Amei The Alters (2025), portanto estava muito animado para produzir esta review de Last Variable. O jogo base foi uma das experiências mais interessantes de 2025 ao transformar ficção científica e gerenciamento em uma história sobre identidade.
A expansão parte de um dos finais do jogo principal, no qual o Alter decide permanecer no planeta para investigar o misterioso Oásis. A região desafia tudo o que Jan acreditava conhecer sobre aquele ambiente hostil e se torna o ponto de partida para uma nova campanha.
A história continua explorando os mesmos temas do jogo original, mas muda o ritmo. Em vez da corrida constante para escapar do planeta, agora existe mais espaço para observar os personagens e acompanhar suas relações.
Sem mais delongas, continua aqui, nesta review de The Alter: Last Variable e saiba se a expansão vale a pena:

Um Jan cercado por versões de si mesmo
O grande charme de Last Variable continua sendo a maneira como o jogo transforma diferentes versões de Jan em personagens realmente distintos, algo que sempre me cativou e isso não foi diferente na produção desta review.
O Cientista permanece como ponto central, mas suas novas variantes seguem especializações diferentes. Físico, Geólogo e outros Alters possuem personalidades próprias, além de interesses e comportamentos que afetam a convivência dentro do bunker.

Isso funciona porque o roteiro não trata essas versões apenas como ferramentas para acelerar a produção. Cada uma possui suas próprias frustrações, expectativas e conflitos.
As conversas também ajudam a construir essa dinâmica. Uma escolha aparentemente simples pode agradar um Alter e irritar outro, criando situações que reforçam a principal ideia da franquia: diferentes versões da mesma pessoa podem seguir caminhos completamente diferentes.
A dublagem também continua sendo um ponto forte. Alex Jordan interpreta as diferentes versões de Jan e consegue diferenciá-las sem transformar as atuações em simples variações do mesmo personagem.
Um bunker muda completamente a dinâmica
A mudança mais evidente na estrutura está na própria base. Desta vez, Jan trabalha a partir de um bunker subterrâneo fixo. Não existe uma gigantesca base móvel atravessando o planeta como no jogo original. Essa alteração deixa a experiência mais concentrada e muda a maneira como o jogador administra seus recursos.

A campanha também trabalha com ciclos de 14 dias. Quando a onda de calor se aproxima, a equipe precisa entrar em criogenia para sobreviver. Depois, os personagens despertam e retomam suas atividades.
A criogenia não funciona apenas como uma nova mecânica. Ela também interfere na relação entre os Alters e na passagem do tempo.
Enquanto Jan pode preservar sua vida através do sono criogênico, seus Alters continuam envelhecendo e trabalhando. Dessa forma, o tempo deixa de ser apenas uma ferramenta de gerenciamento e passa a influenciar os próprios personagens.
Mais complexidade para administrar
A coleta de recursos continua sendo uma das bases da experiência. Porém, Last Variable adiciona uma camada considerável de complexidade ao processo.
Novos materiais exigem estruturas específicas para serem extraídos e processados. Extratores, dutos e outros módulos precisam ser conectados para criar uma cadeia de produção eficiente.
A ideia funciona bem porque transforma a infraestrutura em parte importante da progressão. Ao mesmo tempo, essa complexidade pode cansar quem preferia a abordagem mais simples do jogo original.

O problema aparece principalmente quando a expansão exige reorganizar estruturas ou repetir determinadas tarefas para conseguir os recursos necessários. A sensação de evolução existe, mas nem sempre vem acompanhada da mesma satisfação.
Ainda assim, o sistema combina bem com a proposta de Last Variable. Jan não está tentando simplesmente fugir. Ele decidiu permanecer naquele planeta e entender o que existe no Oásis.
Explorar deixou de ser uma corrida
Essa mudança de objetivo também altera a exploração. No jogo original, boa parte da tensão vinha da necessidade de administrar o tempo enquanto a base avançava pelo planeta. Aqui, o mapa permanece fixo e Jan pode explorar a região com uma liberdade maior.

Isso torna algumas expedições menos desesperadoras, mas não elimina a pressão. Recursos continuam limitados e determinadas áreas exigem ferramentas específicas para serem acessadas.
As Anomalias também retornam e continuam interferindo na exploração. Portanto, ainda existe uma preocupação constante com preparação, armazenamento e escolha do momento certo para voltar ao bunker. O resultado é um ciclo conhecido para quem jogou The Alters, mas com uma cadência diferente.
A história é melhor quando fala sobre os Alters

Embora a investigação científica do Oásis seja importante para a campanha, são as relações entre os personagens que continuam sendo o elemento mais interessante.
O jogo consegue criar situações em que um Alter parece extremamente útil para determinada tarefa, mas pode se tornar uma presença complicada fora dela.

Essa contradição é importante porque reforça a ideia de que cada Jan possui desejos próprios. Afinal, criar uma versão especializada de si mesmo não significa criar alguém disposto a seguir suas ordens para sempre.
Por outro lado, a expansão não se distancia tanto do modelo narrativo do original. Quem esperava uma mudança radical encontrará uma continuação bastante familiar.

A trama continua utilizando diálogos, descobertas científicas e conflitos pessoais para desenvolver suas ideias. O diferencial está menos na estrutura e mais na situação em que esses personagens são colocados.
Uma campanha extensa para uma expansão
Last Variable consegue entregar uma quantidade considerável de conteúdo. A campanha pode chegar a aproximadamente 20 horas, dependendo do ritmo e da dedicação à exploração.
Esse tamanho ajuda a expansão a parecer mais próxima de uma campanha adicional completa do que de um pequeno pacote de conteúdo.

A duração também permite que as novas mecânicas sejam desenvolvidas gradualmente. O problema é que o ciclo de coleta e gerenciamento começa a mostrar sinais de repetição conforme a campanha avança.
Algumas atividades acabam exigindo idas e vindas constantes pelo mapa. Portanto, quem já considerava a coleta de recursos repetitiva em The Alters provavelmente encontrará o mesmo problema aqui.
Visual e desempenho no PS5
Visualmente, Last Variable mantém a identidade do jogo original e acrescenta o contraste do Oásis ao ambiente hostil do planeta. A vegetação e a região mais exuberante ajudam a diferenciar essa campanha sem abandonar a atmosfera de ficção científica do jogo.

No PS5 base, a experiência mantém uma apresentação competente, embora a expansão não represente um salto técnico significativo em relação ao jogo principal.
Também existem problemas pontuais de apresentação e animações. Alguns momentos podem apresentar personagens posicionados de maneira estranha durante diálogos, quebrando um pouco a imersão. Ainda assim, nada disso compromete a experiência como um todo.
Conclusão
Finalizo esta review de The Alters: Last Variable cravando que a expansão entende exatamente o que precisava fazer: continuar uma história interessante sem descaracterizar a fórmula que tornou o jogo original tão especial.
A expansão funciona melhor quando coloca diferentes versões de Jan frente a frente e explora as consequências de suas personalidades. A criogenia também adiciona uma camada interessante ao gerenciamento, principalmente porque o envelhecimento dos Alters transforma o passar do tempo em uma preocupação real.
Por outro lado, a nova estrutura de recursos torna a administração mais complexa. A coleta também pode ficar repetitiva depois de algumas horas, principalmente para quem já conhecia muito bem o ciclo do jogo base.
Ainda assim, Last Variable entrega uma campanha extensa e coerente. Não é uma revolução para The Alters, mas também não precisava ser. Para quem gostou do jogo original, essa nova variável vale a viagem.
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