Graveyard Keeper 2 review
Imagem / Conecta Geek

Review | Graveyard Keeper 2: A comédia mórbida mais viciante dos últimos tempos

Graveyard Keeper 2 é um jogo de aventura, RPG e simulação desenvolvido pela Lazy Bear Games e publicado pela tinyBuild. O jogo mistura gerenciamento de cemitério, exploração, crafting, automação, missões e elementos de RPG em uma experiência que lembra bastante jogos como Stardew Valley, mas com uma proposta muito mais mórbida.

Mesmo sendo uma sequência, não é necessário ter jogado o primeiro Graveyard Keeper para entender a proposta do segundo jogo. A experiência consegue apresentar suas próprias mecânicas e história, embora a grande quantidade de sistemas possa tornar os primeiros momentos um pouco confusos.

Minha primeira impressão foi muito positiva principalmente pela parte visual. O jogo possui uma pixel art muito bem trabalhada, com bastante detalhe e uma direção de arte que consegue transmitir muito bem seu ambiente sombrio e mórbido.

Mecânicas de gameplay

A gameplay é um dos grandes pontos positivos de Graveyard Keeper 2. O jogo possui uma quantidade enorme de mecânicas, envolvendo gerenciamento, exploração, coleta de recursos, crafting, missões e automação. Por outro lado, essa quantidade de conteúdo pode ser justamente um dos maiores obstáculos para quem está começando. No início, existe muita coisa para aprender e entender, e isso pode deixar o jogador um pouco perdido.

Depois que você começa a compreender os sistemas, porém, a experiência fica muito mais agradável. O jogo possui um sistema de grind bastante gostoso, principalmente para quem gosta de ficar coletando recursos, produzindo itens, desbloqueando coisas novas e melhorando sua estrutura aos poucos.

Outro ponto que gostei bastante foi a movimentação. Diferentemente de alguns jogos de visão superior com pixel art, nos quais o personagem pode parecer extremamente lento, aqui o personagem possui uma movimentação rápida e responsiva. A gameplay acaba sendo bastante fluida.

Mundo de Graveyard Keeper e design do jogo

O mundo de Graveyard Keeper 2 é muito bonito. A direção de arte consegue criar uma ambientação que mistura o medieval com uma atmosfera mórbida e quase pós-apocalíptica. A iluminação também chama bastante atenção. Os ambientes conseguem mudar bastante dependendo das condições climáticas, e momentos de chuva são especialmente bonitos.

Um dos pontos que mais me chamou atenção foi a dublagem em inglês. Todas as falas possuem voz, e a atuação dos personagens combina muito bem com o humor do jogo. O humor é bastante mórbido, mas também muito bem colocado. Existem várias piadas e personagens engraçados, com destaque para o burro responsável por entregar os corpos ao cemitério.

Esse tipo de humor ajuda a deixar o jogo mais leve mesmo trabalhando constantemente com temas como morte, cadáveres e zumbis. Além disso, a ambientação sonora funciona muito bem, principalmente em momentos como a chuva, que possui uma sonoplastia bastante agradável.

História e narrativa

No jogo, você assume o papel do Grande Inquisidor e precisa lidar com um mundo ameaçado por um apocalipse zumbi, enquanto administra seu cemitério, ajuda a reconstruir a cidade e utiliza mortos-vivos para automatizar diferentes tarefas.

A narrativa é apresentada principalmente através das quests. Algumas missões possuem cutscenes feitas em pixel art, que são muito bonitas e ajudam a dar mais personalidade à história.

Porém, o começo pode ser um pouco confuso. A quantidade de mecânicas e informações apresentadas ao jogador faz com que seja necessário algum tempo para entender exatamente como tudo funciona e como os diferentes elementos da história se conectam. Mesmo assim, conforme o jogador avança pelas missões, a narrativa fica cada vez mais interessante.

Gráficos e performance do jogo

A pixel art é um dos maiores destaques do jogo. Os personagens, ambientes, iluminação e cutscenes possuem bastante cuidado visual. A direção de arte consegue transmitir muito bem a identidade de Graveyard Keeper 2, principalmente sua atmosfera mórbida. O jogo consegue transformar uma temática que poderia ser extremamente pesada em algo visualmente carismático, usando personagens engraçados, situações absurdas e um mundo cheio de detalhes.

E para um jogo com visão superior e estética baseada em pixel art, Graveyard Keeper 2 me pareceu um pouco mais pesado do que eu esperava. Durante a experiência, percebi algumas pequenas oscilações ou “flickadas” na imagem, mas nada que tenha chegado a incomodar ou prejudicar seriamente a experiência. No geral, não é uma performance problemática, mas é um ponto que poderia receber alguma otimização.

Graveyard captura
Divulgação / TinyBuild

Veredito

Graveyard Keeper 2 é um jogo muito bom, bonito e bastante completo. A combinação entre pixel art, humor mórbido, dublagem em inglês, história, exploração e grind cria uma experiência muito interessante. O maior problema está justamente em uma das suas maiores qualidades: a quantidade de conteúdo.

No começo, existe tanta coisa para aprender e tantas mecânicas diferentes que o jogador pode acabar ficando confuso. Não é um jogo que pega o jogador pela mão o tempo todo, mas justamente por isso existe uma satisfação grande em finalmente entender como todas as suas engrenagens funcionam. Para algumas pessoas, essa quantidade de informações pode ser suficiente para fazer com que desistam do jogo antes de descobrir tudo o que ele tem para oferecer. Porém, para quem consegue passar dessa barreira inicial, o grind se torna bastante prazeroso e a história começa a prender cada vez mais.

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