordagem mais próxima da ficção científica “pé no chão”, inspirando-se em tecnologias que parecem possíveis, em vez de apostar apenas em cenários extravagantes.

O resultado é um universo que transmite credibilidade. Cada cidade possui sua própria identidade, cada estação espacial parece ter uma função específica e os diferentes planetas conseguem criar atmosferas bastante distintas entre si. Há mundos áridos, luas congeladas, florestas exuberantes, instalações industriais e enormes metrópoles futuristas que ajudam a reforçar a sensação de estar explorando uma civilização espalhada pela galáxia.

A iluminação também merece elogios. Em muitos momentos, parei apenas para observar um nascer do sol em um planeta distante ou contemplar o espaço através da cabine da nave. São pequenos instantes que ajudam a construir aquela sensação de aventura que poucos RPGs conseguem transmitir.

Por outro lado, alguns limites técnicos da engine continuam perceptíveis. Certas animações faciais ainda lembram bastante os jogos anteriores da Bethesda e, ocasionalmente, é possível encontrar NPCs com expressões rígidas ou interações menos naturais do que o esperado para um RPG moderno. Não chega a comprometer a experiência, mas evidencia que a tecnologia utilizada pelo estúdio já começa a mostrar sinais da idade.

Nem tudo funciona o tempo inteiro

Assim como aconteceu em seus trabalhos anteriores, Starfield é um jogo de extremos. Quando tudo se encaixa, ele entrega algumas das melhores histórias e momentos de exploração que a Bethesda já produziu. No entanto, também existem situações em que suas limitações ficam bastante evidentes.

A exploração ainda sofre com planetas pouco interessantes e atividades que acabam se repetindo depois de muitas horas. Alguns sistemas poderiam ser mais profundos, certos menus ainda exigem navegação excessiva e a estrutura baseada em carregamentos dificilmente agradará quem esperava uma experiência espacial totalmente contínua.

Também é importante entender o tipo de RPG que Starfield pretende ser. Ele não busca oferecer uma narrativa cinematográfica como The Last of Us, nem um combate extremamente refinado como Cyberpunk 2077 após suas atualizações. Seu foco está na liberdade, na criação de histórias emergentes e na sensação constante de descobrir algo novo enquanto você simplesmente segue sua curiosidade.

Se essa proposta combina com seu perfil de jogador, dificilmente faltará conteúdo para explorar.

Considerações finais

Termino esta review dizendo que, depois de tantas atualizações, Starfield finalmente parece o jogo que a Bethesda queria entregar desde o início. A chegada ao PlayStation 5 acontece no melhor momento possível, oferecendo uma experiência mais completa, mais refinada e muito mais preparada para conquistar novos jogadores.

Ele continua apresentando algumas limitações conhecidas, principalmente na exploração procedural e em certos aspectos técnicos da engine. Ainda assim, seus acertos falam mais alto. A liberdade para criar sua própria jornada, a qualidade das facções, a enorme quantidade de conteúdo secundário, a personalização das naves e a capacidade de transformar uma simples missão em horas de descobertas continuam sendo características difíceis de encontrar em outros RPGs.

Starfield talvez nunca alcance o impacto cultural de Skyrim, mas isso também não significa que seja uma decepção. Pelo contrário. Hoje ele se apresenta como um RPG espacial extremamente robusto, repleto de possibilidades e que recompensa jogadores dispostos a explorar seu universo sem pressa.

Para quem aguardava sua chegada ao PlayStation 5, esta é, sem dúvida, a melhor forma de embarcar nessa aventura. E para a própria Bethesda, representa a chance de mostrar que algumas jornadas realmente ficam melhores com o tempo.

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Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.