Marvel’s Wolverine deu o que falar quando suas primeiras impressões saíram um pouco antes do seu lançamento. Muito se falava dos problemas que o jogo tinha, mas esqueceram de mencionar que o jogo tem, sim, suas qualidades, e não são poucas.
Quando foi anunciado, fiquei com os pés atrás sobre como iriam adaptar o gameplay, já que o estúdio é bastante famoso pelos jogos do cabeça de teia, que utilizam uma abordagem mais de mundo aberto. Felizmente, isso não acontece aqui.
Wolverine segue uma estrutura totalmente linear e bem construída, onde cada passo que damos traz uma nova ação, seja em combates ou até mesmo em diálogos importantes. Em 90% do nosso caminho, será sempre uma linha reta, lembrando muito como eram os jogos na geração do PlayStation 3.
E, sinceramente, acho que essa decisão funciona melhor do que poderia parecer inicialmente. O jogo não tenta transformar Logan em uma versão de outro herói da Insomniac. Em vez disso, temos uma aventura mais controlada, na qual a equipe consegue determinar exatamente quando cada combate, cena ou momento de exploração deve acontecer.
O combate é a verdadeira estrela
O combate está extremamente visceral. Aqui, eles não tiveram nenhuma dó de deixar bem explícitos o sangue e a brutal violência de Logan retalhando seus inimigos, trazendo toda a característica dele para o jogo.
Além disso, temos um combate bastante simples de utilizar, onde podemos descer uma sequência de ataques seguidos com as garras, podendo chutar inimigos para afastá-los ou até mesmo derrubá-los de lugares altos. Outra mecânica que o Logan possui é a possibilidade de dar uma investida nos inimigos. Isso serve para, além de se aproximar dos alvos, alcançar lugares mais distantes através de um inimigo.

Também podemos aparar os ataques dos inimigos com o R1, o que chega a ser extremamente fácil a partir do momento em que pegamos o jeito. É necessário apenas tomar cuidado quando um golpe em vermelho aparecer, já que isso indica que o ataque não pode ser aparado.
O sistema funciona muito bem justamente porque não exige uma grande quantidade de comandos para entregar uma boa sensação de controle. Logan parece poderoso desde os primeiros combates, mas ainda existe espaço para aprender o tempo certo dos ataques, esquivas e aparadas.
E é muito satisfatório ver o personagem utilizando suas garras da maneira que esperamos. O jogo não tenta suavizar a violência do Wolverine, e isso faz bastante diferença para quem cresceu conhecendo o personagem principalmente por suas versões mais populares no cinema.
Aqui, Logan pode terminar uma luta completamente coberto pelo sangue dos inimigos, sofrer danos suficientes para deixar seu esqueleto de adamantium exposto e continuar avançando como se aquilo fosse apenas mais um dia de trabalho.
Uncharted com as garras do Wolverine
Um ponto que me chamou atenção em Marvel’s Wolverine é sua semelhança, em alguns pontos, com Uncharted 4: A Thief’s End, principalmente em alguns trechos em Madripoor, que lembram demais os cenários de Madagascar, onde ocorrem aquelas cenas de ação nível cinema.
Outra semelhança que notei e que mostra uma possível inspiração em Uncharted foi a forma como Logan escala alguns precipícios. Às vezes, sentia que estava jogando com Nathan Drake, mas é claro que Logan se diferencia por ter um impulso extremamente maior e conseguir subir bem mais rápido.

Essa comparação não acontece apenas pela escalada. Wolverine possui algumas sequências que parecem ter sido pensadas para funcionar como grandes cenas de ação, colocando o jogador no meio de situações que mudam constantemente.
Temos momentos envolvendo veículos, estruturas sendo destruídas, perseguições e confrontos maiores que quebram um pouco o ritmo tradicional das fases. São justamente essas partes que mostram como uma estrutura linear pode funcionar muito bem quando existe variedade suficiente.
Uma das sequências que mais gostei envolve um avião em uma situação completamente caótica. Em outro momento, temos uma missão de libertação que muda bastante a dinâmica do que estávamos fazendo até então. Também existe uma passagem em um cassino que traz uma atmosfera que lembra filmes de espionagem, além da infiltração em uma instalação ligada aos Sentinelas.
São momentos que mostram que a Insomniac não ficou presa apenas ao combate tradicional. O problema é que eu gostaria de ter visto ainda mais situações desse tipo durante a campanha.
O faro de Logan funciona melhor do que parece
Um ponto polêmico que rodou por toda a internet é como o jogo “pega na sua mão”, com o rastro aparecendo toda hora. Esse rastro, na verdade, é o faro que o Wolverine possui. Ou seja, é uma característica do personagem que serve para detectarmos inimigos e perigos ao nosso redor.

