Back to the Dawn review
Imagem / Conecta Geek

Review | Back to the Dawn: Uma vida entre corrupção, prisão, gangues e fuga

Lançado em 18 de julho de 2025 para o PC e Xbox Series X|S, Back to the Dawn expandiu as plataformas que estava disponível tempos depois chegando ao Nintendo Switch em 5 de março de 2026. Finalmente, mais de um ano após chegar ao PC, o título chegou ao PlayStation 5 no último dia 22 de outubro. 

Com isso, tive a oportunidade de jogar e ter meu primeiro contato com esse CRPG, que nos coloca numa prisão, interagindo com vários personagens e com uma densa possibilidades de caminhos. Então vem comigo nessa review, que foi realizada com um código enviado pela Spiral Up Games.

Os dois lados da história

Apesar de ser um apreciador de narrativas densas e com muito diálogo, não sou um expert no gênero CRPG. E claro, para iniciantes nesse meio, logo já é de se imaginar que o jogo é gigantesco. Bom, Back to the Dawn não foge disso, trazendo conteúdo suficiente para boas horas de diversão, e diálogos.

No jogo podemos assumir o papel de dois protagonistas, Thomas, uma raposa, do qual é um jornalista, conhecido por suas investigações intensas contra políticos corruptos. E Bob, uma pantera, um detetive que se infiltra na prisão, para investigar a morte do seu parceiro.

Cada um deles possui atributos e habilidades diferentes. Por exemplo, Thomas possui mais carisma, com isso é mais fácil persuadir outros personagens que desenvolvemos relação, em contrapartida, não tem tanta força, então se torna uma presa fácil no combate. Enquanto isso Bob tem um carisma baixo, e força alta, sendo completamente o oposto.

Em Back to the Dawn cada NPC é um animal diferente, e isso foi um dos pontos que despertou minha curiosidade. Passando aquela sensação de O Segredo dos Animais. E um fato curioso é que muitos deles têm nomes que são referências a personagens de animações, filmes e etc. Como Hakuna, um javali, ou Perry, o ornitorrinco. Temos também Alex, sendo um leão, entre outros.

E bom, ao escolher com quem iremos jogar, seremos apresentados a um prólogo sobre como cada um deles foi parar na prisão. Mas, independente de quem seja, temos um total de 21 dias para concluir os objetivos necessários e fugir da prisão. Caso não consiga completar tudo até lá, bom, é game over.

A vida na prisão não é fácil

Como toda e qualquer prisão, a de Boulderton não é diferente. Três diferentes gangues controlam o recinto, e apesar do fato de se respeitarem, orquestram guerras internas para a conquista de território. São elas a gangue do Pé-Grande, Dente Afiado e Garra Negra. Com isso, o fato de você ser um peixe novo na cadeia, faz com que seja necessário construir relações.

Com os personagens é possível interagir conversando, fazer amizades, o que permite trocar itens ou dar presentes, e temos também o nível de afinidade. Aumentar a afinidade garante com que possamos aprender habilidades de outros personagens ou pedir ajuda para eles em determinadas missões.

É possível desenvolver sua reputação com as gangues e filiar a alguma delas, porém, é melhor colocar na balança os prós e contras. Filiar a uma gangue representa se tornar rival para outra, com isso favores, loja de itens e reputação serão diferentes. Mas ao mesmo tempo filiar garante proteção, itens exclusivos e respeito.

Falando nas missões, o número aqui é bem generoso. Como bom CRPG ou RPG, a melhor parte está nas missões secundárias, interações com personagens e descobrir mais sobre o completamento da história principal. Enquanto as missões principais são poucas, o jogo faz com que estenda com conteúdo sendo necessário fazer missões secundárias, de gangues, dos guardas ou favores, para que em troca você consiga itens para progredir na história.

Um exemplo, em determinado ponto precisamos de fósforos e álcool, mas para isso é preciso levantar um dinheiro. Com isso nos vemos obrigados a realizar missões secundárias, para ganhar dinheiro e aí sim ter possibilidade de conseguir os itens para prosseguir na principal. Sem esquecer que são 21 dias nesse meio tempo.

