Poucos universos dos animes se encaixam tão bem no formato de RPG quanto Sword Art Online. A ideia de sobreviver dentro de um MMORPG onde morrer significa perder a vida no mundo real continua sendo uma premissa extremamente forte, mesmo tantos anos após sua estreia. Em Echoes of Aincrad, a Bandai Namco deixa Kirito um pouco de lado e coloca o jogador como protagonista de uma nova história dentro do arco clássico de Aincrad.
Você cria seu próprio avatar, escolhe aparência, atributos, armas e estilo de combate, vivendo uma campanha inédita enquanto tenta sobreviver ao lado de diversos companheiros espalhados pelos andares da gigantesca torre.
A proposta é excelente. O problema é que, apesar de vários acertos, o jogo acaba sendo constantemente sabotado por decisões de design e problemas técnicos que impedem a experiência de alcançar todo o seu potencial.

Um RPG muito mais “Souls” do que parece
Quem espera um RPG de ação tradicional pode acabar sendo surpreendido. Echoes of Aincrad bebe bastante da fonte de Dark Souls em vários aspectos de sua estrutura. Durante a exploração existem áreas de descanso que funcionam praticamente como fogueiras, recuperando recursos e fazendo os inimigos renascerem ao serem utilizadas.
As dungeons seguem exatamente essa filosofia, culminando sempre em chefes que exigem leitura de padrões e bastante paciência. Mas nada chega perto da dificuldade dos títulos da FromSoftware, até porque aqui podemos escolher a dificuldade e, no modo normal, é bem tranquilo, tirando alguns chefes.
O próprio sistema de evolução também lembra bastante os jogos da franquia souls. As armas possuem escalonamento por atributos específicos, incentivando diferentes builds conforme o investimento em força, destreza ou outros parâmetros do personagem. Isso torna a personalização bastante interessante e recompensa quem gosta de montar personagens especializados.
O combate funciona em torno de esquivas precisas, parries e ataques coordenados com seu parceiro de equipe. Executar um contra-ataque no momento certo ativa golpes conjuntos bastante satisfatórios, enquanto chefes oferecem batalhas relativamente desafiadoras durante boa parte da campanha.
Também gostei bastante do sistema de parceiros. São mais de dez companheiros diferentes, cada um oferecendo habilidades de suporte específicas, como cura, buffs ofensivos, barreiras defensivas ou localização de inimigos e tesouros. Isso adiciona variedade às batalhas e incentiva experimentar diferentes combinações conforme o desafio encontrado.

Boa progressão, exploração limitada
A progressão do personagem é um dos maiores acertos do jogo. Subir de nível libera pontos para distribuir livremente entre os atributos, novas habilidades podem ser aprendidas conforme a proficiência com determinadas armas aumenta e ainda existe um sistema relativamente completo de melhorias, criação de equipamentos e síntese de itens.
A exploração também possui ideias interessantes. Conforme avançamos pelos mapas, revelamos gradualmente novas áreas, encontramos baús escondidos, desbloqueamos atalhos, descobrimos missões secundárias e coletamos informações sobre o mundo de Aincrad. Em teoria, isso cria um ciclo bastante agradável de exploração.
Na prática, entretanto, existe uma limitação que incomoda bastante. Durante praticamente todas as missões principais, o jogo restringe completamente sua liberdade. Caso você tente sair da área determinada pela missão, simplesmente é impedido de prosseguir. Isso faz com que boa parte da exploração pareça artificial, já que existe sempre um caminho muito bem delimitado.
Com o tempo, todas as missões começam a seguir exatamente a mesma estrutura: aceite uma missão, percorra o mapa até o objetivo, enfrente alguns grupos de inimigos, derrote um chefe e retorne à cidade. Essa repetição acaba aparecendo muito antes do esperado.

Muitas decisões que quebram o ritmo
Algumas escolhas de design acabam tornando a experiência mais burocrática do que deveria. Uma delas é o sistema de equipamentos. Durante as missões você encontra armas, armaduras e diversos itens novos. O problema é que praticamente nada pode ser equipado imediatamente. Todo o equipamento precisa ser levado até o baú na cidade para só então ser utilizado, quebrando completamente o ritmo da exploração.
Então, você sempre repete o ciclo de ficar voltando para a cidade após cada missão para poder upar e trocar os equipamentos. É legal no começo, mas vai ficando cansativo com o tempo.
Outra decisão bastante questionável são os longos trechos em que o jogador simplesmente precisa caminhar lentamente enquanto diálogos acontecem. Esses momentos aparecem com frequência e acabam interrompendo constantemente o ritmo da aventura.
São detalhes pequenos isoladamente, mas que, juntos, tornam a campanha muito mais lenta do que ela precisava ser.

Os problemas técnicos pesam bastante
Durante toda a campanha encontrei diversos bugs de textura, objetos flutuando pelo cenário e problemas visuais relativamente frequentes. Além disso, os gráficos não impressionam. É aquele velho design de jogo de anime, que parece ter sempre os mesmos traços e a mesma direção de arte.
O desempenho também decepciona. Mesmo rodando a apenas 30 quadros por segundo, o jogo sofre com quedas bruscas de desempenho em praticamente todas as áreas mais abertas e durante alguns combates. Em determinados momentos, a taxa de quadros cai de forma bastante perceptível, afetando inclusive a precisão das batalhas.
Por se tratar de um RPG cujo combate exige boas esquivas e leitura de ataques, esse tipo de instabilidade acaba impactando diretamente a jogabilidade.

O combate é divertido do começo ao fim
Apesar dos problemas técnicos, existe uma ótima sensação de impacto durante os confrontos. Optei por uma build focada em força e gostei bastante do peso transmitido por cada golpe. As animações de finalização deixam as batalhas ainda mais satisfatórias, enquanto o gerenciamento de resistência impede que os combates se resumam a simplesmente apertar botões.
A parceria com os personagens controlados pela IA também funciona muito bem. Saber o momento certo de coordenar ataques conjuntos ou aproveitar uma abertura criada pelo aliado adiciona uma camada estratégica interessante, fazendo com que cada confronto seja mais envolvente do que parece à primeira vista.

Uma boa história segura a experiência
Apesar dos tropeços, Echoes of Aincrad consegue manter o interesse graças à sua narrativa. A sensação constante de perigo continua funcionando muito bem dentro do universo de Sword Art Online. A ideia de estar preso em um mundo onde qualquer erro pode ser fatal ainda é extremamente envolvente, principalmente para quem gosta da franquia.
Os companheiros de jornada ajudam a criar vínculos interessantes ao longo da campanha e tornam diversos momentos mais humanos. Embora a história não reinvente a fórmula da série, ela cumpre bem seu papel ao fazer o jogador querer continuar avançando pelos andares de Aincrad.

Vale a pena?
Echoes of Aincrad é um daqueles jogos que claramente possui boas ideias. O sistema de evolução é profundo, a personalização do personagem funciona muito bem, o combate tem boas inspirações nos Soulslikes e a ambientação consegue capturar a essência do universo de Sword Art Online.
Infelizmente, quase todas essas qualidades acabam dividindo espaço com problemas técnicos constantes, desempenho inconsistente, limitações desnecessárias na exploração e uma estrutura de missões que rapidamente se torna repetitiva.
Para fãs de Sword Art Online, ainda existe bastante diversão aqui graças ao universo, aos personagens e ao sistema de progressão. Já para quem procura apenas um grande RPG de ação, Echoes of Aincrad entrega bons momentos, mas dificilmente consegue atingir todo o potencial que sua proposta prometia.
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