capa da review do Serious Sam - Shatterverse

Review | Serious Sam: Shatterverse é divertido, mas deixa a desejar como roguelite

Serious Sam: Shatterverse tenta levar a clássica fórmula da franquia para o gênero roguelite, mas esbarra em problemas de progressão, dificuldade e matchmaking.

Serious Sam: Shatterverse tenta levar a clássica fórmula da franquia para o gênero roguelite, mas esbarra em problemas de progressão, dificuldade e matchmaking.

A clássica franquia Serious Sam, famosa por seus jogos boomer shooter cheios de humor e diversão, lançou recentemente um novo spin-off: Serious Sam: Shatterverse. O novo título trouxe consigo a novidade de ser um roguelite, algo inédito na série. Mas a pergunta que fica é: é possível fazer um Serious Sam roguelite?

Sobre o jogo

Serious Sam: Shatterverse é um roguelite de ação, cooperativo para até 5 jogadores e em primeira pessoa, desenvolvido pela Behaviour Interactive e publicado pela Devolver Digital em 31 de agosto de 2026. O principal vilão da série, Uber Mental, consegue, de alguma forma, romper as barreiras que separam os universos paralelos, provocando o Shatterverse.

Para impedir que Uber Mental destrua tudo, surge o Programa Serious, que reúne Sams de várias linhas do tempo para que, em equipe, possam impedir essa grande ameaça.

Um roguelite que deixa a desejar

Serious Sam: Shatterverse tem uma campanha principal dividida em 3 atos. Eu diria até que é um único ato, já que a diferença entre eles está somente na dificuldade. Não existem diferenças na história entre os atos.

Antes de iniciar a partida, você escolhe entre 5 personagens: Orphan Sam, Broken Sam, Alien Sam, Cartoon Sam e Retro Sam. Cada personagem possui uma habilidade suprema específica e habilidades passivas que diversificam a gameplay, como maior cadência de tiros, menor intervalo entre os dashes, entre outras.

Ainda no menu, também é possível montar sua combinação de berloques. Esses berloques dão algumas vantagens, como aumentar a vida, melhorar a cadência de tiros, diminuir o tempo para utilizar a habilidade suprema e etc. É nessa seção que você vai construir builds para potencializar o seu personagem.

Na partida, seu personagem aparece em um dos biomas de forma aleatória e, já na primeira ação do jogo, precisa escolher qual arma vai começar usando. As armas possuem raridades, e as cores diferenciam cada nível. Nesse primeiro momento, geralmente aparecem armas brancas, sem classificação.

As armas são divididas em: Sem Classificação (branca), Rara (azul), Épica (roxa), Lendária (amarela) e Especial (vermelha). A diferença entre elas é que, a cada nível, a arma passa a ter maior dano, maior cadência de tiro, menor tempo de recarga e etc.

O loop de gameplay consiste em avançar pelos cenários e limpar arenas repletas de inimigos, em uma dinâmica semelhante à de Doom. Cada abate gera XP, que ajuda a aumentar o nível do seu personagem. A cada nível, é possível escolher vantagens, as chamadas Benesses, que vão melhorar sua build e torná-lo mais forte, algo típico dos jogos roguelite.

Ao limpar a área, o jogador é teletransportado para uma região onde poderá pegar novas armas, comprar HP, melhorar a suprema, conseguir novas Benesses e, logo depois, seguir para a área seguinte, repetindo todo o loop.

Ao todo, são 3 áreas e, no fim, uma Boss Fight. Sendo assim, cada ato possui 3 locais, com 9 áreas e 3 Boss Fights. A exceção é o ato 3, que possui 4 Boss Fights, sendo a última a batalha final contra Uber Mental.

Ao fim de cada ato concluído ou após a morte do jogador, você volta ao lobby, onde é possível desbloquear novos personagens, armas e melhorar as Benesses gastando os Orbes Catalizadores, as famosas “bombinhas”, coletados durante as partidas. Além disso, também é possível melhorar os berloques por meio dos cristais coletados.

A forma como o estúdio introduziu o aspecto roguelite em Serious Sam: Shatterverse deixou muito a desejar. Poderia ter sido muito melhor, pois tinha potencial.

A progressão, que é a alma dos roguelites, é lenta. Aquela sensação de se sentir mais forte a cada run praticamente não existe neste jogo. Nas últimas atualizações, o estúdio até tentou melhorar a progressão, aumentando o número de Orbes Catalizadores que aparecem durante as partidas e disponibilizando mais armas no início, mas ainda assim não é o suficiente.

Muitos berloques trazem melhorias quase inexistentes, como 5% de velocidade ou 10% de vida. Essas melhorias são quase imperceptíveis, a não ser que, com o tempo, você melhore esses berloques e eles passem a ter estatísticas melhores.

Outro ponto dessa lentidão no progresso é a demora para aparecerem armas de um nível de raridade melhor, já que muitos inimigos são verdadeiras esponjas de dano. Em resumo o estúdio mirou no roguelite, mas, em muitos momentos, acertou no roguelike raiz.

