Review | Hot Wheels: Infinite Rush leva a série para o mundo aberto

A Milestone vinha fazendo um trabalho interessante com a franquia Hot Wheels. Seus dois jogos anteriores, Unleashed e Unleashed 2: Turbocharged, tinham propostas mais conservadoras, funcionando como jogos de corrida em circuitos fechados, nos quais apenas escolhemos o campeonato que queremos disputar.

Reprodução: Paulo Vitor

Agora, em seu terceiro jogo, a Milestone aposta em uma fórmula um pouco mais livre, com um mundo aberto para explorarmos cada canto e participarmos das atividades espalhadas pelos mapas, sejam corridas principais ou até mesmo desafios rápidos.

Em Hot Wheels: Infinite Rush, temos ao todo quatro mapas diferentes, cada um deles com biomas próprios:

  • Wheelswood: ilha urbana com arranha-céus e ruas movimentadas.
  • Tentacle Bay: cenário costeiro e natural com parque arqueológico.
  • Gearville: deserto industrial com desfiladeiros e maquinário pesado.
  • Drifty Temples: estética do leste asiático, com templos antigos, cerejeiras e neon.

Cada um dos mapas tem um visual diferente dos demais, além de suas próprias características para percorrermos cada região. Drifty Temples, por exemplo, é muito concentrada em curvas, principalmente nas montanhas, o que faz com que a locomoção pelo mapa leve mais tempo.

Colecionáveis e atividades espalhadas pelo mapa

Em todos os mapas, contamos com três tipos de colecionáveis: os emblemas da logo Hot Wheels, adesivos que ficam escondidos entre os prédios e que coletamos por meio do modo foto e, por último, as engrenagens, que são as mais difíceis de encontrar.

Os emblemas e os adesivos contam com dez unidades de cada em cada mapa. Já as engrenagens são 300 ao todo, sendo o principal desafio para quem busca completar toda a coleção.

Reprodução: Paulo Vitor

Além das corridas principais, temos diversas atividades secundárias espalhadas pelos mapas, com coisas como levar um carro até a concessionária sofrendo o menor dano possível, desafios de velocidade média, desafios de drift e até mesmo desafios de fotos. Neles, devemos nos posicionar em um determinado ponto de interesse usando algum carro específico solicitado pelo jogo, entre outras atividades.

Essas atividades secundárias estendem bem a duração do jogo. Mesmo sendo provas rápidas em sua grande parte, vale a pena realizá-las para completar a coleção de carrinhos Hot Wheels.

Outro evento que aparece aleatoriamente no mapa é chamado de Daredevil. Nele, nos aproximamos do carro marcado no mapa e somos chamados para um “racha”. Essas corridas são bem rápidas e, caso vençamos, ganhamos o carrinho para a nossa coleção.

Ao todo, podemos coletar 12 desses carrinhos em cada mapa, sendo um deles o que chamamos de Super Treasure Hunt, nomenclatura utilizada no mundo real para identificar carrinhos raros.

Falando em coleção, não podemos deixar de lado os carrinhos que temos aqui. Ao todo, podemos desbloquear até 150 deles, cada um com atributos diferentes para atender a cada estilo de jogo, além de podermos desbloquear modificadores para melhorá-los.

Jogabilidade continua próxima de Unleashed

A jogabilidade sofreu poucas mudanças em relação aos jogos Unleashed, porém continua bem fluida e fácil de controlar os carrinhos. A diferença aqui é que temos quatro estilos de carros diferentes, entre os quais podemos alternar a qualquer momento no mundo aberto usando apenas um botão.

Reprodução: Paulo Vitor

No mundo aberto, podemos escolher entre quatro estilos de carros:

  • Versatile: equilíbrio entre velocidade, controle e força.
  • Speeder: focado em velocidade máxima; o boost carrega em altas velocidades.
  • Drifter: foco em curvas e manuseio preciso; o boost carrega ao derrapar.
  • Titan: força bruta e recarga rápida de boost, mas esvaziar a barra reduz a velocidade temporariamente.

Para cada pista do modo campanha, só podemos correr com o estilo que ela define para aquela prova. Aqui, o jogo soube dosar bem a distribuição, já que não tive a sensação de estar jogando somente com a mesma categoria o tempo todo. Além disso, todas são bem tranquilas de dominar.

Já a estrutura do modo carreira é simples e direta: percorremos o caminho até a pista, escolhemos a prova e jogamos normalmente. Conforme vamos vencendo, desbloqueamos novas corridas dentro da pista, que oferecem diferentes recompensas, como moedas Rush e outra moeda especial para ser gasta na loja secreta.

A progressão na campanha é baseada na coleta de coroas nos eventos principais. Precisamos cumprir somente o objetivo principal de cada evento para acumulá-las até determinada quantidade, que inicialmente é de 15.

Ao coletarmos a quantidade necessária, desbloqueamos uma corrida contra os Rush Squad, que seriam os “chefões” da ilha. Ao chegar nesse ponto, liberamos uma nova pista para correr contra eles e, caso vençamos, ficamos com o carrinho do Rush Squad para a nossa coleção.

Reprodução: Paulo Vitor

Nas pistas, não temos somente as provas de corrida tradicionais. Aqui, encontramos uma variedade de modalidades para não cairmos tão facilmente na repetição. Temos, por exemplo, um modo de resta um, no qual os últimos colocados são eliminados conforme o tempo passa. Também há provas de tempo, que são bem fáceis de concluir dentro do limite estabelecido, provas de drift e até mesmo uma modalidade na qual precisamos alcançar determinada pontuação acertando os pneus que aparecem pelo cenário.

Na progressão, o jogo não nos prende inicialmente a uma única linha para depois liberar outra. Para desbloquear novas corridas que oferecem coroas, precisamos correr nos outros mapas e coletar as coroas disponíveis por lá.

Ao coletarmos as 15 coroas em cada mapa, ficamos livres para fazer quantas corridas quisermos nas regiões. Ao todo, coletamos 50 coroas por mapa, o que resulta em 200 corridas para finalizar a campanha.

Levei cerca de 20 horas para concluir todas elas, e esse tempo aumenta bastante ao realizarmos as atividades secundárias, principalmente na busca pelas engrenagens.

Além desses modos, o jogo conta também com um multiplayer simples, no qual temos corridas normais e ranqueadas. A cada corrida finalizada, a sala inteira participa de uma votação para escolher a próxima pista.

Fora o online, o jogo conta com um modo multiplayer local, o que é uma boa opção para jogar com um amigo.

Track Builder continua sendo um dos destaques

Um dos pontos fortes dos seus antecessores está de volta aqui: o Track Builder. Nesse modo, podemos construir nossas próprias pistas e disponibilizá-las para a comunidade jogar.

A variedade de itens para construção é enorme. Quem tem uma grande imaginação pode criar pistas até mesmo melhores que as originais do jogo.

Durante toda a minha experiência, tive alguns problemas relacionados ao desempenho do jogo, principalmente com o carregamento de texturas. Em cada corrida que iniciava, era possível ver claramente o carrinho borrado, enquanto suas texturas demoravam para carregar.

Isso fica ainda mais nítido quando voltamos para o mundo aberto, já que todo o mapa permanece em baixa resolução por um tempo.

O que mais me incomodou foi o tempo de carregamento necessário para mudar de mapa. Eles não chegam a ser longos, mas poderiam ser carregados de uma maneira mais dinâmica. Quando trocamos de região, aparece uma tela de carregamento com o nosso carrinho simplesmente voando.

Por fim, há um bug de áudio quando damos zoom no mapa e o fechamos rapidamente. O som do zoom fica sendo reproduzido em praticamente todo lugar que visitamos, o que pode irritar bastante os jogadores.

A maneira mais fácil de resolver isso é abrir o mapa novamente e fazer o zoom. O áudio desaparece automaticamente.

Vale a pena?

Hot Wheels: Infinite Rush cumpre bem seu papel ao propor um jogo de mundo aberto sem exagerar no tamanho dos mapas. O jogo pode entreter bastante a galera mais jovem, que busca jogar algo diferente e que não exija uma alta curva de aprendizado.

Já para os novatos, recomendo que, caso decidam jogar, iniciem diretamente na dificuldade difícil para evitar o tédio de ganhar todas as corridas com facilidade.

Agradecimento a Milestone por nos fornecer uma cópia para review.

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