Lançado no dia 15 de julho pela ACE Team e distribuído pela Nacon, The Mound: Omen of Cthulhu é um jogo chileno de terror e sobrevivência cooperativo para até quatro jogadores.
O título apareceu recentemente em eventos de games com trailers que destacavam uma ambientação sombria, misturando florestas densas com uma forte inspiração lovecraftiana. Soma-se a isso uma proposta em que o som parece ter papel central na jogabilidade — algo que, de cara, chamou atenção.
A promessa era de uma experiência cooperativa diferente. E, sendo direto: o jogo entrega isso. Mas não sem tropeços importantes no caminho.
Uma expedição movida pela ambição
A história se passa no século XVII, quando um grupo de conquistadores espanhóis se aventura por uma selva misteriosa na América do Sul em busca de riquezas.
Logo no início, o jogador escolhe um personagem — cada um com seu próprio background dentro da lore. Apesar de não impactarem tanto a jogabilidade, esses detalhes ajudam a dar mais contexto à experiência.
Ignorando completamente qualquer bom senso, o grupo parte em direção a uma estrutura antiga conhecida apenas como The Mound (O Monte), onde supostamente estão escondidos tesouros lendários.
O preparo é tão importante quanto a exploração
Antes de cada missão, o jogador passa por um momento essencial a bordo de um galeão, que funciona como base de operações.
É ali que tudo acontece: escolha de contratos, gerenciamento de recursos, seleção de equipamentos e definição dos objetivos da próxima run. Esse pré-jogo não é só um detalhe — ele praticamente define suas chances de sucesso.
Também é possível aprimorar armas e adquirir itens de suporte, como ferramentas para localizar tesouros ou iluminar o caminho. Essas decisões estratégicas fazem diferença lá na frente.

Quando o som vira ameaça e a loucura é o grande destaque
Um dos elementos mais interessantes do jogo é a forma como o som influencia diretamente a gameplay. Aqui, fazer barulho tem consequências reais. Armas de fogo, armaduras pesadas ou qualquer descuido podem atrair inimigos. Isso força o jogador a pensar duas vezes antes de agir, criando uma tensão constante durante a exploração.
Se tem algo que realmente diferencia The Mound, é sua mecânica de sanidade. A floresta é habitada por mortos-vivos, cultistas e horrores cósmicos inspirados na obra de H.P. Lovecraft. Mas o perigo não vem só do que está ao redor — ele vem também da mente do próprio jogador.
Sem qualquer barra ou indicador, a loucura se instala de forma gradual. Você começa a ver coisas que não existem, inimigos podem assumir a aparência dos seus aliados, e até as vozes no chat podem ser imitadas. Isso transforma completamente a dinâmica do jogo. A comunicação, que deveria ser um ponto de apoio no cooperativo, passa a ser motivo de dúvida.
Outro detalhe importante: quanto mais distante você estiver do grupo ou do carroceiro — um NPC que acompanha as runs e funciona como suporte — mais rápido sua sanidade se deteriora. Esse sistema é, sem dúvida, o maior acerto do jogo. Ele adiciona uma camada de tensão constante e eleva muito o nível de imersão.

Um loop funcional… até certo ponto
A estrutura de gameplay segue um ciclo bem definido: preparar a missão, entrar na floresta, cumprir objetivos, coletar recursos e extrair. Funciona inicialmente, mas, com o tempo, começa a dar sinais de desgaste.
A sensação de repetição aparece principalmente pela pouca variedade de mapas e inimigos. Em vários momentos, parece que você está jogando versões diferentes do mesmo ambiente.
Além disso, algumas decisões de design podem frustrar. O inventário limitado no início, por exemplo, segura demais o jogador. Já o sistema que faz equipamentos aparecerem e sumirem entre runs enfraquece a sensação de progressão, principalmente quando você investe em melhorias.
Combate (o ponto mais fraco), Progressão e dificuldade
Se por um lado o jogo brilha na ambientação e nas ideias, o combate acaba ficando para trás. A falta de polimento é perceptível: movimentação travada, ausência de uma mira clara e problemas de responsividade impactam diretamente a experiência. Para quem está acostumado com jogos mais refinados nesse aspecto, isso pode incomodar bastante.
O sistema de progressão é simples, mas funciona. Ao completar contratos e coletar tesouros, o jogador ganha XP, sobe de rank e desbloqueia novos equipamentos e melhorias. A evolução é constante e relativamente rápida, o que ajuda a manter o engajamento.
Já a dificuldade é outro ponto marcante. O jogo não pega leve — e claramente foi pensado para ser jogado em grupo. Jogar sozinho é possível, mas pode se tornar uma experiência bem mais frustrante.

Técnico e fator replay
Durante a minha experiência, não tive problemas com servidores, o que é sempre um ponto positivo em jogos cooperativos. Por outro lado, alguns bugs apareceram, principalmente em animações, como ao subir escadas. Nada que quebre o jogo, mas que reforça a sensação de falta de polimento.
Sobre o fator replay, existe um alerta: depois de algumas horas, o jogo pode se tornar repetitivo. Com amigos, isso é amenizado. Sozinho, pesa bem mais.

Pontos fortes que gostei:
- Ambientação
- Temática lovecraftiana
- Mecânicas implementadas com personalidade
- Design de Som
Pontos negativos a destacar:
- Combate pouco polido
- Movimentação possui bugs
- Responsividade abaixo do esperado
- Falta de alguns polimentos gerais na interface
Veredito
The Mound: Omen of Cthulhu é um jogo com personalidade — algo que nem sempre vemos na indústria hoje. Ele acerta em cheio na ambientação, na proposta e, principalmente, na mecânica de loucura, que realmente traz algo diferente para o gênero. Por outro lado, falha em aspectos importantes como combate, variedade e polimento geral.
No fim das contas, é uma experiência que funciona muito melhor em grupo. Para quem tem amigos dispostos a encarar a jornada, pode render boas horas de diversão. Já para quem prefere jogar solo, a experiência tende a ser mais limitada e, em alguns momentos, frustrante.
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