Review | Tides of Tomorrow nos traz uma experiência online única e criativa de interação
Arte de capa | Conecta Geek

Review | Tides of Tomorrow nos traz uma experiência online única e criativa de interação

Desenvolvido pela DigixArt e distribuido pela THQ Nordic, Tides of Tomorrow é um jogo em primeira pessoa focado na narrativa, uma premissa um tanto curiosa e ambiciosa de interação entre os jogadores utilizando um multiplayer assíncrono, basicamente as escolhas que você faz no seu jogo, podem afetar também o jogo dos jogadores, com mudanças no comportamento de alguns NPCs, e até mudar um tanto radicalmente momentos de exploração e gameplay, um sistema um tanto complexo de se entender de primeira, mas que acaba fazendo mais e mais sentido à medida que o jogador mergulha nessa jornada.

Não é à toa que os desenvolvedores se inspiraram muito em como os jogadores interagem em jogos como “Dark Souls” e “Death Stranding”, onde o foco do multiplayer online está na forma que os jogadores se ajudam (ou atrapalham), e como eles usam o suporte de outros players a favor da exploração.

Um pano de fundo distópico com foco no meio ambiente

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Aqui controlamos uma espécie um tanto diferente de humanos chamados de Tidewalkers, em um mundo distópico completamente inundado, onde recursos de sobrevivência estão cada vez mais escassos de conseguir.

O maior problema aqui é a espécie de vírus conhecido como Plastemia, que, ao consumir completamente o corpo do hospedeiro, mata o ser vivo e o transforma em uma espécie de plástico, casando bem com a mensagem ambiental que o jogo quer passar, e a crítica à degradação ambiental que o plástico realiza em nosso mundo.

Um dos recursos que nos permite sobreviver aqui é o Ozen, uma espécie de bomba de oxigênio que restaura a nossa energia vital, e nos permite continuar vivendo. Com a escassez do Ozen, o mundo está perdendo mais e mais população a cada momento, a um ponto alarmante que nos deixa bem próximos da extinção.

Os Tidewalkers têm uma importância grande nesse mundo, de acordo com Nahe – filha do líder de uma facção conhecida como Mystics, estamos destinados a acabar com o problema da Plastemia e salvar o mundo, e é nesse pano de fundo que vamos nos adentrando mais e mais no mundo de Tides of Tommorow.

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

No decorrer da nossa jornada, vamos encontrando personagens importantes como Eyla – que está em um estado crítico de Plastemia e tem pouco tempo de vida, mas, apesar do desespero de seu estado, ela é extremamente pró-ambiental e coloca o estado das criaturas marinhas e o mundo em prioridade à sua própria saúde, e nos traz um dilema recorrente de buscar fazer a coisa certa, mesmo quando tudo parece sem solução.

Mas claro que essas ações também têm consequências, e o mundo não funciona de uma forma tão simples. Aqui entra o grupo dos Marauders, uma facção que é um dos maiores responsáveis pela distribuição e contrabando de Ozen, que está encarando uma crise severa na distribuição, e lidando com isso de uma forma um tanto tirana demais.

Entre eles, a filha do líder dos Marauders, Kass – que é também a melhor amiga de Eyla, e as atitudes de Eyla entram em conflito com diversas regras que Kass precisa seguir, mas elas sempre mantêm uma ótima relação, apesar da encruzilhada em que se encontram.

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Tides of Tomorrow constantemente te faz questionar ações e questionar se está fazendo a escolha certa, e todas elas têm consequências aqui. O maior atrativo do jogo se dá pelas escolhas que o nosso Tidewalker irá fazer no decorrer de sua jornada, colocando crenças a cheque não só do jogador, mas também dos personagens desse universo.

A sua escolha é o charme principal por aqui

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Como eu disse acima, a sua escolha molda o rumo que o mundo vai seguir, entre elas temos barras de atitudes no melhor estilo Paragon e Renegade de Mass Effect. Aqui temos escolhas para o benefício da humanidade, escolhas focadas para o bem do meio ambiente, escolhas que visam mais a sobrevivência do jogador, escolhas de ser um verdadeiro pestinha, aqui conhecida como Troublemaker – ou encrenqueiro, e uma barra medindo também o quanto você é cooperativo com outros jogadores. Cada barra dessas vai aumentando de acordo com as suas escolhas, e elas afetam o mundo significativamente, não só para você, mas para o jogador que decide te seguir em sua jornada.

Aqui todas as nossas ações vão deixar rastros no mundo do nosso colega ou jogador aleatório que decidir nos seguir, com isso, se formos um encrenqueiro, isso pode afetar o gameplay de formas diferentes, como os NPCs sendo menos receptivos com o Tidewalker do colega, ou com uma segurança aumentada em sessões que precisamos ser furtivos, e esse é o maior brilho de Tides of Tommorow, pois esse sistema te faz querer continuar só para ver o que o jogador fez no mapa, e assim, você tentar ou fazer igual ou fazer diferente.

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Durante a exploração dos mapas, apertamos um botão onde podemos ver uma espécie de rastro, ou memória do jogador, onde visualizamos as suas ações e suas escolhas, e o jogo brinca bastante com essa mecânica de formas criativas, como brincar com escolhas para ser recompensado, ou brincar com ações físicas no mundo, mostrando o caminho que o jogador seguido fez antes de nós, e o que exatamente ele fez ou não fez, funcionando quase como as mensagens escritas nos Souls da FromSoftware, mas de formas mais complexas e curiosas.

Essa mecânica acabou me engajando de formas que eu não imaginava com o jogo, o que me fez ficar genuinamente curioso a continuar a jornada, não só para saber o que o Tidewalker que eu seguia fazia no mundo, como também continuar a narrativa do mesmo.

Porém, nem tudo são rosas, e Tides of Tommorow se sustenta mais na sua narrativa e ambientação marítima que um gameplay que engaje de verdade, o que sinceramente, não é um problema, o foco do jogo não é proporcionar um combate complexo ou exploração com diferentes camadas, muito pelo contrário, o jogo sabe o seu foco é na narrativa e nas interações das escolhas dos jogadores, mas as partes que precisamos engajar com uma espécie de exploração e combate, deixam bastante a desejar, principalmente as partes de stealth do jogo, que são quase completamente dispensáveis pela dificuldade quase nula que apresentam.

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Mas, por sorte, apesar de uma exploração simplória demais, os cenários de Tides of Tomorrow são lindos e bem criativos, o que atiça a vontade do jogador querer ver também novos lugares, e a forma que o jogo usa o barco é bem maneira e ele é bem gostoso de pilotar, apesar dos combates navais também não apresentarem desafio ou complexidades.

O jogo também não tem muita margem de customização, o que é triste, pois o barco em que o nosso Tidewalker se encontra é onde passamos boa parte do jogo também.

As cidades do jogo (que são na verdade pequenas ilhas e barcos gigantes, o que é muito legal) funcionam como mapas pequenos e isolados, o mundo aqui não é aberto para exploração, e o nosso barco serve apenas como uma espécie de hub, onde escolhemos o nosso próximo objetivo, e seguimos em frente até o jogo carregar o mapa.

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Vale citar também o cuidado que precisamos ter com Ozen, precisamos constantemente ir atrás de Ozen para restaurar nossa energia, antes de selecionarmos o mapa, o jogo vai nos mostrar quanto de Ozen vamos perder navegando até o mapa X, e no final, precisamos repor o máximo de Ozen que podemos para não “morrermos” então ficamos em uma caçada constante por Ozen ao mesmo tempo que progredimos no jogo, mas nada tão alarmante, pois o jogo é bem amigável com a quantidade de Ozen que você pode adquirir. Contudo, se seu Ozen acabar e seu Tidewalker morrer constantemente, você pode perder algumas rotas para finais diferentes, então é sempre bom ficar alerta.

Uma linda direção artística, mas que tem seus engasgos

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Graficamente falando, o jogo se escora bastante em um visual cartunesco para transmitir a sua história, em uma ambientação que a desenvolvedora chama de Plasticpunk. Seu estilo artístico lembra bastante jogos da Telltale, ou um cel shade forte como Bordelands, mas sua ambientação marinha faz ele entrar em um espaço único, alguns personagens tem um visual estranho e esquisito, e outros são bem mais estilosos, mas fora isso, é nos cenários que a DigixArt caprichou, em um mundo muito azul, mas cheio de vida e detalhes que fazem a diferença, como por exemplo, temos um número preocupante de lixo e plástico nas águas, e eles conseguem transmitir bem essa beleza, mas nos mostrar que ela está ameaçada.

O jogo tem um bom parâmetro técnico, e ele consegue manter bem seus quadros por segundo no PlayStation 5, mas ainda assim, ele tem uns engasgos severos, principalmente quando tem muitos NPCs em tela, que faz o jogo quase desistir por completo. Porém, a experiência em geral é estável, só precisava de mais polimento com o framerate e alguns bugs ocasionais.

Design de som competente que equilibra a atmosfera

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

O design de som do jogo também é bastante agradável e casa com a atmosfera, e a sua trilha sonora (composta por diversos artistas, entre eles o DJ Cardoso junto ao LW2, e Doodseskader) é um dos pontos positivos de Tides of Tomorrow. Algumas músicas são extremamente memoráveis, com uma ou outra caindo no esquecimento, mas elas têm uma vibe bem praiana com misturas de Bass music e algumas mais eletrônicas puxadas para o rock, utilizando não só de instrumentos com bastante som pela vibração de tambores, como também utiliza de eletrônica e remixes, dando uma modernizada legal e diferente para ela.

Já a dublagem de alguns personagens soa entre um trabalho bem competente e outros bem risível, não pelos dubladores e seus sotaques, mas pela direção da dublagem, onde alguns deles parecem robôs demais na forma que eles transmitem a emoção na voz, às vezes até me tirando da imersão do jogo, mas é uma coisa minha e que pode não comprometer tanto a experiência dos jogadores em geral.

Considerações finais

Tides of Tomorrow/THQ Nordic

Tides of Tomorrow é um belo exemplo de como narrativa e criatividade podem carregar um jogo, sua mecânica de seguir jogadores e suas ações terem impacto no mundo um do outro é genial, e as escolhas narrativas também te dão uma imersão e uma vontade constante de querer voltar para o jogo, que foi exatamente o que aconteceu comigo, mesmo a história do jogo sendo tão previsível e clichê assim.

Apesar de ele não ter um padrão alto em outros departamentos, e apesar dessa ideia poder ter sido implementada em um jogo com um pouco mais de ambição, a sjdkfjfjd entrega um jogo fascinante e bastante inovador, e que sem dúvidas me deixa curioso com o que eles podem fazer com esse sistema de link online.

Eu espero que Tides of Tomorrow faça um bom sucesso, que a DigixArt continue criando jogos com a sua criatividade e ambição para inovar, e eles já mostraram uma melhoria significativa do seu primeiro jogo Road 96, e sem dúvidas podem mostrar o que são capazes com o sucessor de Tides of Tomorrow.

O jogo foi disponibilizado pela THQ Nordic para análise!

Tides of Tomorrow lança no dia 22 de abril para PlayStation 5, Xbox Series e PC via Steam.

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Meu prato favorito é JRPGs, mas também gosto de saborear filmes, animações, quadrinhos etc. Um outro prato que adoro é jogo de terror com tempero de ação, mas, na real, eu gosto de tudo relacionado a videogame.