Review | RuneScape: Dragonwilds é um bom jogo de RPG e sobrevivência

Jogo acerta na exploração e sobrevivência, mas tropeça no combate simples e na repetição de inimigos

Jogo acerta na exploração e sobrevivência, mas tropeça no combate simples e na repetição de inimigos

A franquia RuneScape já possui uma longa história dentro dos RPGs, mas RuneScape: Dragonwilds aposta em uma proposta diferente ao levar esse universo para o gênero de sobrevivência. Em vez de simplesmente repetir a fórmula tradicional da série, o jogo coloca o jogador em um mundo aberto onde explorar, coletar recursos, construir sua própria base e sobreviver fazem parte da rotina. E, no geral, essa mistura funciona bem.

Dragonwilds é um jogo divertido, principalmente quando consegue colocar o jogador dentro daquele ciclo clássico dos survival: sair para explorar, encontrar recursos, voltar para a base, construir alguma coisa nova e então partir novamente em busca de materiais melhores.

Uma história que serve como guia para a aventura

A história de RuneScape: Dragonwilds gira em torno de uma ameaça ligada aos dragões e coloca o jogador em uma jornada por Ashenfall, uma região que precisa ser explorada enquanto você tenta entender o que está acontecendo e sobreviver aos perigos do lugar.

A narrativa apresenta personagens, acontecimentos e objetivos que ajudam a conduzir a aventura, mas existe uma diferença importante na forma como ela funciona dentro da experiência: a história não parece ser o grande motivo para jogar Dragonwilds.

E, sinceramente, não acho que isso seja necessariamente um problema.

A narrativa funciona muito mais como um fio condutor para justificar aquilo que o jogador realmente vai passar a maior parte do tempo fazendo. Você recebe uma missão, vai até determinado lugar, encontra novos recursos, aprende uma mecânica, constrói alguma coisa e segue para a próxima etapa.

É quase como se a campanha fosse um grande tutorial para ensinar ao jogador tudo o que ele precisa saber sobre aquele mundo.

A história serve para dar contexto à progressão e apresentar novos sistemas sem deixar que a experiência pareça apenas uma sequência de tarefas aleatórias. Enquanto você avança pela campanha, vai descobrindo novas regiões, materiais, possibilidades de construção e formas de evoluir seu personagem.

Por isso, quem chegar esperando uma narrativa complexa ou personagens extremamente desenvolvidos provavelmente vai encontrar uma experiência mais simples. Mas para um jogo que tem na sobrevivência, exploração e construção seus principais pilares, a história cumpre bem a função que parece ter sido proposta para ela.

No fim, Dragonwilds não precisa que sua história seja o principal atrativo porque o próprio mundo e os sistemas de gameplay conseguem carregar boa parte da experiência.

Um mundo que merece ser explorado

Um dos maiores acertos de RuneScape: Dragonwilds está justamente no seu mundo. O mapa é grande e apresenta uma boa variedade de regiões, com diferentes tipos de vegetação, biomas e características próprias. Essa diversidade faz com que explorar o cenário seja uma atividade interessante, principalmente porque sempre existe algum recurso ou material que pode ser útil para a progressão.

A direção de arte também ajuda bastante nesse aspecto. O jogo aposta em um visual cartunesco muito bem desenvolvido, que consegue dar personalidade aos cenários sem abrir mão de uma boa qualidade visual.

É um mundo bonito, e transmite aquela sensação de aventura que combina bastante com a proposta de RuneScape. Mesmo quando não existe necessariamente um grande objetivo naquele momento, simplesmente sair andando pelo mapa em busca de recursos pode ser bastante divertido.

Sobreviver, coletar e construir

Se existe uma área em que Dragonwilds realmente se destaca, é no seu sistema de sobrevivência e construção. A progressão acontece muito através da coleta de recursos. Você precisa sair pelo mundo atrás de madeira, lenha e outros materiais para conseguir fabricar novos itens, melhorar seus equipamentos e construir estruturas cada vez mais elaboradas.

Esse ciclo funciona porque existe uma evolução constante. No começo, determinados recursos parecem valiosos simplesmente porque são necessários para construir as primeiras ferramentas e estruturas. Conforme você avança, novos materiais passam a ser necessários e isso naturalmente incentiva a exploração de regiões diferentes do mapa.

