Imagem: divulgação | Prime Video

Crítica | ‘A Hipótese do Amor’ investe nos clichês que fazem uma boa romcom

O filme funciona como comédia romântica, mas perde parte da profundidade da história original

O filme funciona como comédia romântica, mas perde parte da profundidade da história original

Adaptações literárias são sempre motivo de divisão de opiniões entre o público e com A Hipótese do Amor não foi diferente. Vindo do livro homônimo de Ali Hazelwood, o longa chegou cercado de expectativas, principalmente após a divulgação feita nas redes sociais por Lili Reinhart, que interpreta a protagonista Olive Smith. A promessa de entregar cenas fiéis e visualmente parecidas com aquelas imaginadas pelos leitores fez com que a animação para a produção da Prime Video fosse ainda maior.

Dirigido por Claire Scanlon, A Hipótese do Amor consegue ser uma boa comédia romântica. Olive entra em um relacionamento de mentira com o rabugento e fechado Dr. Adam Carlson, mais conhecido como Dr. Hostil pelos alunos. Como em qualquer bom clichê, eles acabam se apaixonando de verdade. É um filme leve, divertido e com várias cenas que arrancam algumas risadinhas, principalmente por apostar em duas tropes muito conhecidas do gênero.

O fake dating, em que dois personagens fingem estar em um relacionamento, é a base do filme, enquanto o grumpy x sunshine coloca um personagem mais fechado ao lado de outro mais alegre e espontâneo. A combinação dos dois funciona bem e traz de volta aquele tipo de romance que aposta no charme dos clichês, nas situações constrangedoras e na química entre os protagonistas, encantando com essa simplicidade.

Lili Reinhart e Tom Bateman em cena do filme (Foto: Divulgação | Prime Video)

Lili Reinhart dá show como Olive, trazendo para as telas o jeito genuíno, atrapalhado e espontâneo da personagem. Já Tom Bateman consegue dar ao Adam o equilíbrio necessário entre o lado rabugento e os momentos em que o personagem começa a baixar a guarda. Os dois têm uma química que ajuda bastante a história, fazendo a dinâmica entre Olive e Adam ser um dos pontos altos da produção.

A amizade também ganha espaço na história, principalmente na relação de Olive com Anh e Malcolm, que traz momentos de conexão genuína e mostra que a protagonista tem uma rede de apoio para além do romance. A ciência também não fica apenas como pano de fundo, já que a autora Ali Hazelwood, que é neurocientista, costuma colocar mulheres de STEM no centro de suas histórias e, aqui, isso aparece na trajetória de Olive e nos desafios que ela enfrenta como pesquisadora.

Filme traz cenas no laboratório e amizades genuínas (Foto: Divulgação | Editora Arqueiro)

Esses elementos ajudam a dar mais camadas à história, mas nem todos conseguem receber a mesma atenção na adaptação. Transformar um livro de quase 400 páginas em um filme de menos de duas horas torna impossível manter todos os acontecimentos, diálogos e detalhes da história original. Algumas situações que funcionavam melhor no livro acabam passando rápido demais na adaptação, mas, ao mesmo tempo, algumas das cenas retiradas deixam a progressão da história mais natural para as telas.

O desenvolvimento dos sentimentos dos protagonistas um pelo outro funciona, mas falta explorar melhor o conflito que surge justamente por eles terem começado como uma relação de mentira. Dá para perceber que Olive e Adam estão se apaixonando, mas o filme passa mais rápido pela dúvida sobre o que fazer com esses sentimentos quando a relação deveria ter sido apenas uma farsa.

A apresentação do Adam também pode ser considerada superficial. O personagem tem uma história que ajuda a entender suas atitudes, motivações e de onde vem seu amor pela Olive, mas o filme acaba mostrando pouco disso. Ter mais desse lado dele também deixaria a relação mais interessante e profunda.

E é no terceiro ato que faz ainda mais falta ter um desenvolvimento maior. Quando a história finalmente chega ao conflito principal, o filme parece ter mais pressa. Tudo surge e é resolvido rapidamente, sem tempo suficiente para que o momento tenha o peso que poderia e deveria ter.

Começo da história de Olive e Adam (Foto: Divulgação | Prime Video )

Ainda assim, isso não faz de A Hipótese do Amor uma experiência ruim. Pelo contrário. O longa entrega um romance leve, engraçado e fácil de assistir. Para quem procura uma boa comédia romântica, com personagens carismáticos, química entre os protagonistas e algumas boas risadas, o filme cumpre seu papel. Talvez não seja uma adaptação capaz de reproduzir tudo que fez a história conquistar os leitores, mas consegue funcionar como uma romcom divertida por conta própria.

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Fangirl em tempo integral e amante de super-heróis. Vivo entre filmes, séries, músicas e livros, mas sempre sobra tempo para surtos ocasionais com meus personagens favoritos. Você também me encontra no Instagram: @celossioo.