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Review | Saros mantém a essência de Returnal e melhora quase tudo

Me lembro de como Returnal foi comentado quando chegou em 2021. O primeiro jogo de grande escopo da Housemarque trouxe um gameplay extremamente viciante e uma dificuldade elevada, fazendo com que muita gente sequer conseguisse terminar a campanha.

Cinco anos depois, o estúdio retorna com Saros, um jogo que, olhando rapidamente, lembra bastante seu antecessor. Ainda assim, ele consegue encontrar uma identidade própria e criar seu próprio charme, principalmente por apresentar uma experiência mais acessível para jogadores novatos.

O Sol é para sempre!

Em Saros, acompanhamos Arjun Devraj, integrante de uma equipe enviada ao planeta Carcosa para investigar o desaparecimento de expedições anteriores. Desde os primeiros momentos, já fica claro que existe algo profundamente errado naquele lugar. O planeta provoca alucinações, paranoia e mudanças bruscas de comportamento em Arjun, criando uma atmosfera constante de desconforto.

Reprodução: Paulo Vitor

Conforme a história avança, entendemos aos poucos a verdadeira motivação do protagonista estar em Carcosa. Porém, para quem realmente quer mergulhar na narrativa, não basta apenas assistir às cutscenes. Os documentos, registros e colecionáveis espalhados pelos cenários são fundamentais para compreender toda a trama e os acontecimentos envolvendo as equipes anteriores.

O que mais me impressionou durante a exploração foi a variedade dos biomas e dos inimigos. Cada região possui identidade própria, tanto visualmente quanto na forma como os combates funcionam. Existem criaturas com comportamentos completamente diferentes entre si, exigindo estratégias específicas durante as lutas. Isso ajuda bastante na sensação de novidade constante, como se cada progresso realmente apresentasse algo diferente ao jogador. Entre os cenários, temos ruínas gigantescas, instalações subterrâneas e áreas que parecem completamente corrompidas pela influência do eclipse.

Enquanto exploramos os biomas, encontramos diversos pontos inacessíveis logo no início da campanha. Isso acontece porque Saros utiliza uma estrutura próxima de metroidvania, liberando novas habilidades conforme avançamos. Podemos desbloquear melhorias como golpes mais fortes, capacidade de repelir ataques letais e até um gancho que permite alcançar áreas mais altas ou criar novas possibilidades durante os combates.

Reprodução: Paulo Vitor

Durante a exploração também encontramos pilares em formato de sol, responsáveis por ativar o chamado modo Eclipse. Quando ele entra em ação, o ambiente muda completamente. Os inimigos ficam mais agressivos, novas rotas aparecem e as recompensas passam a ser muito mais valiosas. Em compensação, o desafio aumenta bastante, criando uma relação constante de risco e recompensa. O Eclipse é automaticamente desativado ao sair do bioma, fazendo com que seja necessário encontrar outro pilar caso o jogador queira ativá-lo novamente.

O ponto mais alto de Saros está facilmente no design dos chefes. Cada um possui visual próprio e transmite uma sensação absurda de imponência durante os confrontos. As batalhas conseguem misturar espetáculo visual com mecânicas variadas, fazendo com que nenhum chefe pareça repetitivo. Alguns exigem eliminar inimigos menores antes de causar dano real, enquanto outros criam barreiras repletas de projéteis e obstáculos espalhados pela arena.

Sistema de progressão facilita bastante a experiência

Aqui temos uma árvore de habilidades extensa, permitindo melhorar permanentemente diversos atributos do personagem para os ciclos seguintes. Isso faz com que Saros seja muito mais acessível do que Returnal, já que cada derrota ainda gera algum tipo de progresso.

Reprodução: Paulo Vitor

Para desbloquear melhorias, utilizamos dois recursos principais. O primeiro é a Lucenita, obtida constantemente ao derrotar inimigos. Já a Serenidade é bem mais rara, incentivando a exploração de caminhos secundários e áreas opcionais.

Outro sistema interessante envolve os modificadores desbloqueados na árvore de habilidades. Eles permitem criar vantagens específicas durante as runs, como aumentar dano, recuperar corrupção mais rapidamente ou melhorar atributos defensivos. Porém, existe um sistema de equilíbrio que impede o jogador de simplesmente ativar apenas bônus positivos.

Por exemplo, é possível aumentar significativamente o dano causado aos inimigos, mas em troca perder a capacidade de coletar Serenidade nos cenários. Ou seja, o combate fica mais simples no curto prazo, porém a progressão permanente acaba sendo prejudicada depois. Isso cria escolhas constantes durante a jornada e deixa a personalização das runs muito mais estratégica.

Mesmo assim, para quem prefere uma experiência menos punitiva, o jogo ainda oferece opções de acessibilidade que removem parte dessas limitações.

Reprodução: Paulo Vitor

Durante as runs também coletamos upgrades temporários que são perdidos caso o personagem morra. Entre eles estão armas de diferentes estilos, como espingardas, metralhadoras e equipamentos focados em combate de curta distância. Algumas armas ainda possuem travas de mira e projéteis teleguiados, ajudando bastante nos confrontos mais caóticos.

Falando nas armas, um detalhe muito bem aproveitado novamente é o uso dos gatilhos adaptáveis do DualSense. Os disparos normais funcionam de maneira tradicional, mas o jogo cria diferentes níveis de pressão nos botões para ativar tiros alternativos e habilidades secundárias. É um sistema extremamente intuitivo e que aumenta bastante a imersão durante os combates.

Vale a pena?

Saros representa uma evolução clara em relação a Returnal, tanto na construção dos ambientes quanto nas mecânicas de combate. Para veteranos do jogo anterior, a dificuldade reduzida talvez gere um pouco de estranhamento em alguns momentos.

Por outro lado, quem sempre teve interesse na fórmula da Housemarque, mas sentia receio da dificuldade extrema de Returnal, finalmente tem aqui uma porta de entrada muito mais amigável. O estúdio conseguiu preservar tudo aquilo que funcionava no jogo anterior, ao mesmo tempo em que tornou a experiência mais acessível sem perder sua identidade.

Agradecimento a PlayStation Brasil por nos fornecer uma cópia para review.

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