Cantora, compositora e produtora musical paulista em atividade desde 2017, Beatriz Brasil, sob a alcunha artística Tiny Bear lança agora seu álbum de estreia UMi – Memórias De Um Corpo Etéreo Que Ainda Jaz Em Mim. A obra soa como um acúmulo de experiências e vivências da artista até aqui, com canções que são íntimas e, ao mesmo tempo, dialogam com referências do pop e do indie rock e k-pop.

Ao longo de sete faixas, Tiny Bear vai explorando diferentes vertentes, porém mantendo uma coesão na sonoridade e criando um universo particular com momentos mais luminosos e outros mais intimistas e emocionais. Aqui, o indie pop, o synthpop, referências do k-pop e toques de R&B dividem espaço com indie rock e dream pop, sem nunca perder a mão ou abrir brecha para algum momento que soe deslocado da obra.
Nessa atmosfera, a artista abre memórias, sentimentos, sensações e experiências pessoais, como em um diário. O caráter confessional da obra é nítido, mas também há uma camada poética que deixa tudo com um clima mais etéreo e que é bem-vindo no universo da obra.

O disco abre com “Ursa Menor e seus astros”, uma vinheta de introdução feita vocalizes que formam uma crescente de sons e funcionam como uma boa maneira de transportar o ouvinte para a atmosfera do disco e desemboca em “2003”, uma das melhores faixas do álbum. Um sythnpop frenético que canaliza ânsias questionamentos e inquietações juvenis.
Em seguida vem “carta ao coração”, pop com elementos de R&B e contrasta com a letra densa e um refrão que remete ao dreampop. Em “Mathpop” o álbum começa a entrar em um clima mais denso e ir mais afundo no dream pop, com uma balada meio soturna com uma cara noturna, mas que ainda dialoga com o pop apresentado até aqui.
“ESCORRE” começa com uma batida de rock, evoluiu com sintetizadores e desemboca em um refrão forte com uma levada latina que lembra o arrocha só que em um clima atmosférico futurista. “domingo sem hora” é talvez a faixa mais indie rock do disco, com ecos de Terno Rei. “Luzes da Marginal” primeiro single divulgado, encerra com o ponto mais intenso da jornada até aqui. Guitarras pesadas e sons esfumaçados dão um tom melancólico, porém um tanto épico para o fechamento da obra.
Em UMI – Memórias De Um Corpo Etéreo Que Ainda Jaz Em Mim, Tiny Bear explora diferentes referências do pop, do indie e do dream pop com habilidade, sem nunca deixar essas influências pesarem ou se deslocarem do contexto da obra, ao mesmo tempo, em que servem como matéria-prima para a construção de um universo muito íntimo. É uma boa estreia, com momentos empolgantes que alternam com outros mais emocionais, e uma produção que funciona como portal para o mundo da artista.
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