O jogo não é difícil, é desbalanceado

Vale destacar que, após as últimas atualizações, os atos 1 e 2 ficaram bem mais fáceis, com menos inimigos de elite, maior drop de vida e menos dano recebido pelo personagem. Entretanto, o ato 3 ainda continua com a dificuldade raiz: um número alto de inimigos, inimigos de elite que são verdadeiras esponjas de dano e golpes que tiram uma quantidade considerável da sua vida.

A pior parte do ato 3 é que a escolha de anomalia é obrigatória, e isso é o que tem de mais detestável no jogo. Para contextualizar, as anomalias são modos de jogo que deixam o jogo difícil, ainda mais difícil, quase impossível. Por exemplo, existem anomalias que aumentam a velocidade dos inimigos em 100%, fazem com que o inimigo só receba dano em pontos fracos, aumentam o dano dos inimigos em 60% e etc.

Durante o jogo, você pode escolher essas anomalias ou não, mas é no ato 3 que a escolha se torna obrigatoriedade. Algo totalmente desnecessário pela dificuldade que o jogo já apresenta.

O jogo possui uma mecânica similar à de Doom: quando usa a finalização corpo a corpo nos inimigos, o jogador recebe vida. Porém, em muitos momentos, nem vale a pena, já que muitas vezes você vai receber apenas 5 de vida e corre o risco de tomar mais dano do que isso ao se aproximar das hordas de inimigos.

Para lidar com esse desbalanceamento na dificuldade do jogo, a melhor forma que o jogador tem é se movimentar o tempo inteiro. Essa é a melhor maneira de receber menos dano, já que ficar parado não é uma boa opção.

Outro ponto muito negativo, e que dificulta bastante a gameplay, é a falta de uma roda de seleção de armas e a impossibilidade de organizar o inventário. É inacreditável que um jogo em 2026 não tenha como organizar suas armas no inventário e nem uma roda de seleção de armas para que o jogador possa trocar de arma de forma mais rápida.

O auge do desbalanceamento da dificuldade está no chefe final do ato 3, onde claramente o estúdio perdeu a mão na dificuldade. Era possível fazer um jogo difícil e desafiador, mas um pouquinho mais equilibrado.

Serious Sam: Shatterverse é graficamente bonito, tem diálogos engraçados, mas falta algo

Diferente dos jogos clássicos desenvolvidos pela Croteam, que utilizavam a Serious Engine, a Behaviour Interactive optou por desenvolver o jogo na Unreal Engine 5. Dessa forma, Serious Sam: Shatterverse possui gráficos modernos e até bonitos. Os cenários clássicos foram recriados de maneira satisfatória e o design dos personagens é carismático. Entretanto, a identidade visual do jogo, não sei se por ser muito colorido, passa um pouco a sensação de ser um Fortnite genérico. Uma espécie de fortnitização da série Serious Sam. Por outro lado, a parte sonora despertou em mim um misto de sensações.

Apesar de ter gostado muito da pegada de humor que o jogo possui, principalmente nos diálogos, que são muito engraçados, a trilha sonora e o design de som não me chamaram a atenção. As faixas são qualquer coisa e não chega a incomodar, mas também não engrandece as sensações que o jogo passa. Enquanto isso o design de som, principalmente das armas, não tem impacto. Você não sente o peso dos tiros e, muitas vezes, nem percebe a diferença de som entre as armas.

Multiplayer é vazio

O jogo possui um modo multiplayer que comporta até 5 jogadores e tem suporte a crossplay, o que poderia tornar a experiência mais divertida e até mais fácil. Porém, é também nesse ponto que o jogo possui uma de suas maiores falhas. O matchmaking é muito deficiente, tornando quase impossível encontrar uma partida com jogadores aleatórios. Tentei por várias vezes encontrar uma partida com pessoas aleatórias e não consegui.

Se você tiver algum amigo para jogar, como foi o meu caso, vocês conseguem jogar de forma simples e fácil. A jogatina com amigos deixa o jogo mais divertido e até mais fácil em algumas situações, já que um jogador pode reviver o outro.

Serious Sam: Shatterverse vale a pena?

Apesar de todos os problemas que o jogo tem, Serious Sam: Shatterverse é um jogo divertido que me garantiu 25 horas de uma boa experiência. A dificuldade é desbalanceada, o jogo apresenta inúmeros bugs e crashes e o matchmaking é ruim. Entretanto, com o passar do tempo no jogo, você se sente cada vez mais forte e, com a build certa, a gameplay se torna bem satisfatória. Além disso, se você tiver amigos para jogar, tudo se torna mais atraente e interessante.

Serious Sam: Shatterverse está longe de ser um jogo perfeito ou um jogo memorável, mas também não é um jogo desprezível. Trata-se de um bom jogo para jogar com os amigos e, se levarmos em consideração o preço do jogo, que é de R$ 68 na Steam, torna-se uma opção com um bom custo-benefício.

Análise produzida com código enviado pela Devolver Digital

Leia também:

apaixonado por games, cultura pop e boas histórias. Focado em análises críticas e reflexões sobre cultura pop/nerd em geral, busco ir além da superfície, explorando o impacto do entretenimento na cultura.