Com o faro, podemos localizar neutralizadores de poderes ou até mesmo alarmes específicos para mutantes, destruindo-os para não alertarmos vários inimigos de uma só vez. O rastro também serve para se guiar pelo cenário e se localizar, sim, mas houve algumas correções que tornaram a experiência mais orgânica.
O indicador do faro antes tinha um contorno muito maior, de um jeito que era para ser claro para todo mundo, mas acabou tornando a tela bastante poluída e trazendo a sensação de que o jogo estava te chamando de “burro” e pegando na sua mão para se guiar.
Com as novas atualizações, o rastro agora está bem mais discreto, como uma nuvem mais leve, que representa melhor que você está sendo guiado pelo cheiro. E depois de jogar o game completo, percebi que a presença desse recurso também foi bastante exagerada nas discussões sobre o jogo. Ele não fica aparecendo durante toda a campanha e nem transforma cada corredor em um caminho completamente automático.
Além disso, existe uma função prática para o faro. Não estamos simplesmente seguindo uma linha porque o jogo não sabe como nos ensinar para onde ir. Logan possui essa habilidade nos quadrinhos e em outras adaptações, então faz sentido que ela esteja representada como parte da jogabilidade.
O cheiro também pode ser utilizado para encontrar baús que contêm materiais, que servem para realizar a criação de novos trajes para o nosso protagonista. Alguns são bem interessantes para quem é fã dos quadrinhos, mas os trajes aqui não funcionam tão bem quanto em Spider-Man, que consegue dar outra personalidade para o personagem e fazer com que trocar de roupa seja uma parte mais divertida da experiência.
Uma campanha linear, mas com pouco conteúdo extra
A história segue uma abordagem mais direta ao ponto, onde o passado do Wolverine é pouco explicado, mas o suficiente para entendermos o comportamento do personagem. O jogo apresenta uma versão de Logan que ainda carrega diversas questões do seu passado, enquanto precisa lidar com novos acontecimentos envolvendo outros mutantes. A narrativa também trabalha com personagens conhecidos dos fãs dos X-Men, mas tenta construir sua própria versão desse universo.

Algumas revelações podem ser percebidas antes de acontecerem por quem já possui bastante conhecimento sobre os personagens, mas existem outras situações que conseguem surpreender. Gostei principalmente da forma como a campanha utiliza alguns elementos conhecidos do universo dos X-Men para preparar acontecimentos futuros. Não é uma história que vai revolucionar a maneira como enxergamos o personagem, mas consegue manter o interesse até o final.
Marvel’s Wolverine é um jogo com uma campanha razoavelmente boa. Em uma experiência jogada na dificuldade média, a campanha pode durar algo próximo de 16 horas.
Vale a pena?
No fim das contas, Marvel’s Wolverine consegue entregar uma experiência que funciona justamente por não tentar repetir a fórmula de Marvel’s Spider-Man. A campanha linear combina bem com a proposta, permitindo que a Insomniac controle melhor o ritmo e crie sequências de ação que colocam Logan no centro de momentos mais cinematográficos.
O combate também é um dos grandes acertos, principalmente pela forma como as garras, a regeneração e a violência fazem parte da experiência sem parecerem apenas elementos visuais. Mesmo com comandos simples, as lutas conseguem transmitir a força do personagem e ficam ainda melhores conforme aprendemos a utilizar aparadas, esquivas e investidas.
Existem problemas, principalmente na quantidade limitada de conteúdo extra e na sensação de que algumas das grandes sequências poderiam aparecer com mais frequência. Ainda assim, são pontos que não chegam a comprometer uma campanha que sabe exatamente o que quer ser.
Depois de todas as discussões envolvendo o jogo antes do lançamento, minha experiência com Marvel’s Wolverine acabou sendo mais positiva do que eu esperava. A Insomniac conseguiu construir uma aventura própria para Logan, sem transformar o personagem em uma simples versão do Homem-Aranha com garras. É uma campanha direta, violenta e com bons momentos de ação, que mostra que Wolverine consegue funcionar muito bem como protagonista de uma experiência mais linear.
Agradecimento a PlayStation Brasil por nos fornecer uma cópia para review.
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