Review | Grind Survivors é competente em prender o jogador, mas com várias ressalvas

Mais uma cópia de Vampire Survivors?

Mais uma cópia de Vampire Survivors?

Não é exagero dizer que o mercado ficou inundado de jogos inspirados em “Vampire Survivors” nos últimos anos. Alguns tentam copiar a fórmula quase sem mudanças, enquanto outros procuram adicionar sistemas próprios para se destacar. Grind Survivors faz parte desse segundo grupo.

Desenvolvido pela Pushka Studios, o game traz a tradicional sobrevivência contra hordas intermináveis de inimigos com elementos de loot que lembram “Diablo”. Grind Survivors está disponível desde março nas plataformas PC, PS5 e Xbox Series.

Passei boas horas jogando e posso dizer que encontrei uma experiência divertida, capaz de prender, mas que também apresenta alguns problemas que acabam limitando seu potencial. Sem mais enrolação, confira tudo o que achei de Grind Survivors nesta review completa:

Esta review de Grind Survivors foi realizada na versão de PlayStation 5 do game, com uma chave cedida pela Assemble Entertainment.

Uma fórmula conhecida que continua funcionando

A estrutura básica de Grind Survivors não deve surpreender ninguém que já tenha jogado algum representante do gênero.

Você entra em uma arena, enfrenta centenas de inimigos, coleta experiência, sobe de nível e escolhe melhorias para seu personagem. Nos primeiros minutos tudo parece relativamente simples, mas não demora muito para a tela ficar completamente tomada por projéteis, explosões, habilidades automáticas e dezenas de criaturas tentando encurralar você.

Foi justamente essa sensação de crescimento constante que mais me agradou durante as partidas. Existe algo bastante satisfatório em começar praticamente indefeso e, poucos minutos depois, transformar seu personagem em uma máquina de destruição capaz de eliminar grupos inteiros de inimigos sem sequer precisar mirar.

Quem conhece Vampire Survivors vai se sentir imediatamente em casa. Os dois compartilham uma abordagem muito parecida, com foco em habilidades ativas e construções de personagem que podem atingir níveis absurdos de poder.

O sistema de loot é o grande diferencial

Se existe um aspecto que realmente me fez continuar jogando mesmo depois das primeiras horas, foi o sistema de equipamentos.

Diferente de muitos jogos do gênero, Grind Survivors não depende apenas das melhorias obtidas durante cada partida. As armas encontradas podem possuir diferentes raridades, atributos e características específicas, criando uma sensação de progressão que continua existindo mesmo após uma derrota.

Passei bastante tempo experimentando a forja e tentando melhorar os atributos das armas que mais utilizava. É um sistema relativamente simples, mas que adiciona uma camada interessante à experiência.

Também gostei bastante dos bônus cumulativos. Algumas melhorias podem continuar crescendo ao longo da partida, criando situações em que o personagem alcança níveis absurdos de eficiência. Em determinados momentos, eu já não conseguia acompanhar tudo o que estava acontecendo na tela. Havia explosões surgindo em todas as direções, projéteis atravessando hordas inteiras de inimigos e números aparecendo por toda parte.

O modo infinito aproveita muito bem essa característica. Depois de concluir os objetivos principais, grande parte da diversão passa a ser tentar sobreviver por mais tempo e alcançar pontuações cada vez maiores.

O combate funciona, mas a progressão me incomodou

Apesar de ter gostado bastante da jogabilidade, algumas decisões de design acabaram me frustrando durante a análise. O principal problema está na forma como o conteúdo é desbloqueado.

Para liberar o segundo mapa, por exemplo, precisei concluir o primeiro em cinco níveis de dificuldade diferentes. Isso consumiu aproximadamente dez horas de jogo. O segundo personagem também leva bastante tempo para ser desbloqueado, assim como várias armas mais interessantes.

Em diversos momentos tive a sensação de que o jogo estava escondendo seu melhor conteúdo por trás de uma quantidade excessiva de repetição.

Isso é especialmente estranho porque a base da experiência funciona muito bem. Eu queria experimentar novas classes e novas estratégias, mas frequentemente precisava repetir conteúdos já conhecidos antes de acessar qualquer novidade relevante.

A variedade também poderia ser maior. Existem apenas quatro classes e três mapas disponíveis atualmente. Além disso, após algum tempo comecei a perceber que certas melhorias eram importantes demais para o sucesso das partidas.

Algumas combinações simplesmente pareciam muito superiores às demais, o que acabou reduzindo um pouco a liberdade na hora de criar builds.

Alguns problemas técnicos também aparecem

Durante os testes encontrei alguns problemas técnicos pontuais. Nada que tenha tornado o jogo injogável, mas houve situações em que menus de seleção de habilidades não funcionaram corretamente durante uma partida. Como Grind Survivors exige atenção constante, qualquer falha desse tipo acaba sendo mais perceptível do que deveria.

Felizmente, esses problemas foram relativamente raros e não chegaram a comprometer minha experiência de forma significativa.

Considerações finais

Finalizo esta review de Grind Survivors cravando que, depois de muitas horas enfrentando demônios e experimentando armas terminei o game com uma impressão positiva.

O combate é divertido, o sistema de loot adiciona uma camada interessante de progressão e existe aquela clássica sensação de “só mais uma partida” que costuma definir os melhores jogos desse gênero.

Por outro lado, a falta de variedade e a lentidão para liberar novos conteúdos acabaram segurando parte do meu entusiasmo ao longo da jornada. Em vários momentos tive a sensação de que o jogo possuía mais a oferecer, mas demorava demais para mostrar essas novidades.

Ainda assim, continuei voltando para novas partidas mesmo depois de identificar esses problemas. Isso, por si só, já diz bastante sobre a qualidade da jogabilidade criada pela Pushka Studios.

Grind Survivors talvez ainda não alcance o mesmo nível dos principais nomes do gênero, mas entrega uma experiência divertida e possui uma base sólida para evoluir com futuras atualizações.

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Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.