Banda de Metalcore Wage War e seus integrantes

Crítica | Wage War transforma o pântano da Flórida em um EP brutal e atmosférico

Ao longo de mais de uma década, o Wage War se firmou como um dos nomes mais consistentes do metalcore moderno. Com riffs marcantes, breakdowns pesados e um equilíbrio afiado entre agressividade e melodia, a banda construiu uma identidade sólida sem parecer estagnada. Em “It Calls Me By Name“, isso fica ainda mais evidente, agora guiado por um conceito inspirado diretamente na Flórida, mais especificamente na região de Ocala, origem da banda.

O EP aposta em uma proposta de cinco faixas moldadas pelo pântano, tanto no aspecto sonoro quanto simbólico. O resultado é um trabalho enxuto, intenso e com uma atmosfera que conecta todas as músicas sem soar forçada.

O pântano ganha voz logo na abertura

“Song of the swamp” já define o tom sem rodeios. Sons da vida selvagem criam uma ambientação densa antes da explosão sonora. Os vocais de Briton Bond entram com força bruta, enquanto os riffs sustentam um groove marcante, quase hipnótico.

A faixa funciona tanto de forma literal, evocando predadores como jacarés, quanto como metáfora para a raiva reprimida. O uso de samples antes do breakdown reforça essa tensão e ajuda a construir um dos momentos mais impactantes do EP.

Peso moderno com raízes no passado

A música, “4×4” mantém a intensidade, mas traz outra abordagem. A música mistura metalcore tradicional com elementos de nu metal, criando uma sonoridade que lembra Korn em uma versão mais atual.

Os riffs são diretos, a bateria impulsiona tudo com agressividade, e o groove que remete ao metal do início dos anos 2000 sustenta a energia do início ao fim. Há um destaque maior para o instrumental, com guitarras explorando variações e texturas que enriquecem a faixa mesmo em sua curta duração.

Quebra emocional que adiciona profundidade

A transição para “Blindfold” é repentina, mas a música se sustenta com facilidade. Aqui, Cody Quistad assume mais protagonismo, trazendo uma abordagem melódica e introspectiva. Com influências próximas a Dayseeker, a faixa explora temas como relacionamentos tóxicos e desgaste emocional.

Podemos observar no trecho: “You drag me through the glass just to pour salt in the cuts / So what’s left to love? / Got your hooks in me, never set me free”
(“Você me arrasta pelo vidro só para despejar sal nos cortes / Então, o que resta para amar? / Tenho seus ganchos em mim, nunca me deixe livre”)

Essa parte da letra é uma imagem forte que traduz perfeitamente a sensação de prisão emocional e sofrimento constante construída pela música. Mesmo sendo mais suave, mantém peso suficiente para não soar deslocada e se destaca pela construção cuidadosa, sem cair em fórmulas previsíveis.

Ponto de equilíbrio

“Karma” é o ponto de equilíbrio do trabalho. A música reúne agressividade, melodia e experimentação em uma estrutura dinâmica, cheia de nuances que aparecem melhor a cada nova audição. Em alguns momentos soa um pouco como Will Ramos, da banda Lorna Shore, na música “To the Hellfire”, com aquele som “demoníaco” que envolve várias técnicas vocais.

Porém, a alternância vocal cria uma sensação constante de tensão, enquanto o instrumental sustenta uma progressão envolvente. O breakdown final se destaca pela criatividade, com Briton Bond explorando vocalizações que lembram também Jonathan Davis, trazendo um toque caótico com sons desconexos para transmitir colapso mental, algo que eleva o impacto da faixa.

Um encerramento brutal

“Prurify” encerra o EP retomando a ambientação inicial e fechando o ciclo de forma eficiente. Antes disso, entrega a música mais pesada do trabalho.

Os riffs são agressivos e bem construídos, a base rítmica mantém a tensão constante e os vocais atingem um nível quase selvagem. A sensação é intensa, quase visual, reforçando o conceito do pântano como um ambiente hostil e inevitável, e termina com um longo pig squeal, a técnica usada no Deahtcore que imita um porco, deixando assim, o encerramento absurdamente avassalador.

Um EP coeso e sem excessos

It Calls Me By Name é direto, coeso e cheio de propósito. Desse modo, a banda equilibra peso e melodia com segurança, explorando um conceito que aparece tanto na sonoridade quanto nas letras. Faixas como “Karma” e “Purify” concentram os momentos mais marcantes, enquanto “Blindfol” amplia a carga emocional do conjunto.

Mesmo com a duração curta, o EP mantém foco em cada escolha. No fim das contas, Wage War não adere “modinhas”, mas reforça por que a banda continua relevante, entregando Metalcore/Deathcore, identidade e consistência em um formato enxuto, mostrando que, às vezes, é melhor um EP bem entregue do que um álbum completo e cheio de enrolação.

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Acredito que séries, filmes e rock são mais do que entretenimento, eles dizem muito sobre quem somos. Redatora, crítica e teorizadora, escrevo para provocar reflexão, compartilhar paixões e explorar o impacto da cultura pop na vida real.