Continuação da excelente primeira parte do remake da série de JRPGs Trails in the Sky, 2nd Chapter traz uma sequência que joga seguro, mas joga bonito. Até porque não há motivo para mexer em um time que já está ganhando. E, bem, também não temos motivos para esperar uma mudança drástica de um remake para outro, já que aqui temos uma continuação direta e que, até mesmo por conta da janela de lançamento, não está distante de seu antecessor. Isso é diferente de trilogias como, por exemplo, os remakes de Final Fantasy VII, mas se aproxima mais da estrutura da trilogia de RPGs de ação da CyberConnect2, .hack.
Mas, mesmo sendo uma continuação direta e reutilizando muitos dos assets do primeiro capítulo, Trails in the Sky 2nd Chapter ainda traz sua parcela de melhorias e novidades em relação ao primeiro título. Em apenas um ano de desenvolvimento, foi tempo suficiente para implementar novidades que o diferenciam do primeiro jogo. Mas, o mais importante aqui é que ele continua apresentando uma das melhores histórias e narrativas que podemos encontrar nos videogames.
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Continuando diretamente do final em aberto do primeiro

Aqui continuamos a acompanhar a jornada de Estelle Bright, momentos depois do final do primeiro jogo, quando seu meio-irmão adotivo, Joshua, partiu sem dar grandes pistas sobre o rumo que seguiu. Após algumas resoluções internas, Estelle decide se tornar uma Bracer Senior em suas viagens pelas regiões de Liberl, visando aproveitar os ganchos que ser uma Bracer lhe proporciona para buscar pistas sobre o paradeiro de Joshua.
Trails nos mostra uma sofisticação narrativa impressionante, muito por conta da divisão que faz de sua história. Se o primeiro jogo visava nos introduzir, de uma maneira um tanto superficial, ao mundo do jogo e também desenvolver o forte laço que Estelle e Joshua vão construindo cada vez mais ao longo da jornada, 2nd Chapter, no entanto, quer abrir o leque de possibilidades, criando brechas para um desenvolvimento maior de cada personagem, resolvendo conflitos e mistérios e explorando mais a fundo esse mundo de Kiseki. 2nd Chapter é um ponto importante que expande elementos que terão benefícios apenas mais à frente na franquia.

A jornada de Estelle sem o Joshua acaba se tornando um pouco mais íntima e interessante, cravando-a como a protagonista definitiva da trilogia e desenvolvendo-a cada vez mais, fazendo todo o envolvimento do jogador com essa trama valer a pena e, inclusive, nos dando uma ótima recompensa mais à frente na narrativa, próxima ao fim deste capítulo.
Não tenho muito o que acrescentar aqui além de vagos devaneios sobre a narrativa incrível que esse jogo tem, até porque, se eu falar mais, será spoiler. Mas me encanta muito como os vilões do segundo capítulo são excelentes e como o desenvolvimento dos personagens é tão bem escrito. Se você achava que alguns personagens do primeiro título não tiveram um desenvolvimento interessante, aqui a coisa começa a se pagar mais, e o investimento vale muito a pena.

Temos aqui uma continuação direta do primeiro jogo, então o elenco de personagens da sua party é basicamente o mesmo. Ainda assim, temos novos personagens que passam a compor a história e que são tão interessantes quanto aqueles que já conhecemos.
Já o mundo de Liberl continua sendo um lugar cheio de vida e interessante. Temos uma reutilização de locais do primeiro jogo, assim como novos lugares que se abrem no decorrer da jornada. Mas, mesmo com a reutilização de locais e assets do primeiro título, Trails é bastante esperto na maneira como mantém esses lugares interessantes, mais precisamente por conta de seus NPCs, cada um deles possuindo uma narrativa única que vai se desenvolvendo cada vez mais conforme você progride no jogo.
Melhorias não tão radicais nos visuais, mas que fazem uma diferença

E, já que falei muito por cima do visual, Trails reutiliza muito do que o primeiro remake havia estabelecido, assim como o título original.
Contudo, as poucas mudanças e melhorias visuais que a Falcom implementou fazem uma diferença muito grande, com alterações em efeitos e animações de algumas telas e até mesmo nos personagens, o que dá um ar de novidade, mas sem sair da sua zona de segurança, mantendo bastante intacta a sensação de estarmos jogando um jogo diferente.

Como um remake (e continuação), o que eu citei na minha review do primeiro capítulo vale muito para o que temos aqui no segundo capítulo também, além de que, agora, eles colocaram ainda mais conteúdo que não tinham conseguido incluir no primeiro título. No mais, esse é um remake praticamente 1:1 dos jogos originais.
Narrativamente, não encontraremos diferenças tão drásticas: temos, sim, novos diálogos e novas cutscenes que expandem mais a história, mas é uma recriação muito fiel ao que tínhamos nos originais. E, mais do que isso, esses remakes são um dos melhores exemplos de uma reimaginação geral de perspectiva, sistemas de combate e exploração para um mundo em 3D que encontramos no mercado. Isso só demonstra o trabalho incrível que a Falcom colocou em Trails, e sua engine proprietária é uma das mais impressionantes que temos hoje em dia, principalmente para simular visuais cel-shaded, além de apresentar uma otimização extremamente impressionante (pelo menos nos consoles).
Mas, dito isso, não temos um remake radical, apesar da nova perspectiva de câmera e do refinamento no combate, ainda mais em comparação ao 1st Chapter. Aqui temos um jogo que segue a exata mesma linha traçada pelo primeiro, e isso não é demérito algum.
Gameplay que continua deliciosamente fluído, responsivo e interessante

O combate e os sistemas de batalha do segundo capítulo também não tiveram grandes mudanças, apenas novos balanceamentos e alguns reworks interessantes e, claro, novas magias e habilidades que também fazem uma diferença absurda. Mas o sistema, em seu core, é o mesmo e, novamente, como o título diz, é bom não mexer em time que está ganhando. 2nd Chapter é o melhor exemplo disso.
Porém, temos uma gama de novidades interessantes. Entre elas, temos o retorno da pescaria, que é algo ausente do primeiro capítulo e que, apesar de bem bobinho, é um minigame muito divertido e que adiciona um certo charme a Trails.
Já no sistema de combate, temos melhorias nos Orbs. Você já tem todos os slots desbloqueados, mas a novidade aqui é que podemos realizar upgrades nos slots. Isso aumenta o seu EP e também dá acesso a novas técnicas de Quartz, nas quais você pode equipar orbes mais poderosos. É importante também saber com qual personagem você irá realizar esses upgrades, o que dá margem para bastante experimentação no combate e nas builds, além de termos acesso a novas Arts, que eu recomendo buscar em vez de tentar se manter apenas com o que veio do primeiro jogo.

Vale citar que o jogo incentiva bastante a troca de personagens durante os capítulos, mas se você quiser, você pode manter a party que você bem entender, mas é temos bastante margem de experimento com os personagens e ótimas brechas, alguns personagens vão e vem, mas ainda assim, você pode manter bastante consistência até o fim do jogo.
Trilha sonora reutilizadas, mas com mudanças perceptiveis e significativas
Aqui a trilha sonora tem três modos, primeiramente temos o rearranjo das OSTs, a nova, e a original do jogo original para quem é mais nostálgico, e todas elas são excelentes. Joguei com a trilha rearranjada e valeu muito a pena, são composições belíssimas e cheias de personalidade que fazem Trails ser inesquecível, mas independente da forma em que você escolher, as três estão de bom tamanho, e não vão decepcionar de forma alguma, a única parte chata disso tudo é ter que escolher entre uma ou outra.
Os efeitos sonoros continuam poderosos e cheio de impactos no combate, fazendo uma diferença absurda na hora de soltar as arts ou até mesmo dar uma pancada nos inimigos, o som dos cenários combinado com o som da trilha sonora faz o continente de Liberl ser único e especial, cheio de vida.
Por parte da dublagem, temos as mesmas opções do primeiro capítulo, com uma dublagem em inglês que entrega uma vibe ótima, e uma dublagem em japonês excelente, mas tanto faz qual você escolher. Ambas são ótimas escolhas.
Uma coisa que acho interessante comentar, é que a localização de Trails aqui era bastante infame por uma localização um tanto “free-style”, que apesar de tentar manter o contexto original, tomava algumas liberdades bem cômicas, em diálogos que seriam considerados um tanto problemáticos para os padrões de hoje.

Aqui a tradução se aproxima mais da japonesa, apesar de ainda ter a liberdade em alguns pontos, ela se mantém mais formal sem perder o rumo e cair no escracho, pode ser algo que deixa algumas pessoas familiares com a original decepcionadas, e confesso que alguns dos diálogos eram bem engraçados, mas, temos uma tradução mais acertada dessa vez, e não consigo ver isso como algo ruim.
Considerações finais

Assim como o primeiro capítulo, o segundo também é meu JRPG favorito do ano, não só isso como ainda mantenho que ele é um dos melhores jogos lançados esse ano, trazendo boas novidades e me deixando tremendamente ansioso para o terceiro capítulo.
Porém, é bom se lembrar que essa é uma espécie diferente de lançamento de jogos, não é como Final Fantasy VII Remake, onde os responsáveis se preocupam até demais se o jogador não jogou o jogo anterior, buscando integrar eles a narrativa e as mecânicas. Trails in the Sky 2nd Chapter não tenta dar contexto elaborado para a trama e não tem medo de continuar diretamente de um cliffhanger do primeiro jogo, eles te dão um resumo básico da história do primeiro, mas que sinceramente, não ajuda muito, e na minha opinião, isso tá tudo bem, eu acho importante frisar que o jogador precisa jogar o primeiro jogo para sentir a emoção da narrativa dessa trilogia de uma forma concreta, e sinceramente, é uma experiência que sem dúvidas vale demais a pena.
2nd Chapter é entretanto, talvez o mais interessante dos três na forma que ele busca expandir esse mundo e na forma que ele desenvolve os personagens, essa é uma jornada extremamente interessante e curiosa.
Não traz grandes mudanças em seus sistemas e estruturas, mas coloca novidades boas o suficiente para engajar mais os jogadores de diferentes formas, além de um sistema de batalha extremamente robusto, e um dos jogos cel-shade mais bem feitos e bonitos que você vai encontrar por aí no mercado.

A Falcom está com um ótimo saldo em relação a seus títulos, e é ótimo ver o quanto ela consegue ser consistente com seus lançamentos hoje em dia, conseguindo lançar mundialmente os jogos ao mesmo tempo, e expandindo ainda mais o seu alcance e qualidade.
Agora só nos resta aguardar o terceiro capítulo da jornada de Estelle e Joshua, que me deixa extremamente curioso e empolgado.
O jogo foi enviado pela GungHo Online America para a realização dessa review.
Trails in the Sky 2nd está disponível para PlayStation 5, Nintendo Switch 1 e 2 e PCs via Steam. Você pode também experimentar a Demo do jogo de graça nas plataformas!
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