Construir uma base em Dragonwilds é uma atividade extremamente prazerosa. Existe uma satisfação em começar com uma estrutura simples e, aos poucos, transformar aquele espaço em algo muito maior e mais organizado.

O sistema de construção acaba sendo um dos motivos que fazem você querer continuar jogando. Você sempre encontra alguma coisa que poderia melhorar na sua base ou algum recurso que precisa buscar para construir aquela próxima estrutura.

É nesse ponto que o lado RPG do jogo também funciona muito bem. A coleta de recursos não está ali apenas para preencher uma barra ou obrigar o jogador a perder tempo. Ela está diretamente ligada à progressão do personagem e à evolução da sua base.

Quando a base deixa de ser um lugar seguro

Outro elemento interessante são os ataques à sua base. Em determinados momentos, outros grupos podem aparecer e tentar invadir o seu espaço. Quando isso acontece de surpresa, a situação pode ser bastante divertida, justamente porque quebra a rotina da exploração e da construção.

De repente, você está preocupado com alguma tarefa e precisa voltar correndo para defender aquilo que construiu. Por outro lado, essa mesma mecânica pode ser frustrante quando o ataque acontece em um momento no qual você não está preparado. Se seus equipamentos e sua base ainda não estão preparados para lidar com a invasão, uma situação que deveria ser empolgante pode acabar se tornando um problema.

Ainda assim, gosto da ideia porque ela dá uma função maior para a construção. Sua base não é apenas um lugar bonito para guardar seus recursos. É também um espaço que precisa ser protegido.

O combate é o ponto mais fraco

Se a construção e a sobrevivência são os grandes destaques, o combate é justamente onde Dragonwilds deixa mais a desejar. As batalhas são um pouco engessadas e faltou uma polidez maior para deixar os confrontos realmente interessantes. Além disso, o sistema é bastante simples e não oferece tanta profundidade quanto outros elementos do jogo. O problema fica ainda mais evidente por causa da repetição dos inimigos.

Eles aparecem com bastante frequência durante a exploração e, como a variedade não é tão grande, os confrontos começam a ficar previsíveis. Depois de algum tempo, enfrentar os mesmos tipos de inimigos deixa repetidamente o jogo um pouco monótono.

Isso é uma pena porque o mundo oferece bastante espaço para criar situações de combate mais variadas. Uma maior diversidade de inimigos, comportamentos e desafios poderia fazer com que cada região tivesse uma identidade também nos confrontos.

Em muitos momentos, o combate acaba parecendo mais uma interrupção na exploração do que uma parte realmente interessante da aventura.

Um bom survival para quem gosta de Valheim

No fim das contas, RuneScape: Dragonwilds consegue entregar uma experiência divertida, especialmente para quem gosta da fórmula de jogos como Valheim.

O jogo encontra seus melhores momentos na exploração, na coleta de recursos, na progressão do personagem e, principalmente, na construção de bases. Existe um ciclo muito prazeroso entre sair para explorar, conseguir materiais, voltar para casa e usar tudo aquilo para melhorar sua estrutura e avançar ainda mais.

A história está presente para conduzir essa jornada, apresentar o mundo e introduzir novas possibilidades, mas não é necessariamente o motivo pelo qual você vai continuar jogando. Ela funciona mais como uma linha que conecta todos os sistemas do jogo, quase como um grande tutorial que vai apresentando a experiência aos poucos.

O combate, por outro lado, ainda parece ser uma das partes que mais precisam de evolução. A falta de variedade dos inimigos e a simplicidade dos confrontos acabam deixando algumas partes da aventura repetitivas.

Mesmo assim, Dragonwilds tem uma base bastante interessante. Seu mundo é bonito, a direção de arte cartunesca funciona muito bem e os sistemas de sobrevivência e construção conseguem sustentar boa parte da experiência.

Para quem gosta de survival com elementos de RPG, exploração e construção, especialmente fãs de jogos como Valheim, RuneScape: Dragonwilds é uma experiência que vale a pena conhecer. Ele ainda tem pontos que podem ser aprimorados, mas quando você está explorando o mundo, coletando recursos e construindo sua própria base, é fácil entender onde está o charme do jogo.

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apaixonado por games, cultura pop e boas histórias. Focado em análises críticas e reflexões sobre cultura pop/nerd em geral, busco ir além da superfície, explorando o impacto do entretenimento na cultura.