Review | Darksiders Warmastered Edition: Guerra, apocalipse e um clássico que continua funcionando 

Misturando combate brutal, exploração e o peso de um mundo em ruínas, Darksiders prova porque continua sendo um dos action adventures mais subestimados da geração PS3/Xbox 360

Misturando combate brutal, exploração e o peso de um mundo em ruínas, Darksiders prova porque continua sendo um dos action adventures mais subestimados da geração PS3/Xbox 360

Darksiders Warmastered Edition é um daqueles jogos que representam perfeitamente a era PlayStation 3/Xbox 360. Não apenas pela estética exagerada ou pelo foco em campanhas single-player grandes, mas principalmente pela forma como ele pega várias inspirações conhecidas e transforma tudo em uma experiência extremamente divertida.

Aqui existe um pouco de tudo: exploração no estilo Zelda, combate hack and slash claramente inspirado em God of War, puzzles ambientais, plataformas e até momentos que lembram Shadow of the Colossus. Em teoria, poderia soar como uma mistura sem identidade própria. Na prática, funciona muito melhor do que deveria.

Mesmo tantos anos depois do lançamento original, Darksiders continua sendo um action adventure absurdamente competente.

Guerra continua sendo um protagonista excelente

A história acompanha Guerra, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, acusado de iniciar o fim do mundo antes da hora certa. Após a destruição da Terra e o colapso do conflito entre Céu e Inferno, ele retorna enfraquecido para descobrir quem realmente armou toda a conspiração.

A trama em si é relativamente simples, mas o universo criado pela Vigil Games é tão estiloso que consegue sustentar tudo praticamente sozinho. O jogo inteiro possui aquela energia de HQ dos anos 90. Armaduras gigantes, espadas absurdamente grandes, criaturas demoníacas grotescas e anjos com visual ameaçador.

E Guerra ajuda muito nisso. O protagonista possui uma presença absurda durante toda a campanha. Seu visual intimidador, a voz pesada e a postura constantemente séria fazem dele um personagem extremamente marcante. Mesmo sem possuir uma personalidade muito complexa, ele funciona perfeitamente dentro daquela atmosfera épica e exagerada que o jogo tenta construir.

Créditos: Divulgação

O mapa do jogo continua incrível até hoje

Uma das coisas que mais me chamou atenção em Darksiders foi como o mapa ainda funciona muito bem. A Terra destruída apresentada pelo jogo tem personalidade. As áreas passam constantemente aquela sensação de decadência pós-apocalíptica, com cidades destruídas, prédios abandonados, túneis subterrâneos, catedrais gigantescas e criaturas infernais espalhadas por todos os lados.

Mesmo sendo um jogo relativamente antigo, o mundo parece vivo dentro da proposta semi aberta criada pela Vigil Games. Existe um prazer muito grande em simplesmente em explorar os cenários, encontrar caminhos escondidos, desbloquear atalhos e revisitar áreas antigas após conseguir novos poderes. É impossível não perceber o quanto Darksiders bebe diretamente da estrutura clássica de Zelda.

Na verdade, boa parte do jogo funciona exatamente como um grande dungeon crawler moderno.

Créditos: Divulgação

Zelda encontra God of War

O loop principal do gameplay continua excelente. Cada nova dungeon introduz mecânicas inéditas, quebra-cabeças ambientais e equipamentos que expandem a exploração do mapa.

Esse talvez seja o maior diferencial de Darksiders em comparação com outros hack and slash da época: ele não depende apenas do combate para sustentar a experiência. Ainda, existe um equilíbrio muito bom entre exploração, resolução de enigmas, plataformas e batalhas. O jogo constantemente alterna entre essas ideias para evitar que a campanha fique repetitiva.

Quando o combate entra em cena, porém, ele continua extremamente divertido. Guerra transmite impacto em cada golpe. Seus ataques possuem peso, brutalidade e uma sensação de destruição constante muito satisfatória. Conforme novas habilidades vão sendo desbloqueadas, o combate vai ficando cada vez mais caótico e estiloso.

Não é um sistema tão profundo quanto Devil May Cry ou Ninja Gaiden, mas encontra um ótimo equilíbrio entre acessibilidade e espetáculo visual. Além disso, os chefes também continuam sendo um grande destaque. Boa parte deles aposta em escala gigantesca e momentos cinematográficos que ainda conseguem impressionar hoje.

Créditos: Divulgação

A Warmastered Edition melhora bastante a experiência

A Warmastered Edition provavelmente é uma das melhores formas de jogar Darksiders atualmente.

Os 60 FPS deixam o combate muito mais fluido, os loadings são rápidos e toda a movimentação do jogo se beneficia bastante do hardware mais atual. A responsividade geral melhora muito em relação às versões antigas.

Visualmente, obviamente existem limitações de um jogo originalmente lançado em 2010. Algumas texturas são simples, certas animações faciais envelheceram mal e parte da direção de câmera denuncia bastante a geração PS3.

Ainda assim, a direção de arte continua carregando o visual nas costas. Mesmo hoje, muitos cenários possuem uma identidade extremamente forte.

Créditos: Divulgação

Nem tudo envelheceu tão bem

Apesar disso, alguns problemas ficam bem mais evidentes atualmente. As seções de plataforma podem ser frustrantes em determinados momentos, principalmente por conta da movimentação um pouco dura durante escaladas e pulos mais precisos. A câmera ocasionalmente também atrapalha durante as batalhas em ambientes fechados.

Além disso, existe certa repetição em parte dos inimigos comuns, especialmente nas horas finais da campanha.

Outro aspecto que pode incomodar algumas pessoas é justamente o quanto Darksiders se inspira descaradamente em outras franquias. Em alguns momentos, parece quase uma colagem de mecânicas conhecidas. Felizmente, o jogo possui personalidade suficiente para transformar todas essas influências em algo próprio.

Conclusão

Darksiders Warmastered Edition pode ser considerado um dos action adventures mais divertidos da geração PS3/Xbox 360. Pode não reinventar nada, mas mistura combate brutal, exploração inteligente, puzzles e ambientação apocalíptica de uma maneira extremamente eficiente. É aquele tipo de jogo “videogame raiz”, focado em campanha single-player, progressão constante e chefes gigantescos.

Mesmo após tantos anos, continua fácil entender por que Darksiders conquistou uma base tão apaixonada de fãs. E honestamente? Como alguém que só tinha jogado o Darksiders 3 antes desse, essa versão me pegou e deixou claro como essa franquia merecia muito mais reconhecimento do que recebeu na época e merece um jogo novo que faça jus a qualidade do universo.

Darksiders Warmastered Edition está disponível para PlayStation 4 e PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Wii U e PC.

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