Poucas obras conseguiram capturar tão bem o espírito da cultura pop e dos videogames quanto Scott Pilgrim. Desde os quadrinhos de Bryan Lee O’Malley até o filme dirigido por Edgar Wright, a série sempre foi uma celebração aberta da cultura nerd, cheia de referências e humor.
Com Scott Pilgrim EX, o universo da franquia retorna aos videogames apostando novamente no gênero beat ‘em up, claramente inspirado pelos clássicos de fliperama e consoles dos anos 90. O resultado não tenta reinventar a fórmula, e talvez nem precise. Em vez disso, entrega uma experiência curta, estilosa e extremamente confortável para quem cresceu jogando títulos dessa era.

Sucessor espiritual do clássico da Ubisoft
Para entender Scott Pilgrim EX, é impossível ignorar o peso do jogo anterior lançado pela Ubisoft em 2010. Aquele título se tornou um verdadeiro cult entre fãs do gênero, especialmente após desaparecer das lojas digitais por anos antes de retornar em uma edição comemorativa.
EX funciona quase como um sucessor espiritual daquele projeto. Ele mantém a mesma essência: combate em progressão lateral, evolução de atributos, cooperação entre jogadores e uma estética pixel art vibrante.
A diferença está na estrutura. Enquanto o jogo anterior seguia o formato tradicional de fases lineares, Scott Pilgrim EX adota um mundo interconectado, inspirado em clássicos como River City Ransom. Em vez de simplesmente avançar de fase em fase, os jogadores exploram um mapa com diferentes áreas controladas por gangues, missões e pontos de interesse.

Mapa simples e funcional
Esse mapa funciona como um pequeno hub urbano que conecta as batalhas principais. As ruas são ocupadas por inimigos aleatórios e eventos que iniciam combates ao entrar em determinadas áreas.
No início pode parecer um pouco cansativo atravessar os mesmos lugares várias vezes, mas a estrutura acaba se tornando fácil de navegar. O jogo utiliza marcadores de missão claros, indicando para onde o jogador deve ir, e a própria organização do mapa evita que o jogador se perca.
É um design simples, mas eficiente, e combina bem com o ritmo arcade da experiência.

Combate sólido e focado em controle de multidões
No coração do jogo está o combate, que segue o padrão clássico do gênero. Os personagens possuem ataques básicos, bloqueio e um golpe especial que consome Pontos de Coragem (PC).
A maioria dos confrontos envolve lidar com vários inimigos ao mesmo tempo. O desafio está em controlar o espaço, arremessar adversários uns contra os outros e evitar ataques pelas costas.
Existe até uma opção no menu que ativa chutes automáticos para inimigos que atacam por trás, algo que ajuda bastante a manter o ritmo das batalhas sem tornar o jogo fácil demais.
Não há grandes revoluções aqui, mas a base mecânica é sólida e satisfatória.

Personagens variados e progressão de atributos
O elenco jogável também contribui para a variedade. Sete personagens estão disponíveis, incluindo figuras conhecidas como Scott Pilgrim e Ramona Flowers, além de algumas escolhas mais inesperadas.
Apesar de compartilharem a mesma base de movimentos, cada personagem possui especializações diferentes. Alguns são mais rápidos, outros focam em força ou alcance, criando pequenas diferenças estratégicas.
A progressão acontece de duas formas:
- Fichas de melhoria, obtidas ao derrotar inimigos
- Itens comprados em lojas, que concedem bônus permanentes
Esse sistema incentiva o jogador a investir em um estilo específico de combate, seja focando em ataques especiais, força bruta ou agilidade.

Cooperação é onde o jogo realmente brilha
Assim como nos clássicos dos fliperamas, Scott Pilgrim EX parece ter sido pensado principalmente para o modo cooperativo.
A presença constante do aviso de “pressione para entrar” no topo da tela reforça essa ideia. Jogar com amigos torna as batalhas mais dinâmicas e estratégicas, especialmente contra chefes que possuem ataques complexos e padrões difíceis de lidar sozinho.
O sistema de reviver também favorece o coop. Enquanto um parceiro pode compartilhar vida para ajudar o outro a voltar à luta, jogar sozinho pode resultar em algumas derrotas frustrantes se o jogador for cercado por inimigos.
Estilo visual e trilha sonora impecáveis
Se existe um aspecto em que Scott Pilgrim EX realmente se destaca, é na apresentação.
A arte em pixel art é extremamente detalhada e cheia de personalidade. Cada cenário possui elementos visuais interessantes e os personagens têm animações expressivas que reforçam o tom cartunesco da série.
A trilha sonora da banda Anamanaguchi também retorna com força total. O chiptune energético acompanha perfeitamente a pancadaria e ajuda a manter o ritmo mesmo quando o jogador precisa repetir batalhas ou juntar dinheiro para comprar upgrades.

Uma história simples, mas cheia de referências
Narrativamente, Scott Pilgrim EX não tenta ser profundo. A trama gira em torno de viagens no tempo e versões alteradas da banda Sex Bob-omb, mas funciona mais como um pretexto para conduzir o jogador de uma luta contra chefes para outra.
O grande destaque está nas referências espalhadas pelo jogo. Há homenagens a clássicos dos videogames de 8 e 16 bits, além de piadas e menções à cultura pop e ao próprio filme de Scott Pilgrim.
Os personagens frequentemente quebram a quarta parede, comentando elementos típicos de videogames como tutoriais e mecânicas de gameplay.
Conclusão
Scott Pilgrim EX não tenta reinventar o gênero beat ‘em up, e talvez nem precise. O jogo entende perfeitamente sua proposta: oferecer uma aventura rápida, divertida e repleta de nostalgia.
Com combate sólido, estilo visual marcante e uma trilha sonora excelente, ele se torna uma experiência especialmente agradável para quem cresceu jogando clássicos do gênero.
Pode não ser revolucionário, mas é carismático, estiloso e extremamente divertido, e às vezes isso é exatamente o que um bom jogo precisa ser.
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