Imagem de divulgação: Conecta Geek

Review | Yoshi and the Mysterious Book mostra o lado mais criativo da franquia no Nintendo Switch 2

Desde seu primeiro jogo próprio, lá no Nintendo 64 com Yoshi’s Story, os jogos do dinossaurinho, ou companheiro do Mario, sempre seguiram uma fórmula mais infantilizada, focada principalmente em jogadores novatos em qualquer console. Com sua nova aventura no Nintendo Switch 2, Yoshi and the Mysterious Book reforça totalmente essa proposta, só que agora de uma forma muito mais criativa, apostando forte na exploração e na interação com o ambiente.

Brincando de explorar

Em Yoshi and the Mysterious Book, começamos acompanhando Bowser Jr. e Kamek atrás de um livro misterioso. Durante a busca, os dois acabam perdendo o objeto e caindo em uma ilha desconhecida, justamente o lugar onde vivem os Yoshis. Ao chegar lá, descobrimos que o livro se chama Mr. E, e o principal objetivo da aventura é ajudar a catalogar todas as espécies de criaturas presentes dentro dele.

A sensação de descoberta aparece logo no momento em que escolhemos uma fase. Ao abrir o livro, cada mundo é representado como um capítulo ocupando duas páginas inteiras, recheadas de desenhos da ilha e das criaturas presentes naquele cenário. Para iniciar uma fase, basta pegar a lupa, passar sobre a criatura desejada e selecionar.

As fases fogem bastante da estrutura tradicional de plataforma, onde normalmente seguimos do ponto inicial até o final do percurso. Aqui, tudo o que fazemos pelo caminho vai sendo registrado nas páginas do livro, como se estivéssemos documentando o comportamento das criaturas. Podemos pular nelas, arremessar, tentar engolir ou interagir de várias outras formas, e cada ação gera uma nova descoberta.

Essas descobertas rendem estrelas. Grande parte delas entrega uma ou duas estrelas, enquanto a descoberta principal normalmente garante três. Cada criatura possui formas específicas de conclusão, incentivando bastante a experimentação.

Reprodução: Paulo Vitor

Outro colecionável presente no jogo são as famosas flores já conhecidas pelos fãs da franquia Yoshi. Com elas, podemos comprar itens de exploração, embora esses itens só possam ser utilizados após finalizar a campanha principal.

Ao terminar cada fase, o livro pede para escolhermos o nome da criatura descoberta, e ela permanecerá com esse nome pelo restante da aventura. Caso você não queira perder tempo batizando cada uma manualmente, é possível pedir sugestões ao próprio Mr. E. E aqui entra um dos detalhes mais carismáticos do jogo: a criatividade absurda da localização em português.

Uma combinação de arte com jeitinho brasileiro

A tradução oficial para o português talvez seja um dos pontos mais fortes de Yoshi and the Mysterious Book. Como o Mr. E sugere nomes para todas as criaturas, o trabalho de adaptação conseguiu criar várias piadas e trocadilhos que fazem sentido com as características de cada espécie.

Além disso, expressões comuns do nosso cotidiano também foram adaptadas para combinar com o universo de um livro. Frases como “Pelas barbas do profeta”, “Pelo amor de Deus” e “Meu Deus” recebem versões reescritas que encaixam perfeitamente dentro da proposta do jogo. São pequenos detalhes que deixam os diálogos muito mais naturais e divertidos.

Reprodução: Paulo Vitor

Na direção de arte, o jogo lembra bastante o que vimos em Super Mario Wonder, misturando elementos que também remetem à série Paper Mario. Os cenários inteiros parecem feitos de papel, com cores extremamente vivas nas áreas mais animadas, transmitindo uma sensação de calma constante enquanto jogamos.

Reprodução: Paulo Vitor

A trilha sonora acompanha bem essa proposta mais tranquila. São músicas leves e relaxantes, daquelas que ficam na cabeça justamente por repetirem bastante durante as fases. A variedade não chega ao mesmo nível de outros jogos da Nintendo, contudo, as faixas cumprem muito bem o papel delas.

Desempenho constante e campanha curta

No desempenho, o jogo impressiona bastante no modo dock. Visualmente, ele é muito bonito, mantendo uma taxa de quadros extremamente fluida e estável o tempo inteiro, sem apresentar quedas perceptíveis. Já no modo portátil, senti uma pequena redução na resolução, com alguns serrilhados aparecendo na tela. Ainda assim, a performance continua constante e fluida durante toda a experiência.

A campanha principal possui uma duração relativamente curta. Levei menos de sete horas para ver os créditos finais. Porém, depois disso, novas ilhas são liberadas para exploração, aumentando um pouco mais o tempo de jogo.

Outro elemento que ajuda a prolongar a experiência são alguns eventos extras envolvendo criaturas já identificadas anteriormente. Em determinados momentos, balões começam a aparecer sobre elas, indicando que algo está errado. Ao revisitar essas fases, situações inéditas acontecem, e precisamos encontrar maneiras de resolver os problemas. Esse processo se torna essencial para quem pretende coletar todas as estrelas e flores do jogo.

Vale a pena?

Yoshi and the Mysterious Book entrega uma das aventuras mais bonitas que já vi no Nintendo Switch 2 até agora. Com uma direção de arte impecável, muito carisma e uma atmosfera extremamente leve, o jogo transmite perfeitamente aquele DNA clássico das produções da Nintendo.

Apesar da campanha curta e dos desafios relativamente simples, o jogo diverte bastante quem procura uma experiência mais leve e rápida. Além disso, também funciona como uma excelente porta de entrada para crianças ou jogadores com pouca experiência em videogames.

Agradecimento a Nintendo Brasil por nos fornecer uma cópia para review.

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