Arte da Capa: Conecta Geek

Review | Fading Echo transforma água em ferramenta

Com os jogos atualmente entregando mapas gigantescos, árvores de habilidades intermináveis e uma repetição interminável, Fading Echo decide apostar na simplicidade, direto e reto. Desenvolvido pela francesa Emeteria, o jogo coloca o jogador no controle de One, uma jovem capaz de manipular água e assumir diferentes formas para enfrentar inimigos, resolver puzzles e atravessar um mundo tomado pela corrupção do Paradoxo.

A água não funciona apenas como uma habilidade especial ou como mais uma arma no arsenal. Ela está presente em praticamente tudo que fazemos, tanto no combate quanto na exploração e movimentação.

Um combate que incentiva a criatividade

One pode manipular água, transformar-se em uma espécie de esfera líquida e combinar suas habilidades com elementos presentes nos cenários. Água, lava, resíduos tóxicos e outros elementos podem gerar reações diferentes, criando situações além de simplesmente bater no inimigo.

Essa característica também presente nos puzzles, em determinados momentos entender como os elementos interagem com o ambiente pode servir para alcançar lugares, atravessar obstáculos e criar oportunidades durante a exploração. O resultado é um sistema que recompensa a experimentação. É uma diferença pequena na teoria, mas que faz diferença na prática.

O problema é que a própria criatividade do sistema nem sempre é explorada até o limite, algumas mecânicas e interações acabam parecendo de certa forma escriptadas, tirando o valor recompensador de descobrir ou criar uma maneira própria de superar um obstáculo.

Exploração com cara de clássico

Jogar Fading Echo é um convite à nostalgia, apesar de ser um lançamento moderno, sua estrutura e gameplay remetem muito a jogos de ação e aventura de décadas passadas.

O mundo é dividido em regiões com caminhos, obstáculos, segredos e áreas que incentivam a exploração, não existe aquela preocupação constante em transformar tudo em um marcador no mapa ou usar a famosa tinta amarela. Em alguns momentos, você simplesmente precisa observar o cenário e descobrir para onde deve ir.

Algumas áreas possuem elementos visuais semelhantes entre si e certos caminhos podem passar despercebidos. A ausência de uma orientação mais clara pode transformar uma exploração interessante em genuína confusão, ainda assim, quando o jogo acerta, explorar Corel é uma das melhores partes da aventura.

Visual e estética flúidos como água

Se existe uma característica que faz Fading Echo se destacar imediatamente, é sua direção de arte, o jogo aposta em um visual estilizado, colorido e bastante expressivo, misturando elementos de fantasia, ficção científica e estética desert punk. Os cenários possuem cores fortes, ilhas flutuantes, estruturas abandonadas e efeitos de água que ajudam a criar uma identidade visual própria.

E isso é importante porque Fading Echo não tenta competir com grandes produções usando realismo, seue stilo gráfico é um dos pontos altos do jogo. Os efeitos de partículas e, principalmente, a representação dos diferentes estados da água ajudam a deixar os combates visualmente interessantes. Mesmo quando a geometria dos cenários não impressiona tanto, a direção artística consegue compensar boa parte disso.

A dublagem brasileira é um dos grandes destaques

O jogo chegou com áudio completo em português brasileiro, algo que ainda não é tão comum em produções independentes desse porte. A protagonista One é interpretada por Carol Valença, conhecida pelo trabalho como Luffy em One Piece e Abby em The Last of Us Part II.

A dublagem ajuda a dar personalidade aos personagens e torna os momentos narrativos mais naturais para quem joga em português. É aquele tipo de localização que faz diferença principalmente quando você está prestando atenção nos diálogos e consegue simplesmente jogar sem precisar dividir a atenção entre ação e leitura de legendas.

Uma história que funciona, mas não prende

A narrativa coloca One em uma jornada para salvar um mundo em decadência diante da ameaça do Paradoxo. Existe um universo relativamente rico por trás dessa premissa, com diferentes regiões, personagens e elementos de lore, porém, Fading Echo parece mais interessado em fazer você descobrir o mundo através da exploração do que em entregar uma história extremamente complexa, o que talvez funcione aqui.

A narrativa funciona como combustível para a aventura, mas não é necessariamente o elemento que fará você continuar jogando. O grande motivo para avançar é descobrir novas possibilidades para as habilidades de One e ver como o próximo ambiente vai brincar com as mecânicas que o jogo te entregou. Isso também ajuda a explicar por que o título funciona melhor quando está colocando o jogador para fazer alguma coisa do que quando simplesmente para para contar sua história.

Fading Echo vale a pena?

Fading Echo sabe o que quer ser, ele quer pegar uma ideia relativamente simples, transformar a água em uma ferramenta de combate, exploração e movimentação e construir sua experiência ao redor dela. Nem sempre essa ideia é aproveitada com a mesma força, mas quando todas as peças se encaixam, o resultado é bastante divertido.

A direção de arte também merece destaque, o combate é criativo e a dublagem brasileira é um diferencial enorme para quem joga em português. Fading Echo não reinventa a roda, mas entrega um jogo divertido com o foco em ser o que a maioria está deixando de ser hoje em dia, simplesmente um jogo de videogame, e talvez essa seja a maior qualidade do jogo.

Outras reviews