O mesmo vale para como concluir as missões com a ramificação de possibilidades. Podemos concluir a missão tentando persuadir o personagem ou ir naturalmente, ou até mesmo tentando ser agressivo. Tudo isso depende de sorte, com o giro dos dados atingindo o valor necessário.

Já sobre dinheiro, não ganhamos apenas nas missões. E nisso Back to the Dawn se torna mais interessante ainda. Na prisão temos trabalhos, como lavanderia, trabalhar no telhado ou na área de correspondência. Trabalhar e concluir o trabalho perfeitamente nos gera dinheiro, que acaba sendo necessário para se viver dia após dia.

Comer, banhar e dormir bem faz a diferença

Uma das mecânicas de Back to the Dawn é precisar comer, banhar e dormir, além de escovar os dentes e relaxar também. Ficar com fome faz com que a saúde corporal caia, e ficar abaixo de 30 como punição nossos atributos de Força e Agilidade caírem pela metade. Enquanto não relaxar descansando ou fazendo atividades de entretenimento, faz com que a Mente fique cansada, cortando pela metade Carisma e Inteligência.

Não banhar também faz com que o personagem tenha status de Fedorento, abaixando o Carisma. E não esqueça de ir ao banheiro, para não sujar a roupa. Enquanto isso, dormir mal resulta em pesadelos, o que faz com seja consumido a barra de Mente, o que dificulta todo o seu dia.

Sim, em Back to the Dawn temos uma rotina definida dia após dia. Na prisão há regras com os horários, que devem ser seguidas, caso se enrole em uma atividade por exemplo e perca o horário de almoço, é o famoso “já era”. Mas felizmente na dificuldade normal o jogo permite ir e vir com uma quantidade enorme de saves automáticos ou manuais. O mesmo não vale para a dificuldade difícil, que não permite voltar e mudar suas decisões.

Entre as atividades extras no jogo a lista é grande, podemos jogar poker, assistir TV, rezar, ler, puxar ferro e até participar das lutas no clube de luta da prisão. E não para por aí, porque a possibilidade é vasta também com os itens, onde podemos fabricar armas brancas, além de repará-las. Cada item possui um nível de Infração, ser pego por um guarda acima do permitido pode te levar à solitária.

Um ponto que me decepcionou quanto ao jogo em si, foi o fato dos status do personagem serem fixos. Mesmo que você treine para ganhar mais força, o atributo em si não sobe. O que altera são as habilidades fixas usando os pontos de habilidades após adquiridos, chamadas de Especialidades. Mesmo que essas ajudassem o personagem a evoluir, senti falta que os atributos principais também evoluíssem junto. A sensação é de estar estagnado, mesmo liberando diferentes Especialidades.

Gráficos são simples, mas bonitos

Back to the Dawn é um jogo 2.5D, com isso em mente o estúdio apostou em gráficos pixel art, mas bem detalhados e modernos. Ao mesmo tempo que passa a sensação de um jogo retrô, você percebe cada detalhe do jogo, com um universo rico de informação.

A versão de PlayStation 5 estava perfeitamente redondinha, sem bugs ou problemas de desempenho em mais de 30 horas de gameplay. A versão já veio também com as legendas em português, que foram disponibilizadas um tempo após o jogo ser lançado no PC e Xbox.

Back to the Dawn vale muito a pena!

Mesmo não sendo um grande expert em CRPG, Back to the Dawn foi um dos jogos que mais me prendeu do gênero. A história é clichê, envolvendo corrupção, vingança e investigação, mas as possibilidades do mundo junto a interação com tantos personagens e atividades, deixa tudo muito mais divertido. O jogo sabe instigar o jogador a continuar explorando e até repetir para explorar caminhos e finais diferentes.

Análise realizada no PlayStation 5 com código enviado pela Spiral Up Games

Outras reviews:

Amante de Games desde criança e viciado em caçar platinas. Profissional de TI nas horas vagas. Você me encontra no X: @gennerdouglas