Review | Witchspire aposta em magia e sobrevivência em mundo de exploração e construção

Witchspire é a estreia da Envar Games no gênero de sobrevivência e criação, apostando em uma combinação que tem tudo para agradar fãs de RPG, magia e exploração. Disponível para PC e com suporte ao português brasileiro, o título coloca os jogadores na pele de aprendizes de bruxas e magos que precisam sobreviver em um mundo repleto de mistérios, criaturas mágicas e perigos constantes. O jogo fica disponivel na Steam a partir do dia 10 de junho.

Antes mesmo de iniciar a aventura, Witchspire oferece uma camada interessante de personalização por meio da escolha de uma das seis facções mágicas disponíveis. Cada uma delas representa uma filosofia diferente dentro do universo do jogo e influencia a identidade do personagem desde os primeiros momentos. 

Os Rompe-Nuvens são exploradores determinados a ultrapassar limites e descobrir novos horizontes; os Estreleiros dedicam suas vidas ao estudo dos astros e dos mistérios do cosmos; os Astroriadores buscam compreender os segredos do tempo e do espaço; os Herbimitas mantêm uma forte conexão com a natureza e os conhecimentos ancestrais; os Selenífilos são fascinados pelas estrelas, pelos céus noturnos e pela observação dos corpos celestes; enquanto os Guarda-Tomos atuam como estudiosos e guardiões do conhecimento mágico. 

Reprodução: Envar Games

Embora a escolha tenha um forte apelo narrativo e ajude a reforçar a imersão no universo de Witchspire, ela também contribui para que cada jogador construa sua própria identidade dentro desse mundo repleto de magia e descobertas. No meu caso, escolhi a classe Estreleiro. 

Ainda na etapa de tutorial, o jogador pode escolher entre quatro companheiros mágicos para acompanhá-lo durante a jornada. Cada um possui habilidades próprias que influenciam o combate e a exploração. Fien, do elemento Nox, é uma criatura noturna especializada em ataques contínuos e efeitos que enfraquecem os inimigos. Locto, do elemento Lux, utiliza explosões luminosas e projéteis flamejantes, sendo uma opção mais ofensiva para quem gosta de causar dano à distância. 

Bril, ligado ao elemento Cristal, combina ataques de fragmentos cristalinos com habilidades de controle de área, além de possuir uma personalidade curiosa e sociável. Por fim, Quol, do elemento Etéreo, se destaca pelo suporte, criando espíritos protetores e disparando correntes de energia contra adversários próximos. 

Além de influenciarem o combate, os familiares possuem descrições próprias e ajudam a dar mais personalidade ao universo mágico criado pela Envar Games. Na minha experiência, optei por Locto, coruja capaz de lançar ataques de fogo, o que tornou os confrontos iniciais mais dinâmicos e estratégicos.

Reprodução: Envar Games

A progressão é um dos pontos fortes do jogo. Ao derrotar inimigos espalhados pelo mapa, o personagem acumula experiência e sobe de nível. Cada novo nível concede pontos que podem ser investidos nos chamados Lumiares, a árvore de habilidades de Witchspire. Esse sistema permite desbloquear novas técnicas, aprimorar atributos e moldar o estilo de jogo de acordo com as preferências de cada jogador, oferecendo uma sensação constante de evolução.

As mecânicas de criação também são bastante completas. Recursos coletados durante a exploração podem ser utilizados em diferentes estações de trabalho, como mesas de criação, fogueiras e caldeirões, possibilitando a fabricação de equipamentos, consumíveis e itens essenciais para a sobrevivência. O sistema de construção incentiva tanto a criatividade quanto a funcionalidade, permitindo erguer santuários personalizados com aprimoramentos mágicos que trazem vantagens práticas durante a aventura.

A ambientação merece destaque. Para quem sempre foi fascinado pelo universo das bruxas, Witchspire entrega uma experiência bastante envolvente. Os cenários são bonitos, cheios de detalhes e personalidade, enquanto a trilha sonora ajuda a criar a atmosfera mágica que o jogo propõe. A exploração se torna recompensadora graças à variedade de ambientes, recursos e segredos espalhados pelo mundo.

O ciclo de gameplay gira em torno da exploração, coleta de materiais, evolução do personagem e descoberta de novas magias. Conforme avançamos, somos incentivados a desvendar os mistérios de uma antiga escuridão que ameaça o mundo, enquanto enfrentamos criaturas hostis utilizando uma combinação de armas convencionais e habilidades arcanas.

Reprodução: Envar Games

Nem tudo, porém, é perfeito. Apesar de contar com localização para português, encontrei alguns trechos que apareceram em inglês durante a jogatina, indicando possíveis falhas de tradução que provavelmente deverão ser corrigidas em futuras atualizações.

Outro ponto que merece atenção é o desempenho. Embora o visual seja bastante agradável, Witchspire exige um computador relativamente robusto para oferecer uma experiência estável. Em notebooks voltados para estudos ou trabalho, é possível enfrentar travamentos, quedas de desempenho e problemas de carregamento de texturas. Já em máquinas mais potentes, o jogo apresenta um visual muito mais bonito e uma jogabilidade significativamente mais fluida.

Os requisitos mínimos incluem um processador Intel Core i5-10400 ou AMD Ryzen 5 5600G, 16 GB de RAM e uma GTX 1650 ou Radeon RX 6400. Já a configuração recomendada pede um Intel Core i7-10700K ou Ryzen 7 3700X, acompanhados de uma RTX 3070 ou RX 6800 XT, demonstrando que o título não foi pensado para hardware de entrada.

No geral, Witchspire chega ao mercado com uma proposta interessante ao unir sobrevivência, construção, RPG e magia em um único pacote. A estreia da Envar Games mostra potencial e entrega uma experiência capaz de agradar tanto os fãs do gênero survival quanto jogadores que buscam uma aventura com forte temática de bruxaria. 

Apesar de alguns problemas técnicos e pequenos deslizes na localização, o jogo oferece um mundo encantador, sistemas de progressão satisfatórios e boas possibilidades de exploração, tornando-se uma opção promissora para quem gosta de aventuras mágicas em modo solo ou cooperativo.

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Eduarda Melo é jornalista especializada em jornalismo de investigação, dados e visualização, formada pela Escuela Unidad Editorial e bacharela em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Atuou como repórter política no Jornal do Commercio e no Poder360, cobrindo temas nacionais e internacionais com foco em política, direitos humanos e análise de dados. Teve passagem pelo El Mundo, no setor de infografia