Consenso não existe, mas se tem algo próximo disso, é a frustração coletiva de quem assistiu “Mortal Kombat” (2021) e terminou o longa sem ter, de fato, o torneio que confere título do longa. Mortal Kombat 2 chega aos cinemas – lembrando que o antecessor não chegou as telonas devido ao período pandêmico – cinco anos depois para entregar o que todos esperávamos: o torneio entre a Exoterra e o Plano Terreno.
Simon McQuoid volta a direção, mas com uma abordagem muito diferente dessa vez. O filme, baseado na franquia dos games, está realmente interessada em emular os jogos, traduzir essa linguagem para o cinema e trazer referências aos cenários e da icônica sonoplastia da série. Isso certamente agradará muitos fãs, e, sendo honesto, algumas dessas inserções e ideias, são, de fato, bem adaptadas. O problema, talvez, seja simplificar tanto ao ponto de tornar o longa esquecível, ainda que ele seja uma diversão sincera conforme sua simplória proposta.
O longa começa com um flashback, que serve para entendermos a relação entre Kitana (Adeline Rudolph) e o antagonista Shao Kahn (Martyn Ford), bem como o nível de perigo do imperador da Exoterra. Em seguida voltamos ao ponto exato onde o primeiro filme termina, na preparação do torneio.

Para os nostálgicos, Mortal Kombat 2 não se aproxima das histórias dos jogos mais recentes, aos quais possuem histórias com alguma elaboração para além do torneio. Na verdade, o roteiro de Jeremy Slater (“Cavaleiro da Lua”), busca esse imaginário dos anos 90. A maior representação disso é o personagem Johnny Cage interpretado por Karl Urban. No filme, ele é uma estrela do passado em decadência. Ainda é um arrogante que vive do passado, mas ele já sofreu o bastante para sentir frequentemente que é uma fralde.
Voltando ao ponto do consenso que começa essa crítica, o protagonista inédito do primeiro filme, Cole Young (Lewis Tan), foi um dos principais alvos das críticas, seja por ele tirar espaço de personagens marcantes da franquia, como por sua falta de carisma. Entendendo que a aposta não deu certo, Young têm uma participação discretíssima no filme, e seu momento mais marcante serve, na verdade, para dar peso para outro personagem.
Bem como nos jogos, são muitos personagens no filme e é até esperado que vários deles sejam pouco explorados; e é exatamente o que acontece aqui. A ideia de não ter um protagonista definido, algo que fica dividido entre Cage e Kitana foi um acerto, que deu até mesmo mais importância narrativa para outros personagens menos carismáticos, como o caso de Liu Kang (Ludi Lin). Lin protagoniza algumas das melhores cenas de ação, mas ele, definitivamente, é um dos atores mais limitados do longa.

Por falar em cenas de ação é aqui que se encontra o maior ponto de intersecção do longa. Elas são muitas, sejam as que acontecem no torneio, como as que permeiam entre ele. O problema reside na falta de uma grande cena memorável de ação, algo que tornou o filme dos anos 90 num clássico.
Não estou falando que elas são ruins, longe disso, são bem coreografadas e há um nível alto de violência gráfica, remetendo aos fatalitys dos jogos, mas talvez sua estrutura, tenha atrapalhado. São cenas de ação atrás da outra. Não há preparação, são como nos jogos, os lutadores vencem um confronto e vão subindo o nível até o final do torneio.

Entre as adaptações live-action, Motal Kombat 2 parece transitar entre os precativos do ótimo “Mortal Kombat” (1995) e os problemas de “Mortal Kombat – A Aniquilação”. Mas, no fim, ele é o filme que seu antecessor, agora posicionado como um prelúdio, prometeu ser: um filme de um torneio mortal, com muita ação e violência e isso seja suficiente para quem busca uma diversão que dure apenas um round.
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