Oscar 2026 consagra Paul Thomas Anderson com seis vitórias para 'Uma Batalha Após a Outra'
Foto: AFP

Oscar 2026 consagra Paul Thomas Anderson com seis vitórias para ‘Uma Batalha Após a Outra’

O diretor Paul Thomas Anderson foi o grande nome da 98ª edição do Oscar, realizada na noite de domingo (15) no Dolby Theatre, em Los Angeles. Depois de 14 indicações ao longo da carreira sem levar nenhuma estatueta, ele finalmente foi consagrado pela Academia com “Uma Batalha Após a Outra”, filme que conquistou seis prêmios, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

Vocês fazem um cara trabalhar duro para conseguir um desses, eu realmente agradeço”, disse Anderson emocionado ao receber o prêmio de direção. “Sempre haverá alguma dúvida no coração se você merece, mas não há dúvidas sobre o prazer de tê-lo para mim.”

A comédia de ação com forte tom político, estrelada por Leonardo DiCaprio, Sean Penn e Benicio del Toro, acompanha um revolucionário que luta contra um regime autoritário nos Estados Unidos e vê seu passado voltar quando sua filha desaparece.

O longa também venceu as categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Sean Penn), Melhor Montagem e o inédito prêmio de Melhor Escalação de Elenco – primeira vez em 98 anos que a Academia reconheceu a direção de elenco. Por mais que “Pecadores” fosse considerado favorito para levar o prêmio inaugural da categoria, a estatueta foi para “Uma Batalha Após a Outra” logo no início da noite, em uma espécie de prenúncio de como seria o resto do evento.

Sean Penn, que não compareceu à cerimônia, conquistou sua terceira estatueta na carreira. Segundo o The New York Times, o ator está na Europa com planos de visitar a Ucrânia, país onde filmou o documentário “Superpower” sobre a invasão russa.

Outros destaques da noite foram “Frankenstein”, que ganhou três categorias técnicas, e “Guerreiras do K-Pop”, que venceu como Melhor Animação e Melhor Canção Original, outra das grandes barbadas da noite.

Atuações consagradas e marcos históricos

Oscar 2026 consagra Paul Thomas Anderson com seis vitórias para 'Uma Batalha Após a Outra'
Kevin Winter/Getty Images

Na categoria de Melhor Atriz, a irlandesa Jessie Buckley venceu por sua atuação em “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao. Em seu discurso, ela dedicou o prêmio “ao belo caos do coração de uma mãe”, aproveitando que a data marcava o Dia das Mães no Reino Unido.

Michael B. Jordan desbancou o favoritismo inicial de Timothée Chalamet e levou o Oscar de Melhor Ator por Pecadores. Visivelmente emocionado, o ator celebrou a presença da família, que veio de Gana para acompanhar a cerimônia, e agradeceu às “pessoas que vieram antes de mim”, citando nomes como Sidney Poitier e Halle Berry. A vitória de Jordan foi apenas a sexta vez que um ator negro venceu a categoria em 98 edições do prêmio.

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Kevin Winter/Getty Images

Amy Madigan venceu como Melhor Atriz Coadjuvante por “A Hora do Mal”, exatos 40 anos após sua primeira e única indicação anterior.

Brasil fica sem estatuetas

Os brasileiros voltaram para casa de mãos vazias. “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, concorria em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Escalação de Elenco, mas não venceu nenhuma.

Não deixou de ser uma noite histórica para o país, no entanto. Pela primeira vez, o Brasil concorreu a cinco categorias em uma mesma edição do Oscar – contando com a indicação de Adolpho Veloso por “Sonhos de Trem”.

O grande momento do país na cerimônia foi a participação de Wagner Moura no palco para apresentar o diretor de elenco Gabriel Domingues, de O Agente Secreto, que concorria na inédita categoria de Melhor Escalação de Elenco.

Antes da cerimônia, Moura comentou no tapete vermelho sobre a disputa com o filme norueguês: “Se perder, a gente chegou a um lugar muito bonito, muito legal. A gente representou o cinema brasileiro por dez meses.”

O prêmio de Melhor Filme Internacional ficou com “Valor Sentimental”, do norueguês Joachim Trier. O gosto amargo foi acentuado pela vitória do favorito norueguês, que somava nove indicações e era apontado como o principal concorrente de O Agente Secreto tanto na categoria internacional quanto na principal.

O paulistano Adolpho Veloso, radicado em Lisboa, também concorreu na categoria de fotografia por Sonhos de Trem, mas perdeu para Autumn Durald Arkapaw, de “Pecadores”, que se tornou a primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Fotografia, além de ser a primeira mulher negra a conquistar o prêmio.

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Kevin Winter/Getty Images

Homenagens e momento político

O ator espanhol Javier Bardem quebrou o protocolo da cerimônia ao declarar “Não à guerra” e “Palestina Livre” antes de anunciar o vencedor de Melhor Filme Internacional.

O segmento In Memoriam lembrou artistas que morreram no último ano, incluindo o alemão Udo Kier, que atuou em “O Agente Secreto” e em “Bacurau”, e Robert Redford, homenageado por Barbra Streisand. O diretor Rob Reiner e sua esposa Michele, encontrados mortos em dezembro em um crime que teve o filho do casal como principal acusado, também foram lembrados. Mas a ausência de nomes como Brigitte Bardot, Eric Dane e Van Der Beek chamou a atenção.

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Resultado de uma experiência alquímica que envolvia gibis, discos e um projetor valvulado. Editor-chefe, crítico, roteirista, nortista e traficante